Taurina, carioca e uma das blogueiras mais vida real desse mundinho online. Sou fã de carteirinha da Thereza Chammas desde a época da escola, quando esse glamouroso mundo da moda que ela falava parecia muito distante da minha realidade, eu só podia sonhar em fazer parte. Em 2018, o Fashionismo completa 10 (!!!) anos de vida – quantos blog, entre milhares que já foram criados, vocês conhecem que existem há tanto tempo? Dá para contar nos dedos, né?

Thereza Chammas Fashionismo

Não é por menos que eu estava tão ansiosa para conversar com a Thereza e tentar entender como ela chegou até aqui sem nunca desistir e perder de vista a importância de um bom conteúdo, especialmente nos dias de hoje que a imagem e o Instagram parecem ter dominado o mercado de influenciadores. Nunca subestime a importância de um www próprio, como diria Ale Garattoni – e Thereza assina embaixo. Às perguntas!

Diz a lenda que você teve um pseudo-blog lá pra 2001, quando nem internet existia direito. Como foi isso? Você sempre gostou de tecnologia?

Eu nunca fui muito nerd, mas sempre atenta às novas tecnologias e formas de se comunicar! Em 2001, no meu primeiro ano de faculdade, fiz um Weblogger com amigas da faculdade. Era tipo um diário virtual grupal, no qual comentávamos de assuntos de arquitetura à dicas de noitada. Essa foi minha primeira interação com o universo de blogs, sempre 100% despretensiosa. Depois ainda fui heavy user de fotolog, praticamente um Instagram da década passada e ali preenchi minha cota de selfies e looks do dia.

Quando você criou o blog em 2008, você lia/acompanhava algum outro? Da onde veio essa ideia numa época onde os blogs ainda estavam começando a nascer?

Quando eu decidi criar o Fashionismo, os únicos blogs que acompanhava mesmo eram os de Big Brother rsrs. Com o fim do programa, achei tão legal a dinâmica e interação que resolvi criar o meu, só não sabia o assunto! Eis que na mesma época, fui pesquisar sobre vestidos para madrinhas e caí no blog Bem-Casadas (que hoje é o site da Constance Zahn), fiz uma pergunta e ela me respondeu quase que na mesma hora. Achei tudo aquilo mágico e só reforçou meu desejo de ter um pra mim, daí pensei: do que eu gosto de falar? Fez-se um blog de moda, beleza e celebridades (naquela época era o auge de Lindsay, Paris e cia, ou seja, prato feito pra muitos assuntos). Depois disso comecei a pesquisar vários blogs do universo de moda e lembro que o primeiro que li e me identifiquei de cara foi o It Girls da Alê Garattoni!

Você teve algum estalo, alguma coisa que te fez decidir levar o que era um hobby até então mais a sério?

Um ano após a criação do blog, eu seguia super ativa nesse universo e deixando um pouco de lado meu amor pela arquitetura (naquela época eu ainda trabalhava na área). Eis que decidi abandonar o emprego (ele era dos sonhos, na segunda maior construtora do país) e decidir realizar meu sonho de morar fora. Com isso, passei 5 meses estudando moda em NY e essa foi uma época que o blog bombou de posts sobre a cidade e cada vez mais a audiência crescia. Assim que voltei, naquela hora de voltar a procurar emprego na área, comecei a receber e-mails pedindo meu “mídia kit” – na época eu nem sabia do que se tratava, mas logo comecei a entender que eu poderia ganhar dinheiro escrevendo e que meu hobby poderia virar profissão. Em 2009, basicamente ninguém ganhava dinheiro com internet e foi o início do boom das blogueiras. Assim, resolvi focar nisso, abri a empresa e começou a dar muito certo, em 6 meses já passei a ganhar mais que meu salário de arquiteta.

Thereza Chammas Fashionismo
Foto da comemoração do primeiro ano do “Melhor Grupo Day”, mais uma comprovação de que tudo que Thereza põe a mão dá certo!

Quem mais te incentivou nesse processo? Alguém te disse que jamais daria certo?

Confesso que no início meus pais ficaram bastantes receosos (afinal, eu tinha dispensado um emprego dos sonhos e com carteira assinada), mas com o tempo viram que isso era possível e apoiaram muito, minha mãe me ajudou a abrir a empresa e cuidar da parte burocrática. E meu ainda namorado na época (hoje marido) achava o máximo esse novo universo (ele é publicitário e trabalhava com marketing), então me ajudou no lado mais business. Em 2011, quando saiu uma das primeiras listas do Signature 9 (ranking que elegia os 99 blogs de moda e beleza mais influentes do mundo) e o Fashionismo apareceu, contei pros meus pais e foi justamente nesse dia que a ficha deles caiu que meu trabalho fazia um sentido e tinha alguma relevância, foi tipo orgulho da família!

Qual foi a primeira ou mais importante parceria que você fechou e que você mal acreditou?

Eu lembro de algumas especiais, a Hope foi a primeira marca com a qual trabalhei e isso foi inesquecível, na época eu fiz a cobertura do Fashion Rio pra eles. A Carmen Steffens foi a primeira marca com a qual tive um contrato anual e foi uma boa segurança na parte financeira, foram mais de 5 anos de parceria e sou muito grata a eles. Também lembro quando fiz uma série de posts com a Coca-Cola na época do Natal, por amar a marca, foi o maior orgulho, eu basicamente surtei, mas fingi costume.

Sobre projetos, um dos mais incríveis que participei foi ter sido convidada para os desfiles do Elie Saab, a primeira vez que fui contactada por eles mal acreditei. Na época, 2012, era tudo muito diferente e o Fashionismo foi o primeiro blog a fazer cobertura ao vivo do desfile do estilista. Nunca me esquecerei dessa sensação de ver o desfile do estilista ao vivo! Também assisti desfiles incríveis como Louis Vuitton, Nina Ricci, Burberry, Marc Jacobs e Jenny Packham, foram momentos inesquecíveis.

De lá pra cá, as coisas mudaram muito na blogosfera (aliás, até o termo está desatualizado). Do que você mais sente falta? E o que mais te empolga?

Eu sinto falta de ver mais gente postando como se fosse 2009. Não só da forma despretensiosa como se falava 8 anos atrás, mas simplesmente pelo simples hábito de postar. Vejo muitas blogueiras incríveis, que eu admirava acompanhar, abandonar o blog e ficar exclusivamente no Instagram. É indiscutível a força e soberania da rede, mas um blog segue sendo nosso domínio próprio, intransferível e, em tempos de mudança de alcance e timeline, no blog a gente que manda e isso é importante pra essa nova era digital que estamos vivendo. Tudo muda, redes sociais chegam e vão, mas o www segue nosso. E o que mais me empolga é ver novos blogs, uma nova geração, gente disposta a produzir um conteúdo autoral, interessante e que vá além de 1 clique ou 2 ou 3 linhas do Instagram.

Hoje tem muitas blogueiras cujas redes sociais ultrapassaram até a importância do próprio blog, mas eu vejo que o Fashionismo sempre foi e ainda é muito voltado pra conteúdo mesmo. Como esse processo te afetou?

O blog segue sendo o carro-chefe do Fashionismo e, apesar dessa mudança de perfil social, a audiência do blog segue ascendente, em 2016 tivemos mais de 9 milhões de acesso e esse ano passaremos essa marca. Como eu não faço look do dia, nunca consegui encontrar meu conteúdo no Instagram. Guardada suas devidas proporções, costumo brincar que eu prefiro ser a Vogue e não a Gisele rsrs, com isso gosto de elaborar conteúdo, desenvolver uma informação e isso é muito mais propício num blog. E eu sempre tive resistência ao Instagram, nem postava diariamente, mas desde janeiro vi que errei, que eu poderia criar uma forma de levar um conteúdo mais rápido, mas à la Fashionismo pra lá, e desde então tento complementar com fotos, editoriais, notícias e tenho notado um crescimento significativo, mas todas essas outras redes acabam sendo complementares pra essência, que é o blog.

Como ter ideias novas e interessantes pra postar todo dia durante 10 anos? Alguma vez nesse meio tempo você já pensou em desistir?

Às vezes até eu me pergunto como eu consigo criar novas pautas diariamente rs. Eu confesso que sou uma maquininha de posts, muito difícil ficar numa entressafra criativa, e muito se deve ao fato do Fashionismo ser um blog até mesmo eclético, fala-se de tudo, do look da famosa no tapete vermelho a um post sobre comportamento e business. Mas lógico que criei técnicas pra desenvolver pautas, montagens e posts, pois nem sempre a criatividade basta, mas o desenvolvimento precisa ser direto. Eu costumo ter de 15 a 20 posts guardados, caso eu fique sem postar, então o post de hoje eu já escrevi dias atrás (salvo quando é uma notícia do dia, uma pauta relâmpago). E atualmente posto uma média de 10-12 matérias por semana, então é tudo muito corrido, mas sempre tento mesclar pautas de moda, beleza, news e comportamento pra criar uma mistura interessante na semana.

E pra toda essa engrenagem funcionar só tem um segredo: estar sempre conectada, ligada nos assuntos, saber o que está acontecendo hoje. Um tweet pode virar post, uma foto no pinterest pode te inspirar pra um tema, o comentário da leitora pode te trazer uma reflexão, enfim, tem que estar 100% ligada e depois só botar tudo em prático. Com o tempo vira hábito e os posts surgem! Nunca pensei em desistir, nunca desanimei, acho que é porque meu hobby virou um trabalho, mas nas horas vagas, ele segue sendo meu hobby, acho que o nome disso é amor rsrs.

Nos últimos três anos você criou o grupo do facebook do blog, que pra mim era uma mídia totalmente sem importância e você conseguiu transformar em uma rede de superleitoras. Você sonhava que daria tão certo ou foi sem pretensão?

Eu acho que a palavra chave da geração blogs e dessa fase grupos é despretensão, na realidade, talvez, essa é a palavra chave pra tudo na vida. Quando eu criei o grupo, a ideia era reunir as leitoras mais engajadas da fanpage do blog (que era super ativa) para elas me ajudarem com o novo layout, com dicas e sugestões. No 1º dia foram mais de 1500 meninas que logo se entenderam e deram vida ao espaço. Se hoje eu criasse o mesmo grupo, acho que não daria tão certo por conta justamente da despretensão. Com isso, foi tudo surgindo de forma casual, natural e espontânea, com o tempo, e por ser uma comunidade muito ativa, aparei as arestas, organizei, mas de resto, quem faz a diferença são as leitoras, sempre com as melhores pautas, melhores comentários e que mantêm esse organismo vivo. Eu morro de orgulho em presenciar diariamente que tenho milhares de leitoras incríveis, inteligentes, que me ensinaram muito e de quebra me ajudam a fazer um blog melhor, afinal, o blog é feito por mim, mas para elas!

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