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Os efeitos da Segunda Guerra no Brasil

Anos 50: os efeitos da Segunda Guerra na moda brasileira

Assim como aconteceu nos Estados Unidos nos anos 50, nem todas as consequências da Segunda Guerra Mundial foram negativas no Brasil. Pelo contrário, com a economia europeia debilitada, a indústria nacional pode se desenvolver, amplamente incentivada pelo Estado. Com o setor têxtil não foi diferente. A produção nacional encontrou espaço para crescer e exportar, ampliando a variedade e a qualidade do tecido brasileiro. Ao final da guerra, o Brasil ocupava a segunda posição mundial em capacidade de produção.

As classes mais altas, principais consumidoras de moda, não mudaram sua preferência pelos tecidos importados, como sedas, tafetás, crepes da China, cetins, veludos, tweeds, brocados e lãs. Embora o algodão brasileiro fosse reconhecido internacionalmente pela sua qualidade, ele não fazia muito sucesso entre as brasileiras. Foi necessário um investimento em marketing para mudar a opinião nacional e valorizá-lo junto às classes mais altas. A indústria têxtil, interessada em movimentar a outra ponta da cadeia produtiva, começou a estimular e promover eventos de moda, para valorizar a criação de moda nacional. Foi nessa época que se começou a falar de uma moda feita no Brasil.

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Na França, os anos 50 marcaram o surgimento do chamado prêt-à-porter, ou ready to wear – a roupa produzia em série com expressão de moda. Já no Brasil, a elite continuou valorizando a alta moda, e sustentou financeiramente os primeiros costureiros brasileiros. Embora os desenhos fossem todos copiados de Paris, esses profissionais eram estimulados pela indústria têxtil, que procurava melhorar a aceitação nacional do seu produto e estimular o consumo. Na classe média, a maior parte dos trajes eram feitos por um exército de costureiras anônimas, muitas vezes as próprias donas de casa.

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Aos poucos, os costureiros montaram ateliês para atender suas clientes, desenhando e produzindo roupas sob medida e a preços altíssimos. Paralelamente, começaram a surgir as primeiras boutiques, que vendiam tanto uma produção própria quanto o prêt-à-porter francês. Portanto, enquanto os países europeus já começavam a pensar na produção de moda de uma forma moderna, as brasileiras ainda estavam interessadas no modelo antigo de alta costura.

O algodão e o Miss Elegante Bangu

“Estava sendo difícil convencer os brasileiros de que tecidos bons para a Europa não era imediatamente bons para o Brasil. Mas logo alguém ligou os pontos e entendeu que seria necessário estabelecer, também aqui, um vínculo resistente entre tecido e moda. Como fazer isso se no Brasil não havia criadores de moda? Será que não existiam mesmo? E se não, seria possível inventar uma moda brasileira? Ainda sem respostas para todas essas questões, a indústria têxtil partiu em busca delas, ou seja, de caminhos pelos quais pudessem valorizar seus produtos, em especial a fibra mais produzida no país e a mais adequada ao nosso clima: o algodão. O momento exigia união dos fabricantes, empreitada na qual seria imprescindível contar com o apoio de um setor determinante na formação da opinião pública: a imprensa. Na dianteira da iniciativa, estavam a Bangu, do Rio, e a Matarazzo, de São Paulo”. (História da Moda no Brasil – Luís André do Prado e João Braga)

A Companhia Progresso Industrial do Brasil, mais conhecida como Bangu, foi uma das indústrias têxteis que decidiu apostar na produção do algodão, usando o maquinário adquirido nos EUA e novos tipos de corantes para produzir um tecido mais fino, com acabamento melhor. Para tentar mudar a visão das brasileiras sobre o produto, foram feitas inúmeras tentativas em vão. A solução partiu sem pretensões da dona Candinha Silveira, esposa de um dos filhos do dono da Bangu. Com a ajuda de amigas da alta sociedade carioca, ela produziu um desfile beneficente. Sem o auxílio de desenhistas e com apenas algumas costureiras, Candinha e Mary Angélica, uma modista uruguaia, uniram algumas estampas e mostraram como o algodão podia ser empregado em modelos muito versáteis e elegantes. Entre eles, o vestido toilette, um sucesso absoluto.

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A passarela, improvisada, foi montada no salão do Copacabana Palace, e senhoras da sociedade carioca apresentaram, em 1951, o que ficou conhecido como “moda algodão”. Após o sucesso, o evento ganhou um calendário fixo e uma estrutura profissional. E então surgiu a ideia: por que não criar um concurso, patrocinado pela Bangu, para promover a elegante e emergente moda brasileira? Assim surgiu o Miss Elegante Bangu, o primeiro de uma série que concursos de beleza que aconteceriam em São Paulo e no Rio de Janeiro, para eleger misses nas mais inusitadas categorias. Entre elas Miss Objetiva (que fotografava melhor), Miss Charm Girl, e até Miss Suéter.

Fundadora & Editora do Costanza Who. Jornalista e produtora de conteúdo sobre moda, beleza e comportamento.

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