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Os últimos passos e a história da Melissa

A história da Melissa começa há 35 anos, Pedro Grendene Bartelle, dono de uma fábrica que produzia embalagens plásticas para garrafões de vinho, achou que seria interessante criar sapatos de plástico. Por mais estranha que a ideia parecesse, ele se inspirou nas sandálias de pescadores da Riviera para criar o que viraria o hit do ano. Em 10 meses, foram vendidos 5 milhões de pares do modelo Melissa Aranha. Frente a esse sucesso, a marca decidiu investir na criação de novos modelos e nunca mais parou de inovar.

A história da Melissa e sua campanha de verão 2016, inspirada no lifestyle do rio de janeiro

Campanha da coleção de Verão 2016 da Melissa, inspirada no Rio de Janeiro e no lifestyle carioca

A história da Melissa pelo mundo

Depois de conquistar o Brasil, a marca da empresa Grendene começou a investir na internacionalização no nome Melissa. De lá pra cá, foram mais de 20 parcerias muito bem-sucedidas com nomes celebres da moda, design, música e celebridades. No começo, além de Jean Paul Gaultier, Patrick Cox e Thierry Mugler também fizeram criações que chamaram a atenção por sua inovação e ousadia. Em 2004, começou a duradoura e bem sucedida parceria com os renomados Irmãos Campana.

Em mais de 30 anos de existência, a Melissa fabricou mais de 32 milhões de pares na última década e atualmente é vendida em mais de 50 países. Os templos da moda mundial se rendem a Melissa com seu inconfundível design em plástico e consagram a marca como objeto de desejo.

Tecnologia

A Melissa se tornou uma das principais responsáveis pela valorização de plástico no mundo da moda. Seu principal desafio é aliar tecnologia de ponta ao design, dando aos seus produtos novas formas, cores e acabamentos. Hoje, a marca utiliza o Melflex em sua fabricação.

A história da Melissa e a sua galeria / flagship na Oscar Freire, em São Paulo

Fachada da flagship da Melissa na Oscar Freire, em SP, que já se tornou ponto turístico pelo design inovador e também pelas várias exposições que abriga

Oferecendo experiências sensoriais no plástico, tão importante quanto o design é o cheiro que os sapatos carregam. A Grendene se recusa a compartilhar a fórmula do cheirinho que mistura chiclete, jujuba e pirulito, mas, em 2009, para comemorar seus 30 anos, a Melissa lançou um perfume com a mesma fragrância que logo traz a marca a nossa cabeça.

As galerias Melissa

Ano passado, como celebração dos seus 35 anos, a marca anunciou a criação de sua quarta galeria, na Ásia. Esse espaço é usado para apresentar produtos e parcerias com exclusividade, lançar coleções especiais e abrigar exposições com os mesmos temas que inspiram a criação desses calçados: design, fotografia, moda, beleza e tecnologia.

A Galeria Melissa de SP, projetada por Muti Randolph em 2005, revolucionou o conceito de flagship store. Em 2012, foi o ano de apostar na expansão e inaugurar a primeira Galeria Melissa fora do Brasil: NY. Instalada no histórico e badalado bairro do Soho, a Galeria Melissa NY, é a concretização de um desafio: criar um espaço introspectivo que contrastasse com o cenário agitado e super urbano de Nova York. E, em 2014, em Londres.

A história da Melissa e a sua galeria / flagship em Nova York

Primeira fora do Brasil dentro da história da Melissa, a galeria no SoHo, em NY, tem tudo a ver com o mood contemporâneo da cidade

E é nesse ritmo que a marca vem crescendo como queridinha das fashionistas, que adoram misturar o design ao mesmo tempo pesado e delicado dos modelos.

 

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A história do SPFW e o crescimento da moda brasileira

Prestes a comemorar 20 anos na sua 40ª edição, o São Paulo Fashion Week é a principal semana de moda do Brasil e a 5ª mais importante do mundo, ficando só atrás de Paris, NY, Londres e Milão. Foi na metade dos anos 90, com o surgimento do Morumbi Fashion, que o evento começou a traçar sua história.

Na época, o mercado da moda começava a sofrer grandes mudanças. Gloria Coelho, Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga: os novos designers apresentavam um trabalho bem mais autoral do que a geração anterior, marcada por costureiros acostumados a vestir as classes altas. Ali, a roupa passou a ganhar destaque e ser vista como forma de expressão e criatividade.

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Cenografia da entrada da 38ª edição do SPFW (Foto: Agência Fotosite)

 

Pioneirismo: Cristiana Arcangeli e o Phytoervas Fashion

Se a moda fazia sucesso, o universo da beleza não ficava atrás e assim, em uma união desses dois mundos, em 1993 nasceu o Phytoervas Fashion – patrocinado pela empresa de xampus da própria fundadora do evento, Cristiana Arcangeli.

Na época, a empresária declarou que sua única intenção com o evento em divulgar a sua empresa. É também nesse momento que Paulo Borges começa a traçar sua carreira, ainda como um jovem iniciante naquele mercado. Cristina logo percebeu o seu talento e, assim, a empresária propôs que ele pensasse em um evento para divulgar os jovens talentos que vestiam as modelos do concurso.

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Backstage da 38ªa edição do SPFW (Foto: Costanza Who)

Em fevereiro de 1994, acontecia a primeira edição do Phytoervas, com três desfiles divididos três dias: Walter Rodrigues, Sonia Maalouli e Alexandre Herchcovitch, em ordem de exibição. Com uma turma empenhada, a preocupação era mais na moda e menos na mídia. 

Morumbi Fashion pré-SPFW: a concorrência

Em sua sexta edição, em 1996, o evento começa a perder o fôlego e encontrou um concorrente, o MorumbiFashion Brasil, sob comando de ninguém menos que o próprio Paulo Borges. Com ainda mais tino para o negócio, o produtor mudou sua estratégia: se antes a ideia era apresentar os novos estilistas, agora o foco era estabelecer uma semana de moda com estilistas profissionais e que perderam espaço no Phytoervas.

O clima era cada vez mais competitivo entre os dois eventos e Paulo Borges decretou: quem trabalhasse no Morumbi não poderia trabalhar para o outro. Nos anos 2000, o evento da marca de cosméticos, que a essa altura já tinha virado premiação, encerrou sua carreira deixando um saldo mais que positivo para a moda brasileira. Os estilistas descobertos ali eram quase todos integrantes do time da futura SPFW, que assumiu o nome atual em 2001, marcando de fato o nascimento da semana de moda como a conhecemos hoje.

Com a visão de Paulo Borges, o Brasil passou a ter um calendário de moda oficial e a fazer parte de um mercado internacional, ampliando as fronteiras do país. Além disso, a SPFW foi determinante para o desenvolvimento econômico e industrial do setor, outrora tão precário, e para a profissionalização de estilistas, produtores e toda a cadeia produtiva do mercado de moda.

A história do SPFW não é linear – foram altos e baixos, mudanças de nome e de diretriz. Sempre sob o comando do dedicado e competente Paulo Borges, hoje o Brasil tem a principal semana de moda da América Latina e uma das principais do mundo. E a gente aposta que ainda vem muito mais pela frente.

*Por Alexia Chlamtac, em colaboração ao Costanza Who

 

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As garotas de Alceu Penna

Alceu Penna teve um importante papel na construção da identidade da moda brasileira da forma como a conhecemos hoje. Antes dele começar a ilustrar as colunas na revista O Cruzeiro, as publicações do país não se preocupavam com a representatividade da moda nacional, trazendo apenas o que se via lá fora para suas páginas. No entanto, através de seus desenhos Alceu pode adaptar o modo de vestir das estrangeiras para a realidade do Brasil, começando assim a traçar as primeiras características que viriam a ser identificadas como parte da identidade brasileira.

Considerado um artista gráfico versátil, Alceu Penna atuou em diversas áreas, desde criação de capas para revistas, elaboração de cenários e figurinos para cinema, teatro e TV, até desenhos para o público infantil e fantasias para escolas de samba. Mas seria através da coluna “Garotas”, veiculada durante 28 anos na revista O Cruzeiro, que o ilustrador ganharia visibilidade e reconhecimento.

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Publicação da coluna “Garotas” na revista O Cruzeiro, a principal revista ilustrada brasileira da primeira metade do século XX.

Inspiradas pelas Gibson Girls, as Pin-ups do The Saturday Evening Post, as figuras femininas de “Garotas” expressavam a vida moderna no país. A coluna, que trazia mocinhas vestidas com as últimas tendências conversando sobre os assuntos mais variados, ditou modas e costumes, influenciando diretamente o comportamento da geração de homens e mulheres da época. Através de suas garotas, Alceu Penna disseminou novos hábitos para as moças da época, que agora eram mais modernas e urbanas. Além disso, a coluna também refletia ideais ligados ao contexto político-social vivido no Brasil.

Nesse período, ainda não se colocava em questão uma moda nacional, uma vez que a indústria têxtil do país era gerenciada por empresários mais preocupados em garantir sua sobrevivências do que na busca por uma moda com expressão nacional. As elites consumidoras de moda ainda consideravam sinônimo de elegância vestir-se nos moldes da Alta Costura francesa. Assim, as revistas brasileiras se conservavam a apenas apresentar e descrever as novidades da moda internacional.

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As garotas de Alceu eram ousadas e destoavam do comportamento conservador da época, incentivando o empoderamento das mulheres.

A partir da década de 30, com a viagem de Alceu Penna para Estados Unidos, seu olhar se afina para as peculiaridades de sua terra natal, e isso reflete em sua coluna. Antes da viagem, a coluna intitulada “Álbum de fantasias de O Cruzeiro” trazia ideias de fantasias inspiradas nos trajes típicos de países estrangeiros. Após seu retorno, as fantasias inspiradas no Carnaval veneziano dividem espaço com elementos de nossa cultura, como o malandro e a baiana. Mas esse movimento não acontece apenas nas fantasias: aos poucos, o ilustrador começa a apresentar uma moda com características nacionais. Em um primeiro momento, adaptada ao clima tropical, e posteriormente à matéria prima têxtil nacional, como o algodão.

Alceu Penna também causa mudanças no comportamento da mulher brasileira. Apesar de O Cruzeiro ser uma revista de variedades voltada para as famílias conservadoras, a coluna “Garotas” não se enquadrava no padrão de comportamento feminino da época. Eram moças de família, que sonhavam com o casamento, mantinham boa aparência e respeitavam os mais velhos, mas às vezes escapavam de certos padrões e brincavam com a imagem do papel da mulher. Elas tomavam a inciativa na conquista, usavam roupas mais curtas e iam a bailes desacompanhadas. As “Garotas” eram confiantes e irresistíveis, e dessa forma contribuíram para a emancipação de alguns comportamentos das moças do período.

Naquele momento, o Rio de Janeiro era visto como centro cultural e modelo de progresso diante do restante do país. Assim, as mocinhas criadas por Alceu Penna eram retratadas em cenários que faziam parte do cotidiano da elite da cidade junto com seus modismos e trejeitos. Como O Cruzeiro era uma revista de alcance nacional, o estilo de vida carioca se espalhou para todo o país, tornando-se objdesejo de todos. A praia era um popular ponto de encontro da juventude da época, e não seria diferente para as  “Garotas”, que eram frequentemente ilustradas no cenário. Com a exposição do corpo ao sol, a pele bronzeada e o corpo esbelto se tornaram o ideal de beleza vigente do período, associado ao Rio de Janeiro.

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Referência de estilo, as garotas de Alceu vendiam o lifestyle brasileiro, muito associado ao Rio de Janeiro.

As “Garotas” de Alceu ganharam tanto de destaque que começaram a sair do papel para se tornarem de carne e osso, uma vez que suas atitudes eram copiadas pelas jovens da época. Não só isso: os figurinos criados para suas bonecas também eram levados para as costureiras a fim de serem reproduzidos. As moças desejavam ser uma das tais “Garotas” e os rapazes sonhavam em se casar com uma delas. Em conjunto com sua colaboração para a moda brasileira, o ilustrador abriu espaço para uma nova figura feminina emergir.

Aprofunde a sua pesquisa:

Site: www.alceupenna.com.br

Livro: Alceu Penna e as Garotas do Brasil, por Gonçalo Junior (Editora Manole)

Livro: Vamos, garotas! Alceu Penna, por Gabriela Penna (Editora Annablume)

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

 

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