Tag

mais-lidos

Browsing

Profissão Blogueira: Van Duarte, a nova integrante do F*Hits

Vamos falar sobre blogs? Enquanto eu estava ensaiando a volta do Costanza Who e buscando novas referências do que está sendo produzido de mais de legal em termos de conteúdo de moda na internet, pensei muito sobre o que faz com que algumas pessoas tenham “sucesso” nesse mercado super saturado de blogs de moda. Então, para dar o pontapé inicial dessa nova fase do CW, decidi conversar com algumas meninas que estão por aqui na blogosfera já há alguns (vários) anos para descobrir como elas enxergam essa profissão hoje e o que elas têm de mais especial.

Van Duarte blogueira FHits 3

A primeira convidada foi a Van Duarte, que tive o prazer de conhecer lá em 2013 quando nós duas ainda estávamos começando a trilhar nosso caminho pelo mundo da moda. Entre todas as pessoas que conheço daquela época, ela é uma das únicas que não desistiu no meio do caminho e, desde então, não para de crescer. Não é à toa: ainda me lembro que, em época de SPFW, ela era uma das primeiras a chegar e das últimas a ir embora, sempre empenhada em criar conteúdo com melhor qualidade possível. De longe, uma das meninas mais dedicadas que eu já conheci!

De lá para cá, ela fechou parcerias com clientes importantes como Amaro, Chevrolet e Shoulder. Não foi nenhuma surpresa, então, quando ela me contou ano passado que tinha sido convidada pela Alice Ferraz a fazer parte do F*Hits. Se tem alguém que merece reconhecimento pelo seu trabalho, é a Van! `Às perguntas:

Quando e por que você decidiu criar o blog? Quais eram as suas expectativas?

O blog não nasceu por hobby. Ele nasceu como portfólio do meu trabalho de consultoria pessoal e chamar atenção das clientes, ser “ser blogueira” e viver disso era um cenário que não passava pela minha cabeça. Até que eu comecei a entender que escrever no blog poderia ser uma forma de fazer a consultoria, só que para um número muito maior de pessoas. O amor foi crescendo, as seguidoras do Instagram (que na época eram muito poucas) começaram a pedir looks meus ao invés de produções do Pinterest, e foi então que comecei a fazer a seção Como Usar, com looks produzidos por mim. O blog foi tomando uma proporção grande, até que tive que largar a consultoria para me dedicar 100% a ele. O meu objetivo sempre foi ser reconhecida, tanto por leitoras quanto pelo mercado e clientes, como uma profissional séria, conseguir viver bem disso e ajudar as mulheres a ter uma imagem melhor, serem mais fortes e confiantes. Em momento nenhum pensei em “ser a maior” ou a “mais famosa”, essa nunca foi a meta.

Van Duarte blogueira FHits 3

Como foi a transição de abandonar uma carreira mais tradicional para se dedicar ao blog?

Trabalhei sete anos com de treinamento e desenvolvimento de pessoas, varejo de moda e branding. Depois formada, eu tinha um pouco de tempo livre e comecei a pegar gosto por estudar e aprender mais sobre moda, mesmo estando na área de consultoria de negócios – que eu adorava, porém faltava algo. Aos 25 anos, larguei tudo, fui estudar consultoria de imagem, alguns cursos de moda e MUITOS LIVROS! Fiz uma imersão mesmo e dediquei 100% do meu tempo para isso. Passei dois anos entre o processo de estabilizar o meu negócio, o que foi complicado e talvez tenha sido um erro do ponto de vista de segurança e estabilidade financeira, mas acredito que faz parte, encarei como uma startup, investimento de tempo e dinheiro.

Quais foram as primeiras grandes parcerias que você fechou? Quais te marcaram mais?

Tive duas logo no começo que me marcaram e foram super importantes para mim: a Vida Bela, que desde o começo eu pegava looks e postava para gerar conteúdo, como parceria mesmo, e a extinta Olook, que foram os primeiros posts pagos. Uma marca que me emociono a cada conquista – tanto minha quanto deles, que não param de crescer – foi a AMARO. Sou cliente desde os primeiros dias e, quando rolou a parceria de um jeito muito natural, fiquei honrada por uma marca, que já era grande e super tecnológica, ver valor em uma blogger pequena, porém que investia em conteúdo. Somos parceiros até hoje, é uma que tenho muito orgulho. A Shoulder veio com memória afetiva, pois levava todas as minhas clientes de consultoria para comprar na loja. Outra parceria que tenho muito apreço e que me marcou demais foi a Chevrolet, uma marca que tem um carinho e respeito com tudo o que faz, me proporcionou experiências incríveis e acreditou muito no meu trabalho.

Como aconteciam esses primeiros contatos com as marcas, você fazia um trabalho ativo de prospecção?

Na verdade não, sempre achei que precisava ser e estar num momento melhor para abordar as marcas que eu queria trabalhar e que estavam no meu plano de metas – sim, eu sei com quais marcas quero trabalhar e traço estratégias para isso! Portanto, esperava um bom momento para abordar as marcas, seja um evento especial como a SPFW por exemplo, ou mesmo não chamava. Muitas marcas eu esperei para fazer contato e o contato acabou acontecendo pela própria marca, no momento em que ela me descobriu. Houve sim um trabalho de prospecção ativo, mas foi mínimo, quase nulo, e quando acontecia eu não obtinha muito retorno porque era pequena e falava de consultoria. Há 4 anos isso não era tão bacana quanto hoje, as pessoas não gostavam de dar dicas sobre os looks. A minha preocupação no início era me posicionar em relação a geração de conteúdo de qualidade, passei muito tempo fazendo posts, indo a eventos, entrando mesmo no mercado.

Por que você acha que conseguiu ter sucesso entre milhares de meninas tentando fazer o mesmo?

Acho que a palavra certa seja reconhecimento ao invés de sucesso e acredito que esse destaque veio aos poucos, eu tive que mostrar para o mercado por que era bacana mostrar um como usar ao invés de um look lindo que eu gosto e ponto final. Hoje eu entrego um trabalho completo, o atendimento a cliente em loja, a mídia e visibilidade para o Instagram e a venda do produto no site com post no blog. Para as marcas é um projeto muito vantajoso e para as leitoras é um serviço gratuito de consultoria, é o reforço da forma como consumimos atualmente, com propósito. Queremos saber como estamos gastando o nosso dinheiro, se está sendo bem gasto, se combina com tudo temos em casa, e eu abordo tudo isso. É árduo, exige muito mais, mas é o que sei fazer e talvez não saberia fazer de outra forma.

Van Duarte blogueira FHits 3

Tem algum tipo de job/parceria que você nunca faria?

É clichê, mas eu pratico: aquilo que não me representa, ou não acredito. Tanto no produto, quanto às vezes no momento do cliente. Por exemplo, teve uma marca me procurou para divulgar o Instagram deles, só que essa mídia estava parada por um tempo porque o produto era sazonal aqui no sudeste e isso era recorrente. Então precisei recusar e explicar que não adiantaria eu divulgar e falar que o produto é bom se o leitor entra e não encontra coerência na timeline da marca, não segue, não compra e a própria não teria o retorno desejado. Isso não é bom pra eles e nem pra mim, então é preciso sempre colocar o olhar de negócios e avaliar o todo antes de aceitar por aceitar um trabalho.

Como é o seu dia-a-dia hoje? Ou uma semana típica?

Corrida, rs. Faço planejamento de posts e fotos, tento sempre ter dias inteiros em home office e dias externos para poder render mais, porém nem sempre é possível. Muitos eventos em horários loucos, manhã, tarde ou noite e trabalho todo o tempo, afinal os horários de pico no Instagram são horários que estaríamos descansando, almoçando, etc. Porém, confesso que adoro essa loucura e poder organizar a minha agenda como eu preciso, até para tirar um tempinho para estética, médicos, essas coisas.

Antes, o blog era o principal veículo de anúncio e de conteúdo para as leitoras. Continua assim ou as suas redes sociais já ultrapassaram em termos de importância?

Eu sou bem equilibrada, claro que estamos em uma fase em que o Instagram é febre, porém acredito muito no blog e poder de atemporalidade do conteúdo. O Youtube é forte e devo voltar também, mas procuro sempre ter um refúgio para que a leitora possa ler mais detalhes, saber mais, ter um espaço mais amplo de conteúdo mesmo. Afinal como diria minha mentora Alice Ferraz, blogueira tem que ter blog!

Você já pensou ou teve vontade de desistir? O que te fez mudar de ideia e persistir?

Tive muitos momentos de baixa, talvez dúvidas mas nunca uma motivação forte para desistir. Sempre tive certeza que ia dar certo – na verdade ainda tenho porque não cheguei, sempre vai faltar um degrau, tenho muito que aprender e crescer ainda. O que me fez não desistir foi acreditar no meu trabalho e no que faço, na certeza de que isso é que me faz feliz e me motiva a levantar todos os dias e seguir em frente. O que tem de errado no mercado, as cópias e as passadas de perna, são apenas degraus para deixar a gente mais forte e mais preparado para o próximo passo. Acreditar em nós mesmos e saber se é isso mesmo que você quer é o essencial.

∴ van duarte
acesse o blog
instagram

Francisco Costa, o brasileiro que foi diretor criativo da Calvin Klein por 14 anos

Foi em 2002, ao assumir a direção criativa da linha feminina da Calvin Klein Collection, que o brasileiro Francisco Costa viu seu nome ficar conhecido do dia para a noite. Isso até que, em abril do ano passado, ele abalou a indústria ao anunciar sua saída do cargo. Segundo Steve Shiffman, chefe executivo da Calvin Klein, “essa estratégia criativa marca o começo de outro significante capítulo no legado da Calvin Klein desde que o senhor Klein se aposentou”. Essa decisão já faz um ano e, desde então, ele ainda não sabe muito bem quais serão seus próximos passos, mas já afirmou em entrevistas que devem ser por aqui no Brasil.

Francisco Costa Calvin Klein
Francisco Costa foi primeiro brasileiro a comandar a direção criativa de uma das grifes mais bem renomadas no mundo

Francisco Costa: o começo de tudo

Francisco Costa nasceu em 1964, em Guarani, Minas Gerais. Sua mãe, Maria Francisca, era dona de uma fábrica de roupas infantis, e seu pai, Jacy Neves da Costa, administrava um pequeno rancho. Graças ao trabalho da mãe, o estilista teve esse contato próximo com a moda e seu lado criativo bem cedo e já era conhecido em sua cidade por fazer desfiles de caridade junto com a empresa da família.

Após a morte de sua mãe, em 1985, Costa e um amigo foram passar 20 dias de férias em Nova York e decidiram não voltar. Aos 21 anos, Francisco não sabia nada de inglês e, por isso, começou a estudar a língua na Hunter College e teve aulas de moda à noite, no Fashion Institute of Technology (FIT) – onde, após competir com 14 candidatos, conseguiu uma bolsa.

A trajetória na carreira

A sua carreira cresceu de uma forma orgânica. Foi na FIT que Francisco Costa conheceu Herbert Rounick, que atuava em uma empresa terceirizada que produzia roupas para a Oscar de La Renta, e começou a trabalhar com isso. Mais tarde, ele foi contratado pelo próprio estilista, que considera seu primeiro grande mentor. Anos depois, Francisco também atuou como assistente de Tom Ford, na Gucci.

Francisco Costa Calvin Klein
Oscar de la Renta e Gucci foram algumas das grifes pelas quais o estilista passou antes de aterrissar na Calvin Klein

Antes de Francisco Costa fazer a grande mudança de sua carreira, ele chegou a negar um primeiro convite da Calvin Klein por não sentir firmeza na época e achar tudo muito minimal por lá. Em 2003, o mineiro entrou de fato para cuidar da linha feminina e se tornou o primeiro brasileiro a comandar a direção criativa de uma das grifes mais bem-sucedidas da moda mundial.

Enfim, na Calvin Klein

Costa ficou na grife por 14 anos, período em que teve um grande crescimento profissional e pessoal. O estilista formou uma rede de amigos de causar inveja em qualquer pessoa, de Scarlett Johansson a Anna Wintour. Além disso, vestiu grandes nomes como Brie Larson, Jennifer Lawrence, Emma Stone e Diane Kruger.

Entre suas conquistas profissionais, Costa é o único estilista a ganhar dois troféus do prêmio do CFDA (considerado o Oscar da Moda!), o de Melhor Estilista Feminino, em 2006 e 2008. Seu trabalho ficou conhecido pelas linhas retas e minimalistas, pelas incansáveis pesquisas de materiais e texturas e pelo extremo bom gosto. Uma de suas peças mais marcantes é o vestido que Lupita Nyong’o usou no Oscar de 2015, feito com mais de seis mil pérolas.

Francisco Costa Calvin Klein
Lupita Nyong’o veste Calvin Klein no Oscar de 2014

E agora?

Justamente por ter passado grande parte da sua vida morando fora, Francisco decidiu passar pelo algum no Brasil Antes de tomar qualquer decisão sobre o que vem a seguir. Ele não nega a possibilidade de ter uma marca com seu nome, mas ainda não anunciou quais serão seus próximos passos. Em entrevista recente com Pedro Bial, ele contou que está cada vez mais apaixonado pelo seu país natal e seus abundantes recursos naturais. O filho pródigo volta à casa – e com certeza vem coisa boa pela frente!

WGSN aposta: quatro macrotendências para 2018

Tem muita gente estudando o que será tendência em 2018, por mais distante que a data possa parecer. Os chamados coolhunters são aqueles que sabem o que a gente vai querer nos próximos um, dois, cinco anos. E uma das áreas mais interessante é aquela que pesquisa as macrotendências, que nada mais são do que hábitos e comportamentos que influenciam a nossa forma de consumir. E, com essa informação valiosa em mãos, fica muito mais fácil para as marcas entender o que precisa ser produzido para atender essa demanda.

Pois a WGSN, uma das principais autoridades em tendências das indústrias da moda e criativa, apresenta o resultado de meses de pesquisas para uma lista restrita de convidados todo início de SPFW. O evento, que já está na sua 25ª edição, aconteceu nessa terça-feira e adiantou quais são as mudanças de valores e conhecimentos que vão afetar nossa forma de pensar, relacionar e, em última instância, comprar nos próximos dois anos.

wgsn tendências 2018 vida terrena

Vida Terrena

Estamos cada vez mais presos a uma tela, seja ela do celular, do computador ou da televisão, e dependentes da tecnologia. Para reverter essa situação, há uma crescente busca pelo contato com a natureza. Um estudo recente mostra que 67% das pessoas com menos de 25 anos no Reino Unido não sabem ler um mapa. As pessoas querem ser autossuficientes, e começam a investir em cursos de costura, marcenaria e até mesmo sobrevivência na selva. A ciência também passa a assumir uma posição cool e ganha um grande número de admiradores especialmente entra a chamada geração Z.

Começamos a repensar nosso consumo e a valorizar produtos chamados “do cultivo à mesa”, expressão que começa a se apresentar também como “da fazenda ao provador” à medida que as peças do vestuário se utilizam de materiais caseiros e de fontes locais. Outros produtos de consumo, como tratamentos cosméticos para a pele e cuidados com a casa, também se voltarão cada vez mais para os materiais naturais. É um movimento de resgate da essência.

wgsn tendências 2018 infusão2

Infusão

O homem controla a máquina ou a máquina controla o homem? Essa pergunta tem se tornado cada vez mais difícil de responder e, com isso, o movimento de humanização da tecnologia tem se destacado. O objetivo é transformar essa conexão em algo totalmente positivo. A aposta são as redes sociais de “chat ao vivo”, como a YouNow, em que você pode transmitir vídeos e possibilitar a comunicação entre pessoas que te assistem. Outro fenômeno dessa tendência é o uso da tecnologia na saúde. Criado em Dubai, Fitzania usa as características de um jogo para fazer um verdadeiro check-up. Ao finalizar ações que envolvem agilidade e concentração, o jogador recebe um relatório sobre como está sua saúde. “Veremos tecidos inteligentes, utilização de DNA para criação de produtos e serviços personalizados e materiais”, completa Letícia Abraham, VP Latam da WGSN.

wgsn tendências 2018 design substancial

Design Substancial

O ‘menos’ se tornará menos ainda, e significará muito mais. Os consumidores valorizam, cada vez mais, produtos com características sustentáveis e nasce um movimento contra esse posicionamento apenas como estratégia de marketing. Produtos de vida curta dão lugar à produtos que tenham longevidade e um design funcional. O dinheiro usado para pagar por esses produtos também se tornará mais imaterial, com o crescimento das moedas criptográficas que funcionam como alternativa ao dinheiro. Atualmente, existem mais de 669 moedas virtuais disponíveis para comércio nos mercados online, a mais conhecida é a bitcoin. Por que agora? Para Letícia Abraham, a resposta é simples: “falta de confiança nas instituições econômicas e o aumento das viagens e da conectividade global. Num mundo de cartões magnéticos e similares, o dinheiro físico parece algo ultrapassado”, explica.

wgsn tendências 2018 noturno

Noturno

Esta tendência reúne comportamentos que buscam um equilíbrio estratégico entre o otimismo exagerado e o pessimismo saudável. O contato com nossos sentimentos “negativos” (como o pessimismo, a vulnerabilidade e, até mesmo, a tristeza) é incentivado para que possa levar à superação dos medos. Um dos frutos desse pensamento é o crescente número de pessoas que escolhem viajar sozinhos e que trocam viagens curtas por longos períodos de contemplação em lugares onde o tempo parece que não passa, como Finlândia, Alaska, Norte do Canadá e Noruega.

Acompanhe

Essa matéria faz parte da cobertura do SPFW N41

Pin It