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Leo Faria e a fotografia de Street Style

Numa espécie de fusão esquizofrênica entre o mundo da moda e das celebridades, a fotografia de Street Style hoje é parte fundamental da dinâmica de qualquer semana de moda. Se por um lado é possível argumentar que ela tira a atenção do que é desfilado nas passarelas, por outro a gente entende que ela é uma manifestação espontânea da moda de rua, do que funciona na outra ponta da cadeia (a comercial).

Leo Faria fotografo streetstyle

E, com isso, o Street Style criou um novo segmento que foi responsável por alavancar a carreira de vários fotógrafos. Existem os que se dedicam quase que exclusivamente a procurar os melhores cliques pelas ruas e também os que fazem dessa atividade um plus. É o caso do mineiro Leo Faria (@leofaria), que une o melhor dos dois mundos e marca presença nas principais semanas de moda. “Meu passaporte está recheado de carimbos dos cinco continentes, cada dia estou num lugar e com pessoas completamente diferentes. Isso muitas vezes é cansativo, mas é sempre gratificante e enriquecedor”, conta.

Conversamos com o fotógrafo Leo Faria pra entender um pouquinho mais de como ele acabou chegando no Street Style e o que faz alguém ter sucesso nessa área. Confira:

Você é formado em publicidade, certo? A fotografia já te interessava na época ou foi algo que veio depois? E a identificação com moda?

Leo Faria – Meu pai sempre foi apaixonado por foto, esse era um dos hobbys preferidos dele. Sempre vi ele registrando tudo à nossa volta… Quando cresci, me apaixonei por artes gráficas, me formei em Publicidade e Propaganda e na faculdade tive contato com a fotografia de uma forma profissional. Esse contato se estreitou quando fui trabalhar em agências e chegou ao seu ápice alguns anos depois de abrir a minha própria agência de publicidade e ter ministrado aulas de Fotografia e Criação numa universidade. Logo optei por abrir mão de tudo e me dedicar exclusivamente a fotografia e aqui estou…

Leo Faria fotografo streetstyle

A moda surgiu de forma natural e logo se tornou uma grande paixão, tão intensa quanto a pela fotografia. Muitos dos clientes que procuravam a minha agência eram relacionados à área e quando me dei conta minha agência já tinha se tornado especializada em moda.

Qual foi seu primeiro job de fotografia de moda, você lembra?

Eu vinha de sucessivas frustrações com fotógrafos que não atendiam minhas expectativas enquanto diretor de criação foi aí que optei por fazer eu mesmo. A primeira oportunidade foi a de fazer um catálogo de moda infantil de uma marca que após alguns trabalhos havia se tornado uma amiga pessoal. Não me lembro se senti frio na barriga, provavelmente sim, mas sou bastante ousado e acredito que essa ousadia é a que me fez chegar até aqui e que me fará ir cada vez mais longe.

Vamos falar de Street Style: como é que aconteceu essa transição? E hoje o que você faz mais, campanhas ou rua?

Eu não chamaria de uma transição. Na verdade vejo como uma evolução da minha linguagem fotográfica e ela se deu de uma forma tão orgânica que até tenho dificuldade de pontuá-la. Eu passei a entender o Street Style a partir da primeira semana de moda que fui acompanhar em Nova York, eram para ser minhas férias… Foi lá que tudo começou, ví fotógrafos de Street Style trabalhando, aproveitei para fazer alguns cliques e a partir daí meu relacionamento com as pessoas que frequentam essas semanas foi se estreitando e minha relação com essa linguagem fotográfica foi se aprofundando a cada temporada. Nova York, Londres, Milão, Paris, eu aproveitava para tirar férias trabalhando. Hoje virou um negócio, claro! Mas ainda não é minha principal atividade e nem é o que quero. Na verdade uso essa linguagem e experiência das ruas para as Campanhas e Editoriais que crio e são para eles que vão a maior parte do meu tempo e esforço.

Leo Faria fotografo streetstyle

Para fazer Street Style, o que um bom fotógrafo precisa saber? Quais equipamentos são essenciais pra você?

Para fazer Street Style é preciso ter controle absoluto da câmera e ter muito conhecimento de luz. Imagine que a única luz que você tem é a luz do sol, que particularmente acho a luz mais incrível de todas, mas é preciso considerar que não existe a menor possibilidade de controlar a luz do sol e isso significa que sua intensidade muda em segundos, nos obrigando a fazer ajustes constantes entre um clique e outro. Não existe a menor possibilidade de trabalhar com a câmera no automático se o objetivo é obter fotos com alguma identidade ou diferencial. Eu uso uma câmera Canon 5D Mark III ou 5D SR com lente 70-200mm F/2.8L ou 50mm F/1.2L. O único gadget que eu uso é um cartão WiFi para transferência imediata da câmera para o meu celular.

Quais são os pontos positivos e negativos da sua profissão?

Mais legal é a falta de rotina e a possibilidade de a cada dia fazer coisas diferentes. O que me desagrada é ter que fotografar coleções que eu não acredito tanto e com profissionais que eu não admiro verdadeiramente.

O que mudou na fotografia nos últimos 10 anos?
Eu fotografo há 12 anos e estou há quase 10 anos em São Paulo.As imagens que eram impactantes há 10 anos, hoje já não fazem mais sentido algum. A estética da linguagem fotográfica de moda vive em constante mudança.

 

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PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Sabe aquele amontoado de fotógrafos no final de toda passarela? Pois ele tem nome: PIT. E saiba que é um dos espaços mais disputados de qualquer semana de moda! Eles são os primeiros a entrar nas salas de desfile e têm a missão importantíssima de registar todos os looks (que podem passar dos 50 em alguns casos!) nos melhores ângulos e em um curto espaço de tempo.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Os fotógrafos de passarela já instalados no PIT, de forma que todo mundo consiga ter uma visão limpa da passarela (Foto: Hick Duarte)

Pelos corredores da Bienal, é fácil identificá-los: os fotógrafos de PIT são aqueles correndo com câmeras, lentes e escadas (pois é!) para conseguir um bom lugar no próximo show, enviar as fotos que acabaram de ser capturadas ou até mesmo comer alguma coisa entre um desfile e outro. Afinal, o trabalho sempre vem em primeiro lugar. Conversamos com alguns desses profissionais durante o SPFW para tentar entender como é de verdade passar uma semana fotografando a passarela.

A rotina agitada do Pit

Durante uma semana de moda, os fotógrafos dormem pouco, comem mal e estão sempre com pressa. Eles acordam cedo, porque precisam chegar com 2 horas de antecedência nos desfiles externos (que costumam começa as 10h). Depois disso, vão para Bienal, onde ficam correndo de um desfile para o outro entre as 15h e 22h. “É bem puxado, você dorme menos de 6 horas por dia. Eu ainda não almocei e já são 20h45, vou comer só agora, por exemplo”, contou o fotógrafo Alexandre Schineider, que estava ali pelo portal UOL. Haja café e energético!

Depois de cada desfile, é essencial enviar as fotos o mais rápido possível – no jornalismo, ganha quem der a notícia antes. Rafael Chacon estava cobrindo o evento pelo FFW, que é o portal de conteúdo da Luminosidade, e por isso contava com uma equipe para ajudá-lo. “Tem uma ilha de edição na sala de imprensa com duas assistentes que ficam levando e trazendo os cartões de memórias. Como essas fotos são pro site oficial, tem duas câmeras que já ficam cabeadas com o editor, pra quando o quinto look estiver entrando na passarela, o primeiro já estar no ar”.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Além de fazer as fotos, tem todo um trabalho de pós produção que envolve tratamento e enviar as imagens o mais rápido possível!

Os dois lados

A maioria dos fotógrafos concordou que uma das melhores partes dessa função é a parceria que rola entre eles. Depois que todos estão instalados lá no final da passarela, ainda tem que esperar o desfile começar – e eles normalmente atrasam! Ou seja, rola um tempo para conversar, trocar ideias e aprender com a experiência alheia. “No final de tantos anos, você acaba fazendo amigos”, complementou Alexandre Schineider. “A pior parte é a espera”, admitiu Rafael Cachon, “você fica de pé muitas horas, além de ter que ficar andando pra cima e pra baixo o dia inteiro”.

O que rola dentro do PIT

Para manter a organização, existe uma ordem para os fotógrafos se acomodarem no PIT. Os fotógrafos contratados pela marca que desfila são os primeiros a escolher seu lugar, seguidos pelos fotógrafos oficiais do evento e, só depois, o resto da imprensa – que escolhem seus lugares por ordem de chegada. “A bagunça lá dentro é divertida, apesar de ser muito corrido e muito frio, por causa do ar condicionado”, conta Georgea Carrera.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

A foto é de um documentário intitulado PIT, dirigido Alan K, que mostra justamente como é o trabalho dos fotógrafos de passarela

E o que faz um fotógrafo ser bom no clique dos desfiles? Rodrigo Moraes acha que, além do posicionamento, depende muito da técnica, do olhar e do estilo de cada um. Marina Vinck concorda que o olhar, uma característica que nasce com o fotógrafo, é muito importante, mas a experiência também conta bastante. Já para Alexandre, o profissionalismo acaba sendo o diferencial. “A postura pra trabalhar, o jeito que encara o trabalho, o comprometimento, o compromisso com o cliente, com o veículo que você está fotografando. É isso que faz um profissional se destacar no meio dos outros”, argumenta. E a gente aqui do Costanza Who concorda em número, gênero e grau!

Acompanhe

Essa matéria faz parte da cobertura do SPFW N41

 

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Larissa Felsen, fotógrafa de moda e beleza

Atual fotógrafa-queridinha da Glamour, Larissa Felsen veio de Atibaia pra São Paulo seguir seu sonho em 2010, e quatro anos depois pode-se dizer que ela encontrou tudo aquilo que buscava. Foi ela quem fez as fotos para a revista do (maravilhoso) Ian Somerhalder quando ele passou pelo Brasil e também quem fotografou aquela coleção incrível da Farm em parceria com a Adidas, sabe? Pois é, não seria errado dizer que 2014 está sendo o ano da Larissa, mas que daqui pra frente só podemos esperar trabalhos cada vez mais bacanas. 

Larissa Felsen fotografa de moda

DE ATIBAIA PARA SÃO PAULO

Larissa é a prova de que talento e força de vontade são capazes de te levar muito longe. Formada em jornalismo, ela começou a se aventurar na fotografia ainda adolescente fazendo algumas fotos estilo editorial de moda com as amigas, mas sem as roupas, sem modelo profissional. “É a sua amiga ali, sendo bacana com você.” Durante a faculdade, teve apenas um semestre de fotografia e toda o seu conhecimento teórico no assunto vem de livros que herdou de um tio, de forma completamente autodidata. “O interessante é que os livros são dos anos 70, 80 – a teoria é toda das câmeras analógicas e elas são bem mais complexas que a digital. Com a digital você fala tem várias chances de errar, apagar e tentar de novo”.

Foi no meio do curso, já sabendo que não queria trabalhar com jornalismo e tendo explorado a fotografia de forma amadora, quando começou a surgir a ideia de tornar o que então era apenas um hobby na sua profissão. Com isso, Larissa entrou no dilema de trocar o certo pelo duvidoso, já que pra se tornar fotógrafa profissional teria que se mudar pra São Paulo. “Acredito que a vida é curta, eu tenho essa vida agora então decidi fazer o que eu quero dela e ver se dá certo. E deu.”

OS PRIMEIROS JOBS

“Dei assistência durante um ano para um fotógrafo – eu entrei, na verdade, para aprender sobre luz. A minha experiência era toda externa, eu não sabia mexer em estúdio nem nada.” Depois de absorver o básico, era hora de mais um salto na carreira – começar a fotografar sozinha. Além do seu trabalho como assistente, Larissa Felsen também fez muitos jobs de testes em agências de modelo quando chegou em São Paulo – e, na época, seu portfólio se resumia a isso somado ainda às fotos de suas amigas de anos atrás. Mesmo assim, logo que saiu do estúdio do fotógrafo já conseguiu seus primeiros jobs.

Larissa Felsen fotografa de moda

Alguns dos esquemas de iluminação rascunhados por Larissa

“Um dos meus primeiros trabalhos empolgantes, não necessariamente o primeiro, foi a campanha que fiz para uma marca de surf em 2011. Você para e pensa: gente, é uma camapanha – são 40, 60 looks e sempre tem aquela insegurança se você vai dar conta. Sempre fico ansiosa antes, obcecando com cada detalhe e planejando todo o esquema de luz que, no dia, nunca acaba sendo aquilo mesmo. Mas no dia das fotos mesmo você acaba relaxando.”

A solução da Larissa pra praticar as habilidades fotográficas, ter liberdade nas escolhas visuais e ainda dar um up na carreira? Fazer as fotos simplesmente como portfólio, e depois procurar alguém que queira publicá-las. “Um editorial memorável foi um que fiz pro site Ben Trovato. Isso foi em 2011, um dos meus primeiros editoriais. Liguei na agência de modelo e falei – eu quero a Nathalia Oliveira, que na época estava fazendo Elle. E era naquele esquema sem cachê, num domingo. E nem eu acreditei, mas deu certo!”

SERÁ QUE FOTÓGRAFA TAMBÉM TEM ROTINA?

“Ah, cada trabalho é diferente. Eu gosto muito quando o cliente entra em contato com um ou dois meses de antecedência para fazer campanha, pra ter tempo de trocar referência. Mas geralmente as revistas que eu faço dão um briefing um dia antes. A minha rotina tem sido mais: Você tá livre amanhã? Tô.” Numa semana comum, Larissa fotografa de quatro a cinco dias entre revistas, campanhas e, raramente, books de modelo.

“Em termos de rotina é acordar cedo, fotografar o dia todo, voltar pra casa, passar as fotos, já pensar na foto de amanhã… E eu sou muito obcecada com equipamento, então eu sou aquela que eu fico de olho na bateria que tá carregando, tô tratando foto mas ela tá ali… Aí colocar tudo na mala, ver se está tudo realmente na mala.” E o que parece ser óbvio, como o prazo de entrega das fotos, na verdade é um dos diferencias da profissional principalmente ao tratar com o mercado editorial. “Eu tenho obsessão também mandar as coisas muito rápido. Se eu tiro uma foto hoje e acaba relativamente cedo, tento mandar no mesmo dia pelo menos as fotos em baixa. E isso faz diferença porque jornalista, especialmente em época de fechamento, tá sempre com pressa.”

Larissa-Felsen_fotógrafa-de-moda_Costanza-Who O EMPREGO DOS SONHOS TAMBÉM TEM SEUS DOIS LADOS

“A melhor parte é acordar todos os dias e falar gente, que sorte que eu tenho de fazer o que eu realmente gosto e conseguir manter uma vida com isso. E outro lado que eu vejo como muito positivo é a satisfação depois que você fez a foto, seja revista, campanha, pra você mesmo, de você terminar o trabalho e poder dizer: eu fiz uma coisa bonita hoje. Eu acho que o mundo é muito pesado, muito estressante e feio, de certa forma. Fazer uma coisa bonita tem uma importância pra mim e me faz feliz.”

E como toda profissional que aprendeu que colocar o sonho no topo da lista de prioridades muitas vezes é necessário, um dos lados negativos geralmente é o que você deixa de lado pra chegar onde quer. “A minha vida social tem andando meio em baixa. Vamos sair? Vamos, mas de repente a revista precisa de um abre e eu não perco oportunidade. Mas eu acho que negativo mesmo talvez seja a falta de respeito com a categoria, mas isso vem desde uma esfera maior, de governo. Vem um pouco também da má imagem que fotógrafos irresponsáveis, que não entregam as fotos, que fazem um trabalho ruim, deixam no mercado. Mas é isso, acho que em todas as áreas tem muita gente boa mas muita gente não tão boa.”

 

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