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SPFW: como o novo formato “see now, buy now” vai afetar a imprensa de moda

Nossa, que título longo! Nas últimas semanas, muito se falou, especulou e opinou sobre o anúncio do Paulo Borges de que o SPFW seria a primeira semana de moda do mundo a aderir 100% ao tal formato “see now, buy now”. (A gente falou um pouquinho aqui da história do São Paulo Fashion Week aqui, lembra?) Em outras palavras, a partir de 2017 será possível comprar as roupas desfiladas logo após a apresentação.

O debate em torno do formato de desfile, que para alguns estaria ultrapassado, também não é novo – mas foi reacendido pela Burberry no começo desse ano. Mas, pelo menos hoje, o meu foco não é esse. E se você quiser entender um pouco mais sobre a mudança em nível global, sugiro esse ótimo e completíssimo texto do FFW. O que eu queria falar aqui é como isso vai afetar a imprensa especializada de moda.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

O que o modelo “see now, buy now” muda para a imprensa

Queria ilustrar o meu ponto de vista com um breve exemplo. Lá no começo do ano passado, tinha uma seção na L’Officiel de tendências em que, a partir de uma foto de desfile, a gente dava algumas sugestões de produtos. Nada inovador. Mas admito que deu um nó na minha cabeça até entender porque a gente sempre tinha que usar foto do desfile passado, e não do que tinha acabado de acontecer. É que, por exemplo, as roupas que estavam na loja da Gucci naquele exato momento, ainda eram do desfile da temporada passada. E consequentemente a história era outra – por mais que as tendências se repetissem, não podia.

Enfim, talvez uma história nem tão breve e um pouco confusa pra dizer que a minha primeira reação à mudança foi positiva. Eu acho sim que o formato tradicional não funcionava para mim na maior parte do tempo, mesmo na mídia impressa. O que não quer dizer, por outro lado, que eu tenha entendido 100% como as coisas vão funcionar a partir de agora – e acho que, honestamente, ninguém pode afirmar que sim. Por enquanto é tudo especulação e está em fase de adaptação.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

Mas como fica?

“A imprensa e o lojista vão ter acesso às coleções antes para fotografá-las e decidir as compras. E vai haver um contrato entre o jornalista e a marca, com embargo dessas imagens até o desfile”, explicou Paulo Borges em entrevista à Maria Rita Alonso (minha chefinha!) para o Estadão.

Pois bem, é aí que o negócio fica meio confuso pra mim. Qual o nível de controle que uma marca, em tempos de snapchat e periscope, pode ter sobre essas imagens? É como disse o sempre ótimo, e dessa vez cético, André do Val: se é para abraçar o imediatismo das redes sociais, falar em embargo soa contraditório. E outra: se a gente puder ver tudo em primeira mão seis meses antes, não faz muito sentido perder uma semana para ver tudo de novo.

Como disse lá em cima, a esse ponto é tudo especulação. E eu, como eterna otimista, sempre recebo de braços abertos as mudanças. Agora é questão de esperar e ver como cada uma das marcas vai, ou não, se adaptar. Uma coisa é certa: a próxima edição, que começou a anunciar novos nomes no line-up, promete ser bem interessante. Para ficar de olho!

 

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Expediente: desvendando os cargos da redação de uma revista de moda

Quando comecei minha faculdade de Jornalismo, já sabia que queria trabalhar com moda e vivia mergulhada nas revistas tentando absorver o máximo possível. Mas o que eu adorava mesmo era a tal página de expediente, com o nome de todo mundo da redação daquela publicação. Ou seja, eu sabia que queria ver o meu ali um dia mas, pelo menos pra mim, era super difícil entender a diferença entre todos aqueles cargos. Afinal, ninguém é obrigado a nascer sabendo o que faz um editor-chefe ou um produtor executivo.

Faz pouco mais de um ano que faço parte da redação da L’Officiel e vi meu nome num expediente pela primeira vez. Preciso admitir, ainda tem certas coisas que me confundem, até porque cada redação funciona de um jeito, mas achei que valia a pena compartilhar o que eu absorvi.

Expediente da redação de uma revista de moda / O Diabo Veste Prada

Cena icônica do filme O Diabo Veste Prada, que mostra a rotina (ficcional, mas bem realista) da assistente Andy Sachs numa revista de moda

Uma observação. Primeiro, é uma tendência mundial que as redações das revistas (não só de moda) fiquem cada vez mais enxutas, e com isso as funções de cada cargo acabam se misturando. Ou seja, um título não pode nem deve ser interpretado como algo inflexível, já que cada time tem uma dinâmica própria.

Desvendando o expediente de uma revista de moda

* Diretor de redação: ele está no topo da cadeia alimentar. É o responsável por toda a parte editorial da revista, sabe e tem o controle sobre tudo o que é publicado, além das demandas comerciais. Faz parte do job manter relacionamentos com todas as grandes marcas e seus estilistas.

* Editor-chefe: em geral, costuma ser o próximo na hierarquia de uma revista. É responsável por organizar todo o fluxo de entrega de textos/fotos em contato com a equipe de arte (mais abaixo), cobrar e manter prazos e se reporta diretamente ao diretor. Precisa, acima de tudo, ser muito organizado e um bom gestor.

* Editor de moda: numa revista do segmento, em geral as redações se dividem entre equipe de moda e de texto. Em geral ele estudou moda e tem a palavra final nas peças fotografadas em editoriais ou páginas de still (quando a peça não está numa modelo). Enquanto um editor-chefe ou até mesmo o diretor de redação não precisam ter uma formação específica no assunto, é função do editor de moda ter esse olho apurado.

* Stylist: pode ser freelancer (contratado para jobs específicos) ou fazer parte da equipe fixa. Ele trabalha em conjunto com o editor de moda, é sua função pegar a visão do que ele imaginou para aquela página e fazer isso virar realidade, pesquisar quais itens específicos ele gostaria de fotografar e combinar os looks. Num mundo ideal, ele ainda teria a assistência de um produtor de moda.

* Produtor de moda: a pessoa que vai de marca em marca escolher e buscar cada uma das peças que serão fotografadas. Ou seja, é um trabalho feito essencialmente na rua. É claro que, uma vez reunidos todos os itens, ele também separa, cataloga e trabalha junto com o stylist numa pré-edição do que vai ser fotografado, e depois nas devoluções de cada uma dessas peças. Pode ou não ter um assistente.

* Produtor executivo: imagine coordenar modelos, fotógrafo, locação, catering, maquiagem, cabelo e transporte para cada shooting feito pela revista. Esse é o trabalho do produtor executivo, garantir que tudo saia conforme o planejado e ter um plano B na manga para emergências.

* Editor de beleza/comportamento/cultura: são os editores de cada um dos outros assuntos, além de moda, que a revista comporta. Costumam ser jornalistas, eles assinam matérias, coordenam e editam textos escritos por terceiros (freelancers ou repórteres) e outros projetos. Cada um tem certa autonomia sobre sua seção, e se reportam diretamente ao editor-chefe.

* Repórter: dentro de cada uma dessas áreas, em geral existe pelo menos um repórter. São profissionais com formação em texto, cuja função principal é colocar a mão na massa e escrever bastante mesmo.

* Diretor de arte: esse é outro que está lá no topo do expediente, embora esteja quase no final da minha lista. É que o trabalho dele é paralelo ao do resto da equipe: ele é o responsável pela diagramação e pela parte visual da revista. Coordena sua própria equipe de design e tratamento de imagem.

Ufa! Parece muita coisa, mas no final da conta o que importa é entender que está todo mundo ali empenhado para colocar na banca um produto interessante e completo. Parece fácil, mas tem muito trabalho duro embutido em cada edição. Espero que tenha sido o mais clara possível, mas se ficou alguma dúvida vale perguntar nos comentários!

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FAQ: sobre o jornalismo de moda

Para a minha surpresa, o jornalismo de moda é sempre um tema muito pesquisado aqui no blog. Acho que isso acontece principalmente porque na internet tem pouquíssima informação sobre a profissão, e é fato que a indústria da moda tem gerado cada vez mais interesse.

Justamente por isso, é também um dos assuntos que eu mais recebo dúvidas por e-mail. E assim eu resolvi vim falar mais um pouquinho disso por aqui na minha coluna em primeira pessoa – que eu carinhosamente apelidei de FAQ! Admito que ainda acho engraçado ver tanta gente vindo ME pedir conselhos, quando eu ainda me lembro (muito bem por sinal) de estar no outro lado dessa equação. Mas vamos lá!

jornalismo-de-moda

A famosa Andy Sachs, no inesquecível O Diabo Veste Prada. Há quem não ame o filme?!

Como é o mercado de jornalismo de moda? Ganha bem ou mal? Tá muito difícil conseguir emprego?

Se tivesse que fazer uma estatística, essas seriam as perguntas que eu mais ouço, sem sombra de dúvida! Minha visão: o mercado de jornalismo de moda é tão competitivo como qualquer outro hoje em dia, nem mais nem menos. O que não tem espaço mesmo é pra gente despreparada, desmotivada, preguiçosa e irresponsável – e isso em qualquer área. Agora, pra quem não tem medo de botar a mão na massa, eu ouso dizer que tem vaga sim.

Recentemente, vi a minha editora da L’Officiel demorar várias semanas até encontrar uma estagiária que ela gostasse de verdade para trabalhar com ela no Estadão. O que mais aparecia é gente que não entendia nada do assunto, mas também não parecia se mexer para mudar isso, sabe? Ninguém é obrigado a saber tudo sobre moda, especialmente no começo da carreira, mas um pouco de direcionamento é essencial. É formado numa área totalmente distinta? Vai fazer um curso sobre o assunto, se ofereça para cuidar das redes sociais da marca super nova daquela sua amiga que ainda não pode pagar alguém para fazer isso, crie um blog… O céu é o limite!

Quanto a salários, a situação é o seguinte: para trabalhar com qualquer tipo de jornalismo, não pode ser muito apegado a dinheiro, não! Brincadeiras a parte, não é uma área conhecida por ter salários muito altos, e da moda isso também é verdade. Se prepare para fazer estágios que mal cobrem seus custos, ser efetivado e ver sua situação financeira aumentar só um pouquinho… Não é pra todo mundo, fato.

Para trabalhar com jornalismo de moda precisa ter blog?

Não, gente! Ninguém precisa fazer nada que não quer, óbvio. Mas olha, se o seu blog for bem feito, ele pode se tornar um ótimo portfólio do seu trabalho. Minha primeira oportunidade de trabalho de verdade (fora estágio) aconteceu justamente com um contato que eu fiz por causa do blog! Ou seja, no fundo, foi ele quem me abriu essa porta, e pode fazer o mesmo por você.

Qual faculdade eu devo fazer?

Eu já falei um pouquinho antes sobre aquela velha dúvida entre cursar moda ou jornalismo. Mas muita gente me pergunta também quais são as melhores faculdades. Para começar, isso é muito pessoal, porque depende de onde você mora e para onde tem condições de se deslocar ou não. Uma coisa é fato: São Paulo e Rio de Janeiro concentram as maiores oportunidades de trabalho na área, e não é má ideia já cursar sua graduação por lá. Mas isso não é regra! Outros estados do país também têm ótimos cursos. Aproveitando, um momentinho de autopropaganda: para tentar ajudar nessa questão específica, estou montando um e-book que deve sair no comecinho do segundo semestre falando justamente dos principais cursos de moda do país.

Comunicação de moda: os diversos campos de atuação

Um último tópico importante para ser abordado é que o jornalismo de moda está dentro de algo muito mais amplo, que eu estou chamando aqui de “Comunicação de moda”. Ou seja: ok, você descobriu que quer trabalhar com moda e gosta de ler, escrever e se comunicar. Mas já pensou que não necessariamente uma redação tradicional vá te fazer feliz? Com formação em jornalismo ou moda dá pra trabalhar com assessoria de imprensa, marketing, produção de conteúdo para marcas, para redes sociais…

Em tempo: lá no comecinho do blog, ainda em 2013, eu entrevistei a Marina Domingues, na época repórter da revista Elle. Os fatos mais atuais já estão super desatualizados (por onde será que ela anda?!), mas vale pra conhecer mais sobre a trajetória e como era o dia-a-dia dela por lá.