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Os sapatos ecológicos e veganos da Insecta Shoes

A Insecta Shoes surgiu de uma parceria que uniu o talento para produção de sapatos de Pam Magpal, 25, que trabalhou em vários estados brasileiros aprendendo as técnicas da produção de calçados, e a experiência na área de comunicação de Babi Mattivy, 28, que tem em seu currículo um estágio no models.com. Com bom gosto de sobra e responsabilidade social, as duas gaúchas fundaram uma marca de sapatos ecofriendly e 100% exclusivos.

Os calçados produzidos pela Insecta não usam nenhum tipo de materia de animal, e reaproveitamento é a palavra de ordem. Foi a partir de peças de roupa antigas de Babi, na época dona do brechó online Urban Vintage, que surgiram os primeiros modelos. Chelsea boots, oxfords e cutout oxfords receberam estampas tropicais, capazes de alegrar e diferenciar qualquer look.

Insecta Shoes sapatos veganos

Como vocês foram parar no mundo da moda?

Pam – Bom, eu definitivamente fui parar sem querer e até hoje me questiono se sou de fato do mundo da moda. A ideia era fazer artes ou biologia, mas a gente entra muito novo na faculdade. Acabei não gostando e resolvi cursar moda por curiosidade e lá descobri minha paixão por materializar as ideias, cortes e ver as cores tomando forma. A faculdade não era muito boa mas os professores foram mestres em abrir minha cabeça para poder explorar mais o assunto.

Babi – Eu me formei em marketing em 2007, sempre gostei muito de comunicação mas me achava muito perdida no mundo corporativo, pra mim tudo aquilo era muito careta. Sempre tive um estilo mais diferente e estive em contato com a moda, pois minha mãe é representante comercial de têxtil. Logo depois que me formei comecei a me interessar mais e mais pelo assunto e resolvi me mudar pra Milão pra cursar uma pós em Comunicação de Moda. Desde então não teve mais volta. Mas minha expertise sempre foi na área de comunicação – não tenho talento pra design. Já trabalhei em revistas, com marketing de conteúdo para marcas e agora gerencio a minha própria.

E a trajetória profissional até criar a Insecta Shoes? 

Pam – Terminei a faculdade em 2008 já decidida que eu queria sapatos – fiz o TCC já sobre sapatos ecológicos e aí não parei mais. Morei em Franca, SP, São João Batista, SC, Novo Hamburgo,RS. Acho que montei e desmontei casa umas 6 vezes em um período de 2 anos… Enfim, uma série de desastres, boas histórias, risadas e aprendizado. Tem hora que acho que tinha tudo pra desistir, mas coloquei na cabeça que era aquilo que eu queria e fui fazendo a trajetória do setor calçadista pra aprender melhor as técnicas de modelagem, sobre o mercado. Trabalhei como assistente de estilo de calçados em algumas empresas, experiências que com certeza me deram segurança e know-how pra abrir minha própria marca.

Insecta Shoes sapatos veganos

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Babi – Em  Milão criei meu primeiro blog de moda e por lá tive a oportunidade de ir a desfiles da fashion week, conhecer profissionais do mercado – inclusive a Anna Dello Russo foi dar uma palestra no nosso curso uma vez. Foi bem bacana como experiência. Esse blog me abriu várias portas e fui estagiar em NY, no site models.com. Depois disso me mudei pra Londres e trabalhei na Amelia’s Magazine e na rádio da Diesel, marca de jeans.

Como foi o processo de criação da Insecta? Trabalharam sozinhas ou tiveram outras colaborações? E como surgiu o conceito?

Pam – Foi um teste de parceria a principio, eu com os sapatos e a Babi com as roupas vintages, e de cara deu certo em todas as questões – pessoais, profissionais, visuais… Como as duas trabalhavam sozinhas acho que a gente sentia essa necessidade de ter alguém pra compartilhar, a soma foi super positiva e resolvemos unir as duas marcas e os dois conceitos, tudo misturado. Sim, com colaborações de muitas outra cabecitchas amigas, e aí virou uma terceira coisa que é a Insecta!

Babi – Eu tinha um brechó online, chamado Urban Vintagers, e a Pam tinha a marca de sapatos dela. Surgiu a ideia de fazermos uma parceria entre as marcas, e eu tinha umas peças de roupas tamanho extra grande, com estampas lindas, que acabei nunca ajustando. Aproveitamos essas peças pra transformar tudo em sapato e a receptividade foi ótima. Nisso eu já estava com mudança marcada pro Canadá (moro em Toronto), e precisaria encontrar alguém pra me ajudar a tocar o business no Brasil. E a Pam manja super de produção, mas precisava de alguém com experiência em comunicação e online pra fazer a ideia voar. Então super nos encontramos e nos completamos, foi bem ótimo.

Insecta Shoes sapatos veganos

Qual o diferencial do trabalho da Insecta Shoes? 

Pam – Acho que não é uma busca nossa de precisarmos ser diferentes, e isso ou aquilo vai nos destacar dos demais e afins. Acho que tem espaço pra todo mundo e cada um escreve a sua história e talvez por casualidade exatamente isso nos torne diferentes. Onde tá todo mundo sempre brigando por destaque (isso em qualquer setor), às vezes esquecem que as menores coisas é que vão fazer a diferença, então buscamos ser sinceras e criativas com o que a gente acredita e acredita ser bacana de fazer e compartilhar.

Babi – A gente tenta fazer tudo com muita responsabilidade social, com muita consciência ambiental, reaproveitando ao máximo toda matéria prima, e sempre com muito penso no design e branding. Nossos sapatos são exclusivos e nossa ideia é única, acho que a união de tudo isso super reflete no nosso produto.

 

*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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Os acessórios veganos de Fernanda Canna

Foi a partir de uma dificuldade pessoal que a Fernanda Franco Cannalonga decidiu fundar a marca que carrega parte do seu sobrenome. É que a estilista segue uma dieta vegan e sempre teve dificuldade em encontrar bolsas e outros acessórios que não fossem confeccionados a partir de pele animal – e, como grande parte dos empreendedores costumam fazer, decidiu colocar a mão na massa e criar a Canna.

Canna acessórios veganos

Todos os acessórios da marca, que existe desde 2012, são produzidos de forma artesanal e a partir dos melhores materiais sintéticos produzidos em fábricas na Bahia e no Rio Grande do Sul – uma das exigências da Fernanda é que inclusive a matéria-prima fosse produzida no Brasil.  Também não espere encontrar na Canna as últimas tendências – ela segue um conceito atemporal, com uma linha mais clássica que sofre pequenas alterações de acordo com as coleções e coleções colaborativas desenvolvidas em parcerias com pessoas interessantes.

Uma curiosidade? Hoje é a própria estilista que cuida de absolutamente tudo na Canna – relacionamento com os clientes, redes sociais, vendas do e-commerce e, é claro, toda a criação e contato com fornecedores. E justamente por isso, a Fernanda leva muito em consideração todas as sugestões/críticas que recebe e tenta sempre incorporá-las nas alterações para as próximas coleções.

Canna acessórios veganos

Como você foi parar no mundo da moda?

Comecei a mexer com moda aos 13 anos, na época eu criei uma loja online chamada Violet Shop voltada para o público adolescente em que eu vendia acessórios feitos em casa mesmo. Tive a marca por seis anos, mas quando eu entrei na FASM acabei não tendo mais tempo para manter o projeto. Somado aos estágios, o curso me demandava muito tempo. Mas eu sempre quis ter um negócio próprio e a ideia da Canna surgiu de uma necessidade minha: eu sou vegetariana e tinha dificuldades de encontrar acessórios que tivessem um design legal e fossem totalmente vegan, e imaginei que outras pessoas também encontrassem o mesmo dilema.

Como foi a recepção da Canna no mercado e na mídia?

Foi muito acima do esperado, admito! As pessoas começaram a conhecer a Canna de uma forma muito natural, porque eu não trabalho com nenhum tipo de publicidade, só uso as redes sociais para divulgar. Logo que a Canna nasceu, fui procurada por multimarcas como a Cartel 011, Choix e M.OD com interesse em comercializar nossos acessórios. E logo no primeiro ano minha marca saiu na Vogue e no FFW, isso com certeza ajudou muito a impulsionar o negócio. Em outubro de 2013, também fui convidada para fazer um pré-lançamento da minha segunda coleção durante o SPFW, na loja do FFW.

 

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Por que eu não quero mais ter 21 pra sempre

Admito: embora minha cidade tenha sido a primeira a receber a Forever 21, ainda não tive coragem de pisar por lá. Uma semana após a sua abertura no shopping Morumbi, a espera para entrar na loja não dá sinais de trégua – são no mínimo três horas de fila, das 10hs às 22h em qualquer dia da semana. É óbvio que esse é o principal motivo de eu não ter corrido para adquirir vestidos por 30 reais e blusinhas por menos de 20. Mas foi só nesses últimos dias que percebi que na verdade eu nem estava assim tão animada com a chegada da loja em terras brasileiras.

Veja bem, quando viajo para o exterior a Forever 21 é sempre parada obrigatória no meu roteiro, então estava achando estranho não participar do frenesi que parece ter atingido quase todo mundo que conheço. Até que eu me toquei do porquê: depois de quase um ano da abertura do Costanza Who?, eu tenho visto a indústria da moda por um viés completamente diferente, e de uma forma inconsciente isso afetou a forma como eu tenho consumido moda.

Forever 21 Aos poucos eu desisti de renovar minha coleção de malhas da Zara a cada 3 meses porque elas ficam imprestáveis depois de algumas lavagens. Descobri que eu passava muito menor calor com uma blusa de manga longa de linho do que com uma regata de poliéster. E quando eu fui olhar meu guarda-roupa, percebi que da última passada pela Forever 21 (cerca de um ano atrás) não sobrou absolutamente NADA – seja porque a roupa se desfez de tanto usar ou porque ela simplesmente já não combinava com o resto mesmo.

Vou me apropriar do trocadilho que a Juliana Cunha usou numa matéria recente para o blog da Oficina de Estilo para explicar o meu ponto de vista: eu decidi que não é bacana ter 21 pra sempre. É legal ter uma opção viável aqui no Brasil pra consumir aquelas tendências que ficam saturadas em poucas semanas e a Forever 21 vai ajudar naquela história da democratização da moda e tal. Mas viver de fastfashion não deve, ou não deveria ser, o nosso objetivo de vida. Se você já ganha o suficiente pra cobrir seus gastos e ainda sobra um pouquinho para luxos pessoais, por que não tentar investir em peças com maior durabilidade, de tecidos melhores (e portanto mais confortáveis) e inclusive de uma marca nacional, se você estiver no clima de ajudar o crescimento da nossa indústria? E nem precisa zerar a conta bancária pra fazer isso, com um pouco de pesquisa é possível encontrar lojas com preços justos.

A consumidora da Forever 21, diferente do que poderia se esperar, dificilmente será aquela pessoa que realmente não pode gastar mais do que 20 reais numa saia. Não vou nem entrar no mérito de questionar como a marca chega em preços tão baixos (trabalho escravo tá aí gente) e nem falar em sustentabilidade, consumo ecológico ou esse tipo de questão polêmica. O meu ponto é que vestir-se tem que ser um ato mais autêntico e a gente tem que demorar mais do que 5 segundos pra fazer uma compra. O impulso gera aquele problema do barato que sai caro. Porque acredite, vai sair caro pro seu bem-estar e pro seu estilo.