Camila Toledo, coolhunter do Stylesight

Caçador de tendências – essa é a tradução literal de uma das profissões mais comentadas do momento. Embora a descrição das tarefas de variem dependendo da área, o trabalho de um coolhunter nada mais é do que estar atento a tudo que acontece e perceber, antes de todo mundo, aquilo que vai virar tendência. E não pense que coolhunting é uma profissão exclusiva à indústria da moda! Empresas de todos os setores estão interessadas em saber qual será a próxima novidade do mercado e o que os consumidores estão buscando. E aí entra o trabalho da Camila Toledo, coolhunter do Stylesight.

Camila Toledo Stylesight

Camila Toledo hoje é diretora de tendências do Stylesight, mas começou a trabalhar como coolhunter muito antes desse termo existir. Formada em Propaganda em Marketing pela ESPM, Camila já tinha experiência em análise de comportamento para criação de campanhas publicitárias quando surgiu a oportunidade de trabalhar duas das maiores empresas de coolhunting de moda, o WGSN e o Stylesight. “Na época (1998), os bureaus de tendência internacionais já estavam despontando no mercado brasileiro e chamando atenção das empresas aqui. Quando eles vieram para o Brasil, precisavam justamente de uma pessoa que entendesse e analisasse a moda pelo ponto de vista do comportamento e não somente da construção da peça. Eu nem sabia o que era isso quando me chamaram! O termo coolhunting foi certamente criado alguns anos depois que eu já trabalhava com isso”.

Como foi a sua trajetória antes de entrar no Stylesight?

Camila Toledo – Além de trabalhar com publicidade, trabalhei muito com produto em empresas de b2c como Parmalat e Arcor, o que me deu também a visão e o conhecimento das limitações industriais. Como eu sempre fui uma profissional que entendia a moda pela óptica do comportamento, fui indicada para trabalhar no WGSN por uma colega de faculdade que, na época, trabalhava com Visual Merchandising. Quando ele veio para o Brasil, o bureau estava procurando uma profissional com o meu perfil e não uma estilista. Na verdade, um estilista não tem a visão ampla que precisamos. Precisamos de alguém que entenda um pouco de tudo, um pouco de economia, arte, tecnologia, política. E ajuda muito ser formada em Propaganda & Marketing, Administração e Moda. Trabalhei 4 anos no WGSN fazendo pesquisas até ir para o Stylesight. Já tive meu próprio blog chamado @camifashiontips que hoje foi abandonado e reduzido ao Instagram de mesmo nome.

O que faz uma diretora de tendências? Como é o seu dia a dia?

Meu trabalho é principalmente detectar as tendências internacionais que vão desembarcar por aqui mais cedo ou mais tarde. Eu visito durante todo ano os nossos 200 clientes no Brasil para ajudá-los a determinar o rumo de suas próximas coleções. Todos os dias trabalho para filtrar e analisar as informações que temos em mãos para entregar de forma mais precisa para cada um deles. Eu também dou palestras levando o conteúdo do Stylesight de forma analisada a todos por aqui.

Camila Toledo coolhunter Stylesight

Como funciona o Stylesight? Pra quem ele produz as pesquisas de tendências?

O Stylesight trabalha com uma equipe de especialistas com o olhar afiado para enxergar o novo em qualquer parte do mundo. Esse “novo” pode vir de qualquer lugar: da arquitetura, arte, moda, música, cinema… então trabalhamos sempre freneticamente em busca de novidades e coisas interessantes que saltam ao primeiro olhar. Nós temos correspondentes, que são aquelas pessoas que saem pelas ruas com uma câmera fotográfica debaixo do braço captando as novas informações como esponjas, e depois disso temos editores especializados, que vão analisar todas essas informações e determinar as tendências mais relevantes.

A gente tem um banco de imagens onde o cliente pode buscar todas as fotos tiradas por esses correspondentes e filtrar por estampas, calças, jaquetas, botões… Além disso, o nosso cliente conta com uma análise detalhada dos nossos especialistas/editores que vão destrinchar esse banco de dados em matérias de tendências e separar por departamento de jeans, acessórios, calcados, interiores, beleza…para homens, mulheres, crianças e mercado jovem. Nosso serviço é bem detalhista e leva para o cliente exatamente o que ele precisa.

O que uma pessoa precisa ter para trabalhar nessa área?

Para trabalhar com tendência, o profissional precisa entender e ver a moda pelo ponto de vista do comportamento e não somente da construção da peça. Precisa ser extremamente curioso e entender um pouco de tudo, um pouco de economia, arte, tecnologia, política. Precisa gostar de livros, cinema, ou pelo menos entender quais são os seriados mais populares hoje em dia e porquê. Claro que também estamos de olho no que as celebridades estão vestindo mas, principalmente, nosso olhar é treinado para detectar o novo (qualquer tipo de novo) e rapidamente deixar guardado numa caixinha porque daqui a pouco essa informação vai casar com outra.

Qual a parte mais difícil da sua profissão? E a mais divertida?

Acho que a parte mais difícil é controlar a ansiedade devido a chuva de informações que recebo por dia. Às vezes eu não consigo ver o último desfile da Chanel no dia que aconteceu. Mas tudo bem, não afeta o resultado final se eu vir o desfile hoje ou daqui a uma semana, porque o olhar que eu terei ao ver seguramente será diferente do olhar de qualquer outra pessoa. Além disso, estar sempre em salas de desfile, com o mundo tecnológico que vivemos hoje, só atrasa o trabalho. Tem desfiles que prefiro ver na foto em HD. A parte que mais me completa é sair de uma palestra e receber um elogio ou um cliente me dizer que eu o ajudei a criar a coleção ou dei várias ideias novas através da forma como eu expliquei as informações do Stylesight. Isso é o que mais me realiza.

Em época de Fashion Week, como fica sua rotina?

Atrapalhada e atrasada ! É uma correria só. Antes eu sempre caía doente, mas agora eu já aprendi a me hidratar e tomar vitaminas. Tem entrevistas para dar sobre o que eu vi, o que mais gostei e sempre querem saber qual é a tendência mais forte antes mesmo da semana de desfile terminar. Tem que ver todos os desfiles e ainda responder as questões diversas de jornalistas e clientes, tudo ao mesmo tempo. E, muitas vezes, de estações diferentes também, como quando estou vendo os desfiles de verão, mas as pessoas querem saber do inverno! Isso dá um nó na cabeça.

Eu também faço os reports de tendência dos Fashion Weeks Brasil, edito as imagens e mando para nossa equipe em Nova York fazer os ajustes finais. E, para arrematar, também tem eventos do Stylesight durante a semana onde eu apresento as principais tendências para a próxima estação. O jeito é não pensar muito e ir fazendo o que dá.

 

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4 comentários em Camila Toledo, coolhunter do Stylesight

  1. Juliana Manzini comentou:

    Camila Toledo sempreeee arrasa !!! Sou muito fã … Adorei a entrevista …

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