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O projeto BtoBe da Casa de Criadores

Até a última edição, o projeto Ponto Zero era considerado uma das principais portas de entrada para estilistas apresentarem coleções na Casa de Criadores. A partir desse ano, no entanto, o projeto será substituído pelo BtoBe (Brazilians to Be), concurso que agora abrange sua atuação para representantes do todo o Brasil. O BtoBe surgiu de uma parceria entre a Casa de Criadores e o Texbrasil e seleciona talentos em duas categorias: Empreendedores de Moda e Estudantes de Moda.

O concurso garante aos vencedores um certo acompanhamento em atividades de capacitação e promoção comercial. “Nosso objetivo é desenvolver, em parceria com a Apex-Brasil, uma mentalidade global de negócios, dando apoio para que os estilistas aprimorem suas atividades em diversas áreas”, comenta Evilásio Miranda, gerente do núcleo de moda e design do Texbrasil. Projeto BtoBe - Brazilians to be
“Estamos muito satisfeitos com a real ampliação do concurso, que teve inscritos de estados como Ceará, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Norte, para citar alguns exemplos. Já nesta primeira edição, comprovamos a existência de uma demanda reprimida por parte de outras capitais, como Belo Horizonte, antes não contempladas pelo Ponto Zero.”

Para o idealizador e diretor da Casa de Criadores, André Hidalgo, o BtoBe nada mais é do que uma evolução natural do Ponto Zero, criado em 2008. “Sempre tivemos como foco a descoberta de novos talentos com potencial empreendedor. A principal diferença do BtoBe, além da abrangência nacional, é que agora teremos um braço para abrigar estilistas que tenham vontade de desenvolver suas marcas no Brasil e no exterior, independentemente de terem um diploma universitário”, explica Hidalgo.

Para esta primeira edição, foram selecionados no total 12 finalistas, que apresentarão seus trabalhos hoje, no último dia da Casa de Criadores. Na categoria Estudantes de Moda, os candidatos foram escolhidos levando em consideração aspectos comerciais, conceituais e técnicos, como originalidade, qualidade e escolha de materiais. Os finalistas são: Fabio Lima Malheiros – Faculdade Santa Marcelina (SP), Nathan Henrique de Sousa – Universidade Anhembi Morumbi (SP), Flávia Ventura Castro – Universidade Federal de Minas Gerais (MG), Thiago Bernardo da Silva – Universidade FUMEC (MG), Giselle Batista Vieira – SENAC (SP) e Francisco das Chagas Pessoa Cacau Junior – Universidade Federal do Ceará (CE).

Já na categoria Empreendedores de Moda, a seleção dos candidatos levou em consideração questões como foco quesitos como planejamento comercial, capacidade de produção e comunicação de marca. Os finalistas são: Heloisa Strobel Jorge – Reptilla (PR), Naly Fernanda Cabral – Cycleland (SP), Carolina Barbosa de Faria – Carolina Barbosa (SP), Bruna Cineze Santini – UNAK (SP), Teca Pasqua – Cisô (SP) e Cinthia Madero/Mell Barbosa – Enk-b (SP).

Confira o desfile de todos os participantes do Projeto BtoBe na Casa de Criadores:

Casa de Criadores: uma história

Era maio de 1997 quando o jornalista André Hidalgo e um grupo de jovens talentos da moda decidiram se unir para projetar novos talentos e mostrar uma moda autoral e criativa – embora nesse ponto, esse objetivo do evento ainda não estivesse muito delineado. Foi assim que surgiu a Casa de Criadores, inicialmente chamada de Semana de Moda. Para André Hidalgo, que continua sendo o responsável pela organização do evento, a Casa sempre buscou se diferenciar do SPFW e nunca esteve interessada em competir diretamente com as grandes semanas de moda, destinadas a profissionais com mais estrutura. “Na Casa de Criadores os estilistas têm um pouco mais de liberdade para ousar, para criar coisas diferentes. Talvez por ser um evento jovem os trabalhos são mais conceituais e criativos. Depois o próprio mercado faz com que eles criem com fins comerciais”, descreve o jornalista.

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O começo

Segundo André Hidalgo, a maior dificuldade no início foi conseguir o dinheiro para fazer o evento acontecer. “A Casa de Criadores fornece tudo para os estilistas. Ele entra só com a coleção, todo o resto é fornecido pelo evento”. A primeira edição do evento aconteceu praticamente sem patrocinadores – a única marca disposta a contribuir com o evento foi uma de cosméticos, que deu apenas 30 mil reais. Modelos, maquiadores, cabeleireiros – todos trabalharam de graça pelo que o evento representava.

Da 5ª para a 6ª edição, o evento passou por grandes apertos: a Alcântara Machado, principal patrocinador do evento, tinha a intenção de aumentar a proporção da Semana de Moda, para que competisse com o então MorumbiFashion, hoje chamado de São Paulo Fashion Week. A resposta negativa de André , embora tenha afastado a marca, não prejudicou o evento, que só continuou a crescer com o passar dos anos. “Já tivemos muito dinheiro, pouco dinheiro, quase nada. Mas a gente tem que fazer um evento com qualidade, garantir ao estilista que vai ser uma boa apresentação, com tudo profissional, o som, a luz. Com o tempo fomos aprendendo”, resume. Mas foi na 8ª edição, em julho de 2000, que a Semana de Moda encontrou seu formato definitivo e adotou o nome Casa de Criadores. A mudança aconteceu para que o evento pudesse abrigar tanto criadores que estavam surgindo, como no caso dos participantes do projeto LAB, quanto estilistas já mais estabelecidos no mercado.

A organização do evento

A porta de entrada para o evento, desde sua criação, sempre foi o projeto LAB, em que os participantes selecionados desfilam menos looks, mas têm a oportunidade de apresentar seu trabalho em um evento de grandes proporções. Muitos nomes que alcançaram sucesso nas passarelas do evento passaram a integrar o line-up oficial, como é o caso de Karin Feller, hoje um dos desfiles mais aguardados da Casa de Criadores.

Assim como as Semanas de Moda tradicionais, a Casa de Criadores possui edições de inverno e verão. Segundo André, os organizadores nunca param realmente de trabalhar. “Quando termina uma edição nós já temos que começar a pensar na próxima, onde vai ser, quais serão os estilistas que vão participar. Temos também que apresentar projetos para a captação de recursos. Claro que os últimos três meses antes do evento são mais intensos, mas o nosso escritório funciona o ano inteiro”.

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Novas proporções

Desde o início da Casa de Criadores, em 1997, foi possível notar uma grande mudança no mercado da moda brasileira. “Nesses anos todos a moda foi se profissionalizando muito, antigamente era o próprio estilista quem tinha que costurar. Quando a gente começou era até mais romântico, hoje em dia é bem profissional. Os eventos, como o São Paulo Fashion Week, e as próprias marcas de maneira geral se profissionalizaram. Todo o exercício que a gente fez durante esse tempo, o espaço que a gente abriu, contribuiu para esse processo”, relata André Hidalgo.

O evento começou centrado em São Paulo, mas com o tempo absorveu estilistas de outros estados em diversos momentos da carreira. Além do line-up principal, a Casa de Criadores conta também com desfiles de alunos de algumas faculdades de moda, como a Santa Marcelina, a Anhembi-Morumbi, o Senac e a Belas-Artes. “Hoje esses estudantes já sem da faculdade prontos e bem resolvidos”, comenta de forma bem-humorada.

Foi graças a essa iniciativa de abrir um espaço para que jovens estilistas divulgassem sem trabalho que conhecemos hoje nomes importantes como Ronaldo Fraga, João Pimenta, Samuel Cirnansck, Juliana Jabour, Walério Araújo, Marcelo Sommer e André Lima, para citar apenas alguns. Muitos deles, hoje, integram a São Paulo Fashion Week. De acordo com André, “a nossa maior prova de sucesso são os nomes que a gente lançou e hoje estão aí, super bem no mercado”.

*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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