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Anos 70: música, cultura e moda

Os anos 70 foram marcados pela busca da liberdade, juventude e quebra de tabus. Diferente dos Anos 50, que buscava retomar o estilo de vida luxuoso perdido durante os anos de guerra, foi um período de grande efervescência política e cultural, que refletiu na moda através de uma grande variedade de movimentos e estilos, muitos deles heranças da década passada.

Moda_Anos-70_Costanza-Who Um dos estilos mais marcantes da época foi o movimento Hippie, difundido e popularizado através de do festival de música Woodstock em 1969, que em três dias de apresentações para um público de 400 mil espectadores reuniu na Califórnia nomes como Jimi Hendrix e Janis Joplin. Assim, o estilo de ser vestir do grupo de jovens que pregavam uma filosofia de paz e amor acabou se espalhando transformando as calças boca de sino, estampas, batas e cabelos longos combinados com barbas, no caso dos homens, em moda. Foi nesse momento também que a moda se tornou unissex pela primeira vez.

O hippie não foi o único estilo a ser influenciado pela música. O movimento punk também de se difundiu através de grupos musicais. Em Londres, no começo dos anos 70, estudantes se reuniam com o lema “No Future” em uma boutique no final da King’s Road, local onde Vivienne Westwood e seu marido Malcon McLaren possuíam uma boutique fetichista chamada “sex”. O casal acabou adotando o movimento e o intelectualizando, e assim criaram a banda Sex Pistols e seu visual transgressor marcado por calças rasgadas, rebites, alfinetes, jaquetas de couro e cabelos com cortes e cores diferenciadas. Através das canções de oposição ao governo criadas pela banda, a moda também criada pelo casal começou a ganhar adeptos pelo mundo.

A música também foi responsável por influenciar o movimento Glam. Associada a artistas representantes do gênero Glam Rock, a estética andrógina marcada por brilhos e exageros marcou a quebra de gêneros. David Bowie ao aparecer com plataformas e maquiagens transmitiu a mensagem que não importa se é masculino ou feminino, mas sim sua individualidade. A moda dos anos 70 também se inspirou na soul music, quando o movimento Black is Beautiful utilizou o estilo musical para resgatar as raízes afro.

Moda_Anos-70_Costanza-Who No Brasil, durante os anos 70, vivia-se sob o contexto da ditadura e da repressão. Esse momento também propiciou o surgimento de movimentos culturais que viriam a influenciar a moda. Foi o caso da Tropicália, onde grandes expoentes da vanguarda brasileira utilizavam música, artes plásticas, cinema e teatro como forma de denúncia da situação política do país. Caetano Veloso, Gilberto Gil e a banda os Mutantes são alguns dos nomes que representavam o movimento. Também foi nesse período que a estilista Zuzu Angel perdeu seu filho para a ditadura e começou a trazer a temática brasileira para suas peças e estampas, ganhando notoriedade nos Estados Unidos.

Além da variedade de estilos da década de 1970, o surgimento do conceito de griffe foi um importante marco da época. Com a criação das roupas feitas em série, criou-se esse conceito como uma forma de diferenciação através do vestuário, uma forma de deixar a marca de um criador na peça.

Moda_Anos-70_Costanza-Who Também foi nesse período que surgiram as feiras de tendência e os bureau de estilo. Durante os anos 70 utilizava-se muitos tecidos sintéticos, porém com o apogeu da crise do petróleo houve uma preocupação crescente com a indústria têxtil e seu futuro, o que levou a França a criar um comitê de estilo para direcionar propostas de moda de uma forma em que todos trabalhariam referências semelhantes e seguissem um caminho mais seguro. Dessa forma surgiu a Premiere Vision, a primeira feira de moda, onde esses caminhos seriam apontados e os fabricantes poderiam expor suas inovações. A Premiere é até hoje a principal feira de lançamentos de moda do mundo.

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

 

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Os loucos anos 20

Os anos 20, também conhecidos como “Anos Loucos”, foram um período de liberdade e modernização. Com o fim da Grande Guerra o clima era de euforia e efervescência cultural. Paris era o lugar onde as coisas aconteciam e de lá vinha a maior lançadora de tendências da época: Coco Chanel.

A moda da década rompeu com todos os padrões estabelecidos anteriormente. Roupas soltas com cortes retos, silhueta cilíndrica e cintura baixa vestiam as mulheres da época. Os cabelos cortados na altura do queixo à la garçonne, meias finas brancas e um chapéu choche (sino em francês) arrematavam o visual das melindrosas. O fim dos espartilhos combinava com a mulher da década de 20 – mulher essa que começava a ter seu espaço, dirigir, fumar e as mais ousadas até se aventuravam a buscar carreiras profissionais. A mulher dos anos 20 gostava de se divertir em cinematógrafos e salões, onde precisava de roupas que deixassem seus movimentos livres para dançar o Charleston, ritmo predominante.

Anos 20 Os vestidos para o dia eram feitos de tecidos leves, como seda, tafetá, gaze, chiffon, crepe da china e linho, e não tinham muitos detalhes, já que o importante eram os próprios materiais e as estampas. Já as roupas de noite eram cheias de glamour, com brilhos e brocados feitos a mão. A maquiagem era pesada, os olhos pintados com kajal e a boca desenhada com batom carmim em forma de coração contrastavam com a pele bem branca de pó de arroz.

A austeridade também foi deixada de lado pelo homens, que passaram do dandismo predominante na Belle Époque para o estilo spotsman. O guarda-roupa dos almofadinhas, como ficaram chamados os homens da época, era dominado por paletós e calças mais justas feitos de tecidos leves, sempre em cores claras. Esse novo estilo caracterizou uma geração que desejava enriquecer longe das influências familiares e valorizava a prática de esportes e a diversão.

Anos 20 Apesar de a moda brasileira seguir as tendências parisienses, o modo de produção era diferente. Na capital francesa se destacavam os grandes estilistas. Além de Chanel, outros nomes influentes eram Jean Patou, que com seu forte sportswear fez diversas coleções para a tenista campeã Suzanne Lenglen, Jeanne Lanvin e Madeleine Vionnet. Por aqui ainda não havia um mercado de moda, e a criação de roupas não era vista como manifestação artística. As roupas eram feitas por alfaiates e costureiras, e as modistas eram as responsáveis pelas roupas especiais e mais ornamentadas. Ao longo da década, nos grandes centros urbanos, começaram a surgir grandes lojas, como Sibéria, Colombo e Casa Raunier no Rio de Janeiro e o Mappin em São Paulo, porém as roupas vendidas nesses espaços ainda eram importadas.

Anos 20 A moda da década de 20 sempre esteve no imaginário popular, mas recentemente ela deixou de ser vista apenas nas fantasias de melindrosas e serviu de referência para grandes grifes como a Gucci, que desfilou uma coleção que remontava a “Era do Jazz” em seu Verão 2012. O jeito de viver e vestir-se dos loucos anos 20 também (muito bem) retratado no O Grande Gatsby – que aliás ganhou o Oscar por Melhor Figurino. Vale mesmo a pena conferir o trabalho da figurinista Catherine Martin!

*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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Anos 60: a liberdade e a mini-saia

É uma tarefa quase impossível definir um único estilo para a década de 60. O período foi de grande efervescência cultural e a palavra de ordem era liberdade. Após o baby boom e o consumismo provocados pelo fim da guerra nos anos 50, a década que se seguiu foi dominada por uma explosão de juventude e a moda deixou de seguir um único padrão: se vestir passou a ser uma questão comportamental acima de tudo.

Anos 60

André Courrèges criou as “moon girls”, que vestiam roupas curtas e de linha reta, com cores metélicas ou fluoresecentes e botas brancas. Paco Rabanne levou o metal para as roupas, criando verdadeiras armaduras maleáveis. Pucci explorou a psicodelia em suas estampas que viraram febre e Yves Saint Laurent foi buscar inspiração na moda masculina para criar o smoking feminino, um reflexo da nova posição da mulher na sociedade.

Anos 60 Anos 60

O destaque da década, no entanto, foi a mini-saia. O crédito de sua criação é dado à inglesa Mary Quant e ao francês André Courrèges, mas a própria estilista afirma que a tendência veio das ruas, que eram a grande fonte de inspiração dos criadores. A mini revolucionou os padrões de vestuário feminino e até hoje é considerado um clássico. Com a moda de rua ditando tendências, a alta costura perdeu espaço e surgiu o chamado prêt-à-porter de luxo. O número de boutiques cresceu e a moda ganhou uma nova velocidade – era preciso ser criativo, pois os consumidores estavam cada vez mais ávidos por novidades. Londres se tornou a capital fashion, afinal lá estavam os jovens mais estilosos e o grande fenômenos musical da década, os Beatles.

Assim como os estilos, os ícones da moda também eram bem diferentes entre si. Da modelo Veruschka, como seus traços exóticos e altura incomum para a época (1, 83m), símbolo do movimento Swinging London, até Audrey Hepburn, com toda sua delicadeza e classe. Da sensualidade e dos cabelos rebeldes de Brigitte Bardot ao minimalismo e cílios marcados de Twiggy. Grafismos, óculos de gatinho, maquiagem com foco nos olhos, pernas de fora, gola alta – tudo foi um reflexo das transformações ocorridas na década de 60. A corrida espacial, a pílula anticonscepcional, a contracultura, entre outros, foram mudanças que culminaram em uma geração criativa e com desejo de liberdade e novidades.

Anos 60

No fim dos anos 60 começa a surgir o movimento hippie: os jovens buscavam um novo modelo de vida, que se afastasse do sistema, com muita paz e amor. A moda passou a valorizar as roupas dos operários, como o jeans. O étnico e o psicodélico estavam em alta, em roupas soltas e esvoaçantes. Foi no fim da década, em 1968, que os movimentos estudantis ganharam força e contestaram os modelos vigentes de sexualidade, educação, costumes e estética. Em 1969, o Festival de Woodstock e a chegada do homem à lua fecharam a década dos contrastes, que continua a influenciar a moda atual.

*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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