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Birkin: a história da bolsa queridinha da Hermès

Ela certamente ocupa o topo da lista de desejos de 9 entre 10 fashionistas e aqui no Brasil não sai por menos de 30 mil reais. Sim, estamos falando da Birkin Bag, a bolsa da Hermès que homenageia uma das grandes musas de estilo da década de 60 e que tem tantas histórias quanto seus bolsos podem carregar.

A mais conhecida (e charmosa) conta que a francesa Jane Birkin sentou-se ao lado de Jean-Louis Dumas, que na época era CEO da Hermès, em um vôo de Paris para Londres. Atrapalhada, deixou tudo cair da sua bolsa de palha ao tentar colocá-la no compartimento de bagagem. O resto é história: Jean-Louis se ofereceu para desenhar um modelo que unisse tudo o que a cantora imaginava numa bolsa ideal. Preta, espaçosa, com alças resistentes e que pudesse ficar aberta o tempo todo.

História da bolsa Birkin Hermès 2

A blogueira Chiara Ferragni é uma das que já foram seduzidas pelo allure da bolsa Birkin

Birkin Bag: exclusividade e luxo

Agora, além dos preços exorbitantes, a lista de espera pelo modelo pode chegar a 6 anos. Ou seja, a palavra exclusividade atinge um outro nível em que só a Hermès opera. Ambos se justificam pela forma como a bolsa é feita: produzida na França, é fruto do trabalho manual de artesãos que passam por longos treinamentos. Pode levar de 48 horas a duas semanas para que uma única Birkin seja finalizada, dependendo da sua customização. Só então as bolsas são enviadas às lojas da Hermès, em quantidades limitadas e cronogramas imprevisíveis.

Um fato interessante: enquanto famosas como Victoria Beckhamk já admitiram ter coleções que alcançam a casa das centenas, a própria Jane Birkin só teve uma para chamar de sua. Embora não receba nada por emprestar seu nome ao modelo, a Hermès disponibiliza uma quantia todo ano para que ela doe à caridades de sua escolha. Simpático, vai?

História da bolsa Birkin Hermès 2

Ela une tudo que Jane Birkin desejava numa bolsa: preta, espaçosa, com alças resistentes e que pudesse ficar aberta o tempo todo

A polêmica em torno da Birkin

No ano passado, a bolsa voltou a ocupar os holofotes quando Jane pediu que a marca retirasse seu nome do modelo por causa de um documentário do PETA, grupo que defende o direto dos animais, que mostrava como alguns deles eram tratados por fornecedores de couro e peles exóticas. Pois a Hermès logo declarou que investigaria a fazenda do Texas, que aparecia no documentário e supostamente seria a responsável pelos maus tratos. Por enquanto, nenhum movimento para de fato mudar o nome aconteceu – já que ele foi registrado pela grife em 2004 e, assim, eles têm zero obrigações de atender aos seus pedidos.

 

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O job cobiçado da assistente de PR da Louis Vuitton

Naiara Wagner é prova viva de que determinação e energia são essenciais no início de uma carreira. Ela é formada em jornalismo pela Cásper Líbero e já passou por redações como Vogue e M de Mulher – tudo isso ainda na faculdade! –, mas foi no mundo do PR de luxo que ela realmente encontrou a sua vocação.

Ela entrou na Louis Vuitton ainda como estagiária em março de 2014, e trabalhou muito, mas muito mesmo, para conquistar seu espaço e garantir que fosse efetivada ao final do curso. Dito e feito: hoje ela ocupa o cargo de assistente de PR, respondendo diretamente à Patricia Romano, que é Head of PR da América do Sul. O trabalho de PR (Public Relations) vai um pouco além do que aqui no Brasil nos acostumamos a chamar de assessoria de imprensa: além de fazer a ponte com a imprensa, há todo um trabalho de fundo focado em estratégia, fittings com celebridades… E como a posição é dentro do próprio escritório da Louis Vuitton, isso é ainda mais forte.

Obviamente, não perdemos a chance de conversar com ela e entender um pouquinho como é trabalhar nesse nicho tão específico e disputado. Confira:

Naiara Wagner, a PR da Louis Vuitton em viagem recente à Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte

A PR da Louis Vuitton em viagem recente à Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte

Como você chegou até a Louis Vuitton?

Vi a vaga de no Instagram, minha chefe postou uma foto dela com uma plaquinha “procura-se um estagiário brilhante”. Mandei então meu currículo. Na época eu estagiava no site M de Mulher e já falava com a coordenadora de PR da LV, então pedi também pra ela me ajudar. Fiz a entrevista e deu certo. Mas vagas de estágio aparecem bastante em marcas internacionais, o que é raro é vaga efetiva. Antes disso trabalhei na revista Vogue, na assessoria de imprensa e relações públicas Monica Mendes Comunicações.

Você lembra o que vestiu nessa entrevista? Como é que foi o processo seletivo?

Lembro super bem, vesti uma calça jeans e uma blusinha preta. Partircularmente acho melhor ir mais básica pra entrevistas, principalmente se for de moda. Seu discurso tem que ser o centro da conversa. Quando nos montamos demais as vezes passa uma impressão errada. O processo foi tranquilo, só fiz uma entrevista e passei. Não tenho ideia se tinham muitas outras pessoas concorrendo ou poucas, nunca perguntei. Mas estava super nervosa como todo mundo fica. É tão difícil falar o melhor de si próprio em tão pouco tempo sem parecer clichê ou meio convencida… Devo ter gaguejado um pouco, mas acho que ficou a mensagem que eu queria muito estar lá e que iria aproveitar essa oportunidade se passasse.

E como é o seu relacionamento com a sua chefe, a Patricia Romano, que é Head of PR?

Sempre me dei bem com minha chefe, mas demorou bastante pra eu condicionar meu raciocínio pra ideias realmente legais para a marca e para o nosso trabalho – para “pegar o jeito”. Ainda peno com algumas hoje em dia. Naturalmente, à medida que fui evoluindo pude colaborar mais para as conquistas do nosso departamento e fomos nos tornando mais próximas. Ter empatia com chefe é ótimo, mas acho mesmo que o principal é sempre fazer um bom trabalho e ter respeito pela hierarquia.

Como é a sua rotina? Que horas você chega, o que faz ao longo do dia?

Eu entro às 9h. Meu trabalho principal é trabalhar pautas de moda, e pra isso temos diversas ferramentas: temos um showroom grande com diversos produtos LV, a maioria peças de desfile, que emprestamos para as revistas fotografarem editoriais e capas ou para celebridades usarem em eventos. Tenho que pensar que produto tem mais a cara de cada revista e tentar conseguir o maior e mais relevante espaço para cada um. Recebo todos os dias stylists, ocasionalmente acompanho fitting de celebridades e vou a shootings de matérias grandes que fazemos. Também organizo shootings internacionais com nosso escritório de NY e Paris e requests para vestirmos celebridades (na Vuitton sempre aprovamos com Paris essa parte). Temos também um enorme material de divulgação com histórias da marca, e junto com o resto do nosso time planejo onde e como trabalharemos cada uma delas. Estou todos os dias em contato com jornalistas, sempre procuro manter um ótimo relacionamento com cada um e ser muito solícita para a receptividade do nosso material ser a melhor possível.

Meu horário vai até às 18h, mas normalmente fico mais. Não é uma regra, mas procuro sempre ir embora depois da minha chefe. Ela pode precisar de alguma informação ou ajuda e gosto de estar sempre disponível. E também, no caso de PR, não existe um limite ou um “acabei tudo que tenho pra fazer” – sempre posso fazer mais.

Naiara Wagner, PR da Louis Vuitton_2

Na Plaza Libertad De Prensa

E como é que foi o processo pra ser efetivada? Porque eu sei que não foi fácil…

Foi muito difícil! Do ponto de vista prático foi quase impossível, nenhuma estagiária era efetivada há anos, minha vaga não existia… E do ponto de vista emocional foi ainda mais. Os últimos meses foram uma super angústia, porque realmente não fazia ideia do veredicto. No dia em que recebi a notícia positiva desci no prédio com uma amiga da LV e ficamos gritando e chorando, foi super emocionante. Quis muito isso e dei tudo de mim.  

Acho que o grande motivo de eu ter sido efetivada é simples, apesar de de complexa execução: se esforçar e entregar resultados. Eu me trabalhei MUITO pra que tivéssemos bons resultados sempre e principalmente para estar apta a tocar todas as etapas de uma pauta grande (planejar, cuidar da logística, lidar com pepinos e imprevistos), de maneira que no início do mês eu pudesse entregar um resultado super legal, sem trazer preocupações pequenas para ninguém. E, como disse, naturalmente fui evoluindo e tendo melhores ideias. Acredito que um dos segredos do bom desempenho em PR é não desistir nem do que é bem pequeno – são tantos assuntos e materiais rodando entre revistas e assessores que muito se perde na correria. Na Louis Vuitton, não!

Mas em suma tem que levar muito a sério e não deixar a energia e a dedicação cairem quando o que você está fazendo não funciona ou quando você erra de novo aquilo que já errou um milhão de vezes… E ter um feeling para entender o que esperam de você a cada momento e se esforçar pra entregar.

O que você mais gosta e o que não é tão legal do seu job? Porque de fora pode parecer que é só glamour.

Ah, talvez pra muitas pessoas essa parte de acompanhar shootings de revistas de moda super importantes, conhecer stylists e celebridades seja a parte mais glamurosa, mas apesar de eu gostar disso tudo não é minha maior paixão. Pra mim o mais legal é quando estamos todos no escritório planejando o que vamos fazer nos próximos meses e como vamos executar – eu aprendo muito, sinto que estou realmente crescendo e evoluindo como profissional nesses momentos. É uma aula de estratégia, principalmente porque admiro muito minha chefe e amo quando nos reunidos pra ela contar as ideias dela ou dar guidelines pra algo que estou tocando.

O que é menos legal é a parte da organização do showroom – é um infinito de bolsas, sapatos, roupas e etc que tenho que catalogar e sempre manter em ordem. Mas tenho carinho pelos produtos, então fica leve. Na verdade, nesses 2 anos qualquer coisa que não tenha gostado de fazer entrou pro pacote de trabalhar na LV que eu amo – acho que essa é a melhor maneira de executar funções não tão legais de maneira feliz.

Pra quem tem vontade de trabalhar dentro de uma marca do mercado de luxo, o que você teria de conselho?

Depende muito da área que a pessoa quer trabalhar, mas se for relações públicas diria pra estagiar primeiro e refletir se gosta mesmo disso. Aqui no Brasil não é um mercado muito grande, é competitivo e é um trabalho muito específico.

Talvez um conselho bom seria dizer pra pessoa não se enganar: ao meu ver todos que são bem sucedidos nesse mercado são muito competentes e se esforçaram muito pra chegar onde estão. Beleza e dinheiro talvez ajudem em outros segmentos da moda, mas para chegar longe em PR tem que ser de fato muito competente, estratégico, conhecedor da marca que se trabalha. É o que eu busco ser e melhorar sempre!

 

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Lady Dior, a história de uma bolsa icônica

Uma coisa é fato: embora as roupas das grandes casas de alta costura sejam incríveis, são os acessórios que acabam entrando de fato pra nossa lista de desejo. E isso é real – ao lado dos perfumes, eles são responsáveis por grande parte do faturamento dessas grifes, justamente por serem um tipo de luxo acessível. As bolsas ocupam um lugar de destaque – e muitas acabam dando tão certo que são eternizadas, virando verdadeiros ícones de estilo e ganhando muitas versões ao longo dos anos. Entre elas, a Lady Dior, da grife francesa. Você conhece a história por trás desse clássico?

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A versão prateada da Lady Dior da temporada de Spring 2015

A história da Lady Dior

Lady Dior é sem dúvida a bolsa mais famosa da casa de alta costura francesa, que até sua criação ainda não tinha um modelo realmente marcante. No entanto, ela nasce em 1994 sob um nome diferente: “Chouchou”. A intenção é que ela tivesse uma identidade forte e traduzisse a elegância da Maison.

Para transmitir a inspiração couture, o couro era trabalhado em matelassé e em pespontos cannage, uma homenagem à história da Maison inspirada na cadeira de Napoleão III, utilizada por Christian Dior em seu primeiro desfile, em 1947. Os berloques em ouro ou prata fina também eram uma característica do modelo, que juntos soletravam Dior, levavam vários banhos para que não perdessem seu brilho ao longo do tempo.

Por que Lady Dior?

Apesar de ter sido um sucesso de vendas antes disso, foi a Princesa Diana que tornou a bolsa um ícone. Tudo começou em setembro de 1995, quando a primeira dama francesa, Bernadette Chirac, presenteou a Princesa de Gales com a mais nova bolsa de Christian Dior, na cor preta. De tão apaixonada pelo modelo, Diana encomendou todas as versões possíveis do modelo “Choucho”.

Como a Princesa Diana era uma das mulheres mais fotografadas no mundo, era inevitável que a bolsa da Dior fosse capturada em várias dessas imagens – e é exatamente o que aconteceu. Em novembro, a bolsa apareceu numa visita à um orfanato em Birmingham, e algumas semanas mais tarde em uma viagem à Argentina. A Maison Dior decidiu então renomear a bolsa em homenagem à princesa – e nascia assim a icônica Lady Dior.

lady dior evolução

Alguns dos modelos e versões da Lady Dior ao longo dos anos

O frissom em torno da bolsa de Lady Di foi tanto, que um ano depois, mais de 100.000 modelos de “Lady Dior” haviam sido vendidos no mundo todo.

A evolução

Em pouco mais de 20 anos de história, “Lady Dior” sofreu poucas alterações, ganhando principalmente novos tamanhos, materiais, cores e até estampas a cada temporada. Após homenagear a Princesa Diana, o desafio da Maison era associar o modelo a personalidades que traduzissem as características clássicas e elegantes ca bolsa. Assim, Mônica Bellucci, Diane Krueger e Carla Bruni já representaram a grife nas campanhas da Lady Dior, papel agora que cabe à atriz francesa Marion Cotillard.

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

 

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