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sustentabilidade e consumo consciente

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Os acessórios veganos de Fernanda Canna

Foi a partir de uma dificuldade pessoal que a Fernanda Franco Cannalonga decidiu fundar a marca que carrega parte do seu sobrenome. É que a estilista segue uma dieta vegan e sempre teve dificuldade em encontrar bolsas e outros acessórios que não fossem confeccionados a partir de pele animal – e, como grande parte dos empreendedores costumam fazer, decidiu colocar a mão na massa e criar a Canna.

Canna acessórios veganos

Todos os acessórios da marca, que existe desde 2012, são produzidos de forma artesanal e a partir dos melhores materiais sintéticos produzidos em fábricas na Bahia e no Rio Grande do Sul – uma das exigências da Fernanda é que inclusive a matéria-prima fosse produzida no Brasil.  Também não espere encontrar na Canna as últimas tendências – ela segue um conceito atemporal, com uma linha mais clássica que sofre pequenas alterações de acordo com as coleções e coleções colaborativas desenvolvidas em parcerias com pessoas interessantes.

Uma curiosidade? Hoje é a própria estilista que cuida de absolutamente tudo na Canna – relacionamento com os clientes, redes sociais, vendas do e-commerce e, é claro, toda a criação e contato com fornecedores. E justamente por isso, a Fernanda leva muito em consideração todas as sugestões/críticas que recebe e tenta sempre incorporá-las nas alterações para as próximas coleções.

Canna acessórios veganos

Como você foi parar no mundo da moda?

Comecei a mexer com moda aos 13 anos, na época eu criei uma loja online chamada Violet Shop voltada para o público adolescente em que eu vendia acessórios feitos em casa mesmo. Tive a marca por seis anos, mas quando eu entrei na FASM acabei não tendo mais tempo para manter o projeto. Somado aos estágios, o curso me demandava muito tempo. Mas eu sempre quis ter um negócio próprio e a ideia da Canna surgiu de uma necessidade minha: eu sou vegetariana e tinha dificuldades de encontrar acessórios que tivessem um design legal e fossem totalmente vegan, e imaginei que outras pessoas também encontrassem o mesmo dilema.

Como foi a recepção da Canna no mercado e na mídia?

Foi muito acima do esperado, admito! As pessoas começaram a conhecer a Canna de uma forma muito natural, porque eu não trabalho com nenhum tipo de publicidade, só uso as redes sociais para divulgar. Logo que a Canna nasceu, fui procurada por multimarcas como a Cartel 011, Choix e M.OD com interesse em comercializar nossos acessórios. E logo no primeiro ano minha marca saiu na Vogue e no FFW, isso com certeza ajudou muito a impulsionar o negócio. Em outubro de 2013, também fui convidada para fazer um pré-lançamento da minha segunda coleção durante o SPFW, na loja do FFW.

Por que eu não quero mais ter 21 pra sempre

Admito: embora São Paulo tenha sido a primeira a receber a Forever 21, ainda não tive coragem de pisar por lá. Uma semana após a sua abertura no shopping Morumbi, a espera para entrar na loja não dá sinais de trégua – são no mínimo três horas de fila, das 10hs às 22h em qualquer dia da semana. É óbvio que esse é o principal motivo de eu não ter corrido para adquirir vestidos por 30 reais e blusinhas por menos de 20. Mas foi só nesses últimos dias que percebi que na verdade eu nem estava assim tão animada com a chegada da loja em terras brasileiras.

Veja bem, quando viajo para o exterior a Forever 21 é sempre parada obrigatória no meu roteiro, então estava achando estranho não participar do frenesi que parece ter atingido quase todo mundo que conheço. Até que eu me toquei do porquê: depois de quase um ano da abertura do Costanza Who?, eu tenho visto a indústria da moda por um viés completamente diferente, e de uma forma inconsciente isso afetou a forma como eu tenho consumido moda.

Forever 21Aos poucos eu desisti de renovar minha coleção de malhas da Zara a cada 3 meses porque elas ficam imprestáveis depois de algumas lavagens. Descobri que eu passava muito menor calor com uma blusa de manga longa de linho do que com uma regata de poliéster. E quando eu fui olhar meu guarda-roupa, percebi que da última passada pela Forever 21 (cerca de um ano atrás) não sobrou absolutamente NADA – seja porque a roupa se desfez de tanto usar ou porque ela simplesmente já não combinava com o resto mesmo.

Vou me apropriar do trocadilho que a Juliana Cunha usou numa matéria recente para o blog da Oficina de Estilo para explicar o meu ponto de vista: eu decidi que não é bacana ter 21 pra sempre. É legal ter uma opção viável aqui no Brasil pra consumir aquelas tendências que ficam saturadas em poucas semanas e a Forever 21 vai ajudar naquela história da democratização da moda e tal. Mas viver de fastfashion não deve, ou não deveria ser, o nosso objetivo de vida. Se você já ganha o suficiente pra cobrir seus gastos e ainda sobra um pouquinho para luxos pessoais, por que não tentar investir em peças com maior durabilidade, de tecidos melhores (e portanto mais confortáveis) e inclusive de uma marca nacional, se você estiver no clima de ajudar o crescimento da nossa indústria? E nem precisa zerar a conta bancária pra fazer isso, com um pouco de pesquisa é possível encontrar lojas com preços justos.

A consumidora da Forever 21, diferente do que poderia se esperar, dificilmente será aquela pessoa que realmente não pode gastar mais do que 20 reais numa saia. Não vou nem entrar no mérito de questionar como a marca chega em preços tão baixos (trabalho escravo tá aí gente) e nem falar em sustentabilidade, consumo ecológico ou esse tipo de questão polêmica. O meu ponto é que vestir-se tem que ser um ato mais autêntico e a gente tem que demorar mais do que 5 segundos pra fazer uma compra. O impulso gera aquele problema do barato que sai caro. Porque acredite, vai sair caro pro seu bem-estar e pro seu estilo.

 

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Os bastidores do ateliê da Honey Pie

Ao comprar uma roupa, dificilmente paramos pra pensar nas inúmeras etapas que aquela peça passou durante sua confecção – afinal, fala-se muito pouco desse processo e é quase impossível saber de onde vem determinado tecido ou exatamente onde foram produzidas as tais peças. No entanto, a preocupação do consumidor com aquilo que ele compra tem aumentado nos últimos anos. Assim surgiu o conceito da Honey Pie: exclusividade e transparência.

Por dentro do ateliê da Honey Pie: fachada
Fachada da Maison, espaço mais reservado para receber clientes, realizar eventos e que também abriga o ateliê

Controle sobre a produção

A Honey Pie é uma marca nova no mercado: nasceu em 2010 nas mãos da estilista Alexandra Spallicci, que começou fazendo algumas peças para amigas e conhecidas. O grande diferencial da marca está na preocupação com o processo pelo qual passam as peças: além de concentrar toda a produção dentro da própria Maison, Alexandra optou por trabalhar apenas com tecidos produzidos em terras brasileiras, mesmo que para isso tenha que pagar um pouco a mais. “Trabalhamos com uma grande variedade de tecidos: malhas, couros, sedas… Mas só compramos de empresas que produzam tudo aqui no Brasil. Além disso, não terceirizamos nem importamos de países como a China. Só assim consigo ter total controle sobre o que eu estou comprando, de que não passa por trabalho escravo”, relatou a estilista.

Por dentro do ateliê da Honey Pie: costura
Nada é terceirizado: toda a produção acontece dentro do ateliê
Por dentro do ateliê da Honey Pie: tecidos
Os tecidos são armazenados em temperaturas baixíssimas, que é a melhor forma de conservá-los

Honey Pie: Slow Fashion

As peças são produzidas apenas em pequenas quantidades, prezando pela exclusividade de quem veste a marca. Dessa forma, é possível prestar mais atenção aos detalhes e fazer um acabamento impecável. “Produzimos cerca de 12 peças de um mesmo modelo. É um trabalho quase artesanal”, comenta Alexandra. A grife também não trabalha com o sistema de coleções Verão/Inverno. Novas peças chegam às araras todas as semanas, conforme a demanda. Aliás, lembra que a gente falou aqui de consumo consciente e a sua relação com o nosso momento atual?

Uma curiosidade? A Honey Pie não faz liquidações – nunca! “Alguns consumidores tem dificuldade de entender o nosso preço, acham alto. Só que o custo de manter toda a infraestrutura e trabalhar com profissionais especializados também é alto. Por isso, pra mim não vale a pena produzir modelos pra vender no final da coleção por um terço do preço. Como meus desenhos não seguem tendências, a mesma peça produzida há um ano atrás mantém o valor”.

Por dentro do ateliê da Honey Pie: Alexandra Spallicci estilista
Na mesa da estilista, várias amostras de tecidos e seu inseparável caderno de desenhos, em que ela cria não somente os modelos, mas também as estampas
Por dentro do ateliê da Honey Pie: modelagem
A ficha técnica dos produtos

Na modelagem

Os desenhos da estilista são encaminhados diretamente para a modelista, que literalmente o transformam em realidade. O primeiro passo é construir moldes em papel craft, que auxiliam o profissional na hora de cortar o tecido. É importante também que haja planejamento na distribuição das peças para fazer o corte, de forma a minimizar o desperdício. “A gente procura aproveitar cada pedacinho que sobra. Um retalho pode virar uma gola, um punho ou até mesmo um detalhe pequeno numa peça”, dividiu Alexandra Spallicci.

Por dentro do ateliê da Honey Pie: modelagem
A primeira etapa da modelagem: são criados moldes para cada modelo em papel craft
Por dentro do ateliê da Honey Pie: modelagem
Uma vez prontos, com esses moldes é possível reproduzir qualquer peça sem diferenças significativas

Atendimento personalizado

Dentro da Maison, Alexandra Spallicci ainda recebe algumas clientes fiéis da marca, que preferem escolher suas peças num ambiente mais reservado. Recentemente, a Honey Pie abriu a sua primeira boutique, localizada na Av. Cidade Jardim. A decoração foi feita pela própria estilista, em parceria com sua mãe, Maria Antonietta, e a artista plástica Marat. O jardim, dedicado ao lazer e relaxamento, é um dos espaços preferidos de toda a equipe.

Por dentro do ateliê da Honey Pie
O piso térreo é também utilizado para receber clientes que preferem fazer suas comprar num espaço mais reservado
Por dentro do ateliê da Honey Pie: sala de provas
A sala de provas é ampla e aconchegante, justamente para não apressar a consumidora

∴ info
Av. Cidade Jardim, 662
maisonhoneypie.com.br
@maisonhoneypie

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