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Verdades de uma jornalista de moda freelancer

Vamos começar jogando a real: trabalhar como jornalista freelancer não é nada fácil. Pode parecer muito interessante fazer seus próprios, poder escrever só quando bater a inspiração e não ter uma rotina muito rígida – mas tudo tem dois lados! Acho que é importante dizer, antes de começar a contar sobre a minhas experiências com essa forma de trabalho, que é o tipo de coisa que pode acontecer de mil jeitos diferentes dependendo da empresa. Ou seja, nada aqui é regra, e sim um relato pessoal mesmo!

Verdades de uma jornalista de moda freelancer

Desde que fui efetivada na L’Officiel, depois de trabalhar uns 6 meses como estagiária mesmo estando já formada (ainda estava cursando uma segunda faculdade), escrevo para eles como freelancer fixa. O que isso significa, na prática, é que todo mês eu assino um número determinado de páginas por um valor previamente combinado, e que extras são acertados a parte. No meu caso, faço isso de casa mesmo, e vou para a redação só quando eu quero visitar minhas colegas de revista ou nos últimos dias de fechamento – quando tudo é mais corrido e às vezes preciso colocar as informações direto no programa de layout.

Também combinei com a chefinha que tenho total liberdade para escrever para outros veículos (inclusive concorrentes), mas sei que não é necessariamente assim que funciona com todo mundo. São combinados, né? Na real, nesse último um ano que tô nesse esquema, eu praticamente não escrevi para mais nenhum lugar além do blog e do Estadão – esse último porque a minha chefe também é editora de moda lá, então rola uma facilidade maior. Se tivesse que eleger uma razão, acho que é principalmente comodismo mesmo. Dá trabalho correr atrás de freela… eles não caem na sua mão, não! Mas está ali nas metas do ano diversificar um pouquinho mais o portfólio, vamos ver.

Verdades de uma jornalista de moda freelancer

Ainda vou aprender a fazer um texto em primeira pessoa sem uma ENORME introdução mega pessoal… Passado o momento, queria dar 3 dicas que juntei esse tempinho trabalhando como jornalista de moda freelancer, mas que na verdade podem ser adaptadas para qualquer área.

Não tenha medo de falar com as pessoas

O primeiro freela que consegui foi no final da faculdade de jornalismo, quando a minha experiência escrevendo sobre moda se resumia aqui ao blog – nem sonhava que logo mais entraria na L’Officiel! Mandei um e-mail pra editora chefe do FFW Camila Yahn (endereço esse que consegui na internet!) sugerindo algumas pautas e, para minha surpresa, ela topou! Acabei publicando um único texto, essa entrevista com a Giuliana Iódice, e o erro foi meu que nunca mais retomei esse contato. Mas deu certo, e isso que importa! O que nos leva ao próximo assunto…

Mas estude MUITO o veículo antes

Só deu certo porque eu era (e sou) leitora ávida do FFW – é a minha bíblia mesmo, de ler todo dia –, e sabia exatamente o que tinha a ver com o conteúdo deles. Não adianta sugerir um post sobre lançamentos se o veículo em questão só publica matérias reflexivas. Tem que fazer a lição de casa, e nem sempre é fácil. E, se o seu objetivo é revista impressa, um aviso: precisa de antecedência, e muita. Entenda no próximo tópico.

Verdades de uma jornalista de moda freelancer

Planeje-se para o ano

Numa revista, a gente fecha a edição mais ou menos uns 15 dias antes de chegar à banca. Ou seja, se hoje é dia 15 de agosto, a edição de setembro já está 100% pronta e entregue. Até o dia 20, vamos ter definido todas as pautas para a edição de Outubro. E isso são só as pautas menores – as especiais, a gente negocia com as marcas com vários meses de antecedência. Outro exemplo: em dezembro, acontece anualmente em Miami a Art Basel, que é numa cidade que tenho um bastante contato e gera um gancho perfeito pra falar de outros assuntos além de arte (que não é meu forte, admito). Ou seja, desde agora já estou pensando para quem vou sugerir matérias especiais sobre isso, para não correr o risco de perder prazos.

Em resumo: as pessoas falam muito pouco sobre o assunto, tem quase nada de informação na internet, mas não é um bicho de sete cabeças! Fazendo da forma certa, dá, sim, pra se aventurar como jornalista de moda freelancer sem medo.

 

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Cubículo fashion: a mesa da estagiária da Teen Vogue

Acho que poucas coisas me dão tanto prazer quanto ver onde e como as pessoas da indústria da moda vivem e trabalham. Não é de se espantar, portanto, que minha seção favorita aqui no blog seja justamente a Behind the Scenes, onde a gente fotografa e mostra como funcionam alguns dos principais escritórios desse universo. Ano passado fiz uma visita express ao escritório da Teen Vogue em NY, mas como não tinha nada a ver com o blog acabei não fotografando (ops!). Eis que a mesma empresa que remodelou a redação do Man Repeller fez um job super legal com a revista, e aí não deixei passar a chance de compartilhar por aqui.

Em parceria com um serviço de decoração chamado Homepolish, a Teen Vogue redecorou a mesa de uma estagiária da redação que só ficaria na revista por alguns meses (lá fora, os estágios de verão costumam ser bem curtinhos mesmo). O desafio era claro: como deixar o espaço com a sua cara quando você vai ter que abrir mão dele no final do semestre? Pois a fórmula do designer Justin DiPiero é simples e dá até pra adaptar no seu job sem gastar ou pirar demais:

  1. Adicione luz
  2. Adicione personalidade
  3. Organize

Nada de outro mundo, vai? Esse mix de revistas e livros com bolsas e sapatos é super simples e dá um impacto bem interessante, especialmente pra quem trabalha com jornalismo de moda (oi!). E o abacaxi porta-coisinhas? Uma graça!

A mesa da estagiária da Teen Vogue 1
A mesa da estagiaria da Teen Vogue 3 A mesa da estagiaria da Teen Vogue 4
A mesa da estagiária da Teen Vogue 1

Em tempo: tive um momento transmissão de pensamento hoje de manhã. Estava eu aqui, escrevendo esse texto em tempo real, quando abro o Business of Fashion e me deparo  justamente com uma matéria bem interessante sobre o novo momento da Teen Vogue. Em maio desse ano, a revista passou por uma transição importante: a editora-chefe Amy Astley deu lugar ao trio formado pela diretora criativa Marie Suter, a editora Elaine Welteroth e o diretor editorial digital Phillip Picardi. “Porque um adolescente compraria uma revista em 2016?” é o fio condutor, e a leitura vale cada minuto!

 

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Vida de jornalista: como impressionar o seu editor

Já fiz tanta confissão aqui no blog que às vezes acho que ele faz esse trabalho melhor do que um terapeuta – até sobre o porquê de odiar tanto fazer as unhas eu já falei! Mas acho que esse tema é um dos mais difíceis até agora, e é porque diz respeito a relacionamentos. Tenho um problema que me atrapalha em quase todas as facetas da minha vida, que é achar que as pessoas ao meu redor não gostam de mim, inclusive no trabalho.

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Tenho muita sorte (e sei disso!) de trabalhar entre colegas e chefes incríveis na L’Officiel, que me acolheram de braços abertos quando eu tinha zero experiência em redação e acreditaram em mim desde o primeiro dia. No fundo, racionalmente falando, eu sei que não tem nada de errado. Mas parece sempre tem uma voz (minha, claro) dizendo que eu não estou fazendo o suficiente, que talvez meu texto não tenha ficado tão bom… Esse tipo de drama, sabe? Não é assim algo tão incomum.

Mas vamos voltar ao foco. Com essa loucura interna acontecendo, acabei criando mecanismos para passar a melhor impressão possível para quem trabalha comigo – especialmente meus editores, também conhecidos como chefes. Lembra que a gente falou um pouquinho da hierarquia de cargos numa redação de revista? Pois eu acho que a relação que você, repórter, tem com o seu editor é bem diferente do que acontece em outras áreas de trabalho. Principalmente porque tem muito a ver com estar em sintonia.

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Depois desse momento confissão, queria compartilhar três coisas simples mas que acabam fazendo toda a diferença ao construir uma boa relação com o seu editor. Não tem um jeito certo, claro, mas tudo se resume a dedicação. Vamos lá!

Saiba quem está editando seu texto

Vou explicar com um exemplo real: tenho hoje duas editoras que ficam com a maioria das matérias que escrevo. Uma delas escreve majoritariamente sobre cultura e viagens, a outra respira moda há vários e vários anos. Não tem como: são linguagens e histórias de vida diferentes, e entender como cada uma delas enxerga uma mesma pauta me ajudou a atender mais rapidamente às expectativas. Enquanto uma pode dizer “precisa de um contexto maior sobre a história da cidade que acontece essa feira de relógios”, a outra pode achar que “falta uma linguagem mais casual, deixar o texto mais gostoso de ler”. Quem tá certa? As duas, porque no fundo é tudo relativo, e você só tem a ganhar com esse tipo de feedback. O que nos leva ao próximo tópico…

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Desapegue e aprenda com as edições

Por favor, vamos parar de achar que alguém mexer no seu texto é uma coisa ruim! Quantas vezes entreguei um texto nem tão contente com o que tinha produzido e, em 5 minutos, minha editora não só resolveu os todos problemas como fez com que o resultado final, como um todo, ficasse impecável. Eles têm mais experiência e você não só pode como DEVE tirar proveito disso. E melhorar pode significar, sim, cortar um parágrafo todo – por que não?! Sempre veja o que mudaram nos seus textos, porque é assim que você vai aprender.

Atenção aos básicos: português

Outro dia, estava ouvindo minhas duas chefinhas conversando sobre uma repórter que SEMPRE cometia os mesmos erros na grafia do nome das pessoas, em problemas básicos de apuração que um google resolveria. Se a sua editora não puder contar com você pra tarefas simples sem ter que checar tudo o que você faz o tempo inteiro, com certeza vai pensar duas vezes na hora de te passar uma pauta mais trabalhos.

Aos colegas jornalistas – quem tem algum outro conselho pra dar?

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