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PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Sabe aquele amontoado de fotógrafos no final de toda passarela? Pois ele tem nome: PIT. E saiba que é um dos espaços mais disputados de qualquer semana de moda! Eles são os primeiros a entrar nas salas de desfile e têm a missão importantíssima de registar todos os looks (que podem passar dos 50 em alguns casos!) nos melhores ângulos e em um curto espaço de tempo.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Os fotógrafos de passarela já instalados no PIT, de forma que todo mundo consiga ter uma visão limpa da passarela (Foto: Hick Duarte)

Pelos corredores da Bienal, é fácil identificá-los: os fotógrafos de PIT são aqueles correndo com câmeras, lentes e escadas (pois é!) para conseguir um bom lugar no próximo show, enviar as fotos que acabaram de ser capturadas ou até mesmo comer alguma coisa entre um desfile e outro. Afinal, o trabalho sempre vem em primeiro lugar. Conversamos com alguns desses profissionais durante o SPFW para tentar entender como é de verdade passar uma semana fotografando a passarela.

A rotina agitada do Pit

Durante uma semana de moda, os fotógrafos dormem pouco, comem mal e estão sempre com pressa. Eles acordam cedo, porque precisam chegar com 2 horas de antecedência nos desfiles externos (que costumam começa as 10h). Depois disso, vão para Bienal, onde ficam correndo de um desfile para o outro entre as 15h e 22h. “É bem puxado, você dorme menos de 6 horas por dia. Eu ainda não almocei e já são 20h45, vou comer só agora, por exemplo”, contou o fotógrafo Alexandre Schineider, que estava ali pelo portal UOL. Haja café e energético!

Depois de cada desfile, é essencial enviar as fotos o mais rápido possível – no jornalismo, ganha quem der a notícia antes. Rafael Chacon estava cobrindo o evento pelo FFW, que é o portal de conteúdo da Luminosidade, e por isso contava com uma equipe para ajudá-lo. “Tem uma ilha de edição na sala de imprensa com duas assistentes que ficam levando e trazendo os cartões de memórias. Como essas fotos são pro site oficial, tem duas câmeras que já ficam cabeadas com o editor, pra quando o quinto look estiver entrando na passarela, o primeiro já estar no ar”.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

Além de fazer as fotos, tem todo um trabalho de pós produção que envolve tratamento e enviar as imagens o mais rápido possível!

Os dois lados

A maioria dos fotógrafos concordou que uma das melhores partes dessa função é a parceria que rola entre eles. Depois que todos estão instalados lá no final da passarela, ainda tem que esperar o desfile começar – e eles normalmente atrasam! Ou seja, rola um tempo para conversar, trocar ideias e aprender com a experiência alheia. “No final de tantos anos, você acaba fazendo amigos”, complementou Alexandre Schineider. “A pior parte é a espera”, admitiu Rafael Cachon, “você fica de pé muitas horas, além de ter que ficar andando pra cima e pra baixo o dia inteiro”.

O que rola dentro do PIT

Para manter a organização, existe uma ordem para os fotógrafos se acomodarem no PIT. Os fotógrafos contratados pela marca que desfila são os primeiros a escolher seu lugar, seguidos pelos fotógrafos oficiais do evento e, só depois, o resto da imprensa – que escolhem seus lugares por ordem de chegada. “A bagunça lá dentro é divertida, apesar de ser muito corrido e muito frio, por causa do ar condicionado”, conta Georgea Carrera.

PIT: o trabalho dos fotógrafos de passarela

A foto é de um documentário intitulado PIT, dirigido Alan K, que mostra justamente como é o trabalho dos fotógrafos de passarela

E o que faz um fotógrafo ser bom no clique dos desfiles? Rodrigo Moraes acha que, além do posicionamento, depende muito da técnica, do olhar e do estilo de cada um. Marina Vinck concorda que o olhar, uma característica que nasce com o fotógrafo, é muito importante, mas a experiência também conta bastante. Já para Alexandre, o profissionalismo acaba sendo o diferencial. “A postura pra trabalhar, o jeito que encara o trabalho, o comprometimento, o compromisso com o cliente, com o veículo que você está fotografando. É isso que faz um profissional se destacar no meio dos outros”, argumenta. E a gente aqui do Costanza Who concorda em número, gênero e grau!

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Essa matéria faz parte da cobertura do SPFW N41

 

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O desfile da Amabilis no SPFW (e porque ele é tão importante)

“Nossa marca surgiu há 17 anos. Nós dois somos autodidatas, então começamos do zero mesmo – apanhando, levantando, e agora chegamos no SPFW”, me contou Robson Santos, um dos criadores da Amabilis, minutos antes do desfile no SPFW N41. Ao lado de Luiz Carlos Guidoni, a marca nasceu no Espírito Santo inicialmente no ramo de moda masculina. Isso é, até perceberem que as peças femininas criadas (literalmente!) com as sobras vendiam muito mais rápido. O nome, simpático, é uma homenagem à bisavó de um dos sócios.

O desfile da Amabilis no SPFW N41

A Amabilis foi a escolhida para apresentar sua coleção de Verão no SPFW pelo Sebrae e pelo IN-MOD. É que, desde junho do ano passado, os empresários da Amabilis e de outras quatro empresas brasileiras participaram do projeto Top Five. Elas receberam acompanhamento e consultoria de um time de especialistas sobre comunicação, desenvolvimento de produto, precificação e posicionamento em novos mercados. A marca capixaba foi escolhida pelo desempenho e por ter uma estrutura que dê conta do recado.

O objetivo dessa parceria é justamente ajudar na aceleração de micro e pequenas empresas no mercado da moda. Desde o início, em 2012, mais de 800 empreendedoras já participaram das chamadas “visitas técnicas” aos bastidores do SPFW – a maior semana de moda do hemisfério sul. Não é por menos: a indústria movimentou R$ 200 bilhões em 2015 e é predominantemente formada por pequenos negócios: são cerca de 500 mil empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano.

O desfile da Amabilis no SPFW N41

Ok, mas a coleção?

A Amabilis mergulhou nos mares profundos em busca de inspiração para uma mulher “livre e sensual”, com um quê de aventureira. “Tudo começou a partir de uma textura artesanal que se assemelha a uma rede e que conseguimos desenvolver com uma malha de jersey, que usamos há anos”, conta Luiz Carlos Guidoni. Ao som de uma orquestra ao vivo, nomes como Vivi Orth, Cris Herrmann, Daiane Conterato,  Ellen Milgrau e até a top Carol Ribeiro. Ufa!

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SPFW: como o novo formato “see now, buy now” vai afetar a imprensa de moda

Nossa, que título longo! Nas últimas semanas, muito se falou, especulou e opinou sobre o anúncio do Paulo Borges de que o SPFW seria a primeira semana de moda do mundo a aderir 100% ao tal formato “see now, buy now”. (A gente falou um pouquinho aqui da história do São Paulo Fashion Week aqui, lembra?) Em outras palavras, a partir de 2017 será possível comprar as roupas desfiladas logo após a apresentação.

O debate em torno do formato de desfile, que para alguns estaria ultrapassado, também não é novo – mas foi reacendido pela Burberry no começo desse ano. Mas, pelo menos hoje, o meu foco não é esse. E se você quiser entender um pouco mais sobre a mudança em nível global, sugiro esse ótimo e completíssimo texto do FFW. O que eu queria falar aqui é como isso vai afetar a imprensa especializada de moda.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

O que o modelo “see now, buy now” muda para a imprensa

Queria ilustrar o meu ponto de vista com um breve exemplo. Lá no começo do ano passado, tinha uma seção na L’Officiel de tendências em que, a partir de uma foto de desfile, a gente dava algumas sugestões de produtos. Nada inovador. Mas admito que deu um nó na minha cabeça até entender porque a gente sempre tinha que usar foto do desfile passado, e não do que tinha acabado de acontecer. É que, por exemplo, as roupas que estavam na loja da Gucci naquele exato momento, ainda eram do desfile da temporada passada. E consequentemente a história era outra – por mais que as tendências se repetissem, não podia.

Enfim, talvez uma história nem tão breve e um pouco confusa pra dizer que a minha primeira reação à mudança foi positiva. Eu acho sim que o formato tradicional não funcionava para mim na maior parte do tempo, mesmo na mídia impressa. O que não quer dizer, por outro lado, que eu tenha entendido 100% como as coisas vão funcionar a partir de agora – e acho que, honestamente, ninguém pode afirmar que sim. Por enquanto é tudo especulação e está em fase de adaptação.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

Mas como fica?

“A imprensa e o lojista vão ter acesso às coleções antes para fotografá-las e decidir as compras. E vai haver um contrato entre o jornalista e a marca, com embargo dessas imagens até o desfile”, explicou Paulo Borges em entrevista à Maria Rita Alonso (minha chefinha!) para o Estadão.

Pois bem, é aí que o negócio fica meio confuso pra mim. Qual o nível de controle que uma marca, em tempos de snapchat e periscope, pode ter sobre essas imagens? É como disse o sempre ótimo, e dessa vez cético, André do Val: se é para abraçar o imediatismo das redes sociais, falar em embargo soa contraditório. E outra: se a gente puder ver tudo em primeira mão seis meses antes, não faz muito sentido perder uma semana para ver tudo de novo.

Como disse lá em cima, a esse ponto é tudo especulação. E eu, como eterna otimista, sempre recebo de braços abertos as mudanças. Agora é questão de esperar e ver como cada uma das marcas vai, ou não, se adaptar. Uma coisa é certa: a próxima edição, que começou a anunciar novos nomes no line-up, promete ser bem interessante. Para ficar de olho!

 

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