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A história da Casa Rhodia

De origem francesa, a multinacional Rhodia vem apresentando novidades no ramo têxtil para o Brasil há quase cem anos, e a história da marca muitas vezes se confunde com a própria história da moda brasileira. A ousadia da empresa ficou visível desde os anos 20, quando trouxe para o país, antes acostumado somente ao vestuário de algodão, a fibra artificial que é feita de polímeros naturais de origem natural. Já nos anos 50, trabalhou com fibras têxteis sintéticas feitas em laboratório. Porém, essas inovações lhe renderam alguns prejuízos devido ao desconhecimento dos compradores, já que muitos ainda preferiam a tradicional veste de algodão. E assim surgiu não somente a oportunidade, mas principalmente a necessidade de montar projetos de marketing para divulgar os seus produtos.

CasaRhodia

Embora o termo marketing ainda não fosse usado na época – muito menos no Brasil –, essa era basicamente a função do italiano Livio Rangan dentro da Rhodia. Livio revolucionou toda a comunicação da marca, direcionando as campanhas para o consumidor final. Para isso, era necessário mostrar não apenas os tecidos e fios, mas sim a produção final feita com o material da Rhodia, isto é, as roupas. O primeiro grande projeto desenvolvido por Rangan foi o Cruzeiro da Moda, para a maior revista de circulação da época, O Cruzeiro. A marca, sob a direção de Livio, foi responsável por realizar os primeiros editoriais de moda de grande porte do país, envolvendo modelos, maquiadores e fotógrafos especializados. É interessante, no entanto, perceber que a Rhodia não fazia moda. Seu produto sempre foi o fio sintético. Mas a importância das iniciativas da marca era tamanha que toda a cadeira produtiva da indústria acabava beneficiada.

Os shows-desfiles na Fenit

Em 1962, a Rhodia desfilou pela primeira vez na Fenit – Feira Internacional de Indústria Têxtil – sua coleção intitulada Brazilian Nature. No início, o evento não era prioridade no planejamento de marketing da marca – foi só em 1953, com a coleção Brazilian Look, que o desfile tomou grandes proporções. Na ausência de uma semana de moda estruturada para fazer o evento de lançamento de uma coleção, Livio Rangan decidiu que a Fenit deveria cumprir esse papel. Pela primeira vez, os desfiles contaram com um cenário temático criado especialmente para o evento, além de apresentações musicais de Sérgio Mendes e Bossa Rio. Desse momento em diante, a proporção dos desfiles só cresceu.

Os seus show-desfiles com coleções em fio sintético de grandes estilistas como Alceu Pena, Dener, Guilherme Guimarães e Clodovil, ganharam a condição de maior atração da feira. Alceu Pena, em especial, executou vários desfiles em parceria com a empresa para a Europa, Àsia e América do Norte Roma, Paris, Hong Kong, Beirute e em outros lugares com o fim de mostrar a moda brasileira para os quatro cantos do mundo. Vale a pena ressaltar que, diferentemente do que se dizia nas reportagens de moda nacionais, os desfiles da Rhodia não tiveram grandes repercussões no exterior.

A casa Rhodia

Depois de ficar visível que a empresa têxtil era sinônimo do que existia de mais quente naquela  época, nos anos 80 a Rhodia resolveu montar um casarão. Ele ficou conhecido como Casa Rhodia e se localizava na Avenida Brasil, em São Paulo. Dentro daquela mansão ocorriam os eventos de moda badalados patrocinados pela empresa. A companhia francesa ficou tão famosa que ditava tendências na moda brasileira e se tornou ícone de glamour. Infelizmente, a Casa Rhodia foi fechada nos anos 90 e colocada a venda em 2004, mas a memória de seu luxo perdura até os dias de hoje.

*Por Natalia Melo, em colaboração ao Costanza Who

Textos assinados por diversos colaboradores do Costanza Who

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