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Heloisa Bernardes e a DVRS: curadoria de moda, arte e design

Poderia ser só mais um e-commerce de roupas descoladas, mas a recém-lançada DVRS (pronuncia-se: divers) dá um passo além e une moda, arte e design num só espaço (virtual). A mão por trás da seleção afinadíssima de peças exclusivas e ótimos achados é da gaúcha Heloisa Bernardes, que de sulista só tem um resquício de sotaque. É que a curadoria deixa claro que suas referências estéticas são muito mais metropolitanas: São Paulo, Nova York e Paris, a última onde ela morou durante uma temporada e se apaixonou pela loja-conceito Colette, e começou a sonhar em ter seu próprio canto.

A loja foi inaugurada no final de 2018 numa empreitada um tanto quanto despretensiosa e meio de última hora. Enquanto ia colocando a plataforma no ar, em questão de semanas ela montou o projeto para investidores e foi fazendo a seleção do que faria parte de suas araras virtuais. Bem doidinha, né? Mas deu certo, e hoje o site entrega para o Brasil todo e trabalha com mais de 30 marcas – todas criadas por mulheres, numa feliz coincidência mas que faz todo o sentido.

Com produtos que vão de R$ 50 a R$ 30 mil, espere encontrar peças de corte e modelagem impecáveis, das mais neutras às mais diferentonas, mas que mais parecem saídas de uma galeria de arte. Como o fio condutor é um pouco do gosto pessoal da própria Heloisa, quase como uma extensão do seu guarda-roupa, tudo acaba amarrado de uma forma muito natural. Conversei um pouquinho com ela, que me contou como foi o processo de colocar a loja no ar e como ela consegue esse mix tão interessante de produtos.

Helô, você lembra da sua primeira visita à Colette? Por que ela te marcou tanto?

Lembro muito pouco da primeira vez porque eu ainda era criança, mas lembro de falar “quero trabalhar aqui”. O que mais me chamou a atenção foi o visual, a escada para o bar de águas toda cor de rosa, o jeito que as roupas, bolsas e sapatos eram expostos, as peças de design… Eu comprei um bonequinho daqueles de colecionador, todo branco com umas canetas coloridas para a gente pintar. Mil anos depois, quando morei em Paris para estudar, sempre visitava a loja e me sentia em casa. Ia quase todos os dias!


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Por que só criadoras mulheres entraram na sua seleção?

Não foi uma decisão consciente, mas quando lançamos o site percebemos que toda a curadoria que selecionei, mais de 30 marcas, era toda de mulheres. Acredito que não tenha sido por acaso, já que cada vez mais vemos marcas incríveis de mulheres criativas que se expressam por meio da moda, e a missão dessas marcas tem tudo a ver com o que é o DVRS. Sem dúvida apoiamos a criatividade e empreendedorismo feminino, mas também estamos abertas para incluir outras marcas na nossa miscelânea.

Deu medo empreender?

Quando eu estava fazendo o meu TCC de administração, um projeto de e-commerce, já tinha a intenção de abrir um, mas me assustei com os custos, concorrência, tempo de retorno. Tudo isso é muito louco! Quando decidi abrir a DVRS, alguns anos depois, eu só abracei e fui sem pensar duas vezes, e as coisas foram acontecendo muito rápido. Então eu não tive tempo de ter medo mesmo, foi começar a pedir coleção, receber, alugar uma sala, fazer reforma, contratar uma assistente, receber as peças, fazer as fotos. Meses depois o site simplesmente estava no ar.

Graças a Deus eu tenho só pessoas positivas e que me apoiam e acreditam em mim ao meu lado, mas claro, já escutei que é um mercado difícil, competitivo. Isso me assusta um pouco, mas no dia a dia a gente vai lidando. Faz parte.

Como você escolhe o que vender?

Quando se trata de curadoria, é um pouco mais complexo do que apenas escolher as peças que entram no site, porque começa com a escolha dos fornecedores e eu acredito que vá até um bom follow-up com as clientes no pós-compra. 

Mas primeiro eu tento trazer meu lifestyle para a escolha, eu gosto muito de pesquisar tendências, visuais… sou viciada na Pantone! Quando eu vou fazer a parte de buying eu tento montar uma historinha na minha cabeça, sempre pensando nas cores e combinação de estampas, e também em como montar uma página de marca atrativa. Nos fornecedores eu olho para marcas com boa modelagem, estilo/identidade própria, mas que também sigam tendências, porque acho importante.

E dá para separar do seu gosto pessoal?

Eu acho difícil ter alguma peça ali que eu não usaria, eu penso no que a cliente da DVRS quer mas não compro se não fosse uma peça que entraria no meu guarda-roupa. Acho que dá para separar sim, mas para mim e para a ideia que eu tenho da DVRS, que é essa de vender um lifestyle, eu acho que as duas coisas andam juntas.

Fundadora & Editora do Costanza Who. Jornalista e produtora de conteúdo sobre moda, beleza e comportamento.

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