Por que eu não quero mais ter 21 pra sempre

Admito: embora minha cidade tenha sido a primeira a receber a Forever 21, ainda não tive coragem de pisar por lá. Uma semana após a sua abertura no shopping Morumbi, a espera para entrar na loja não dá sinais de trégua – são no mínimo três horas de fila, das 10hs às 22h em qualquer dia da semana. É óbvio que esse é o principal motivo de eu não ter corrido para adquirir vestidos por 30 reais e blusinhas por menos de 20. Mas foi só nesses últimos dias que percebi que na verdade eu nem estava assim tão animada com a chegada da loja em terras brasileiras.

Veja bem, quando viajo para o exterior a Forever 21 é sempre parada obrigatória no meu roteiro, então estava achando estranho não participar do frenesi que parece ter atingido quase todo mundo que conheço. Até que eu me toquei do porquê: depois de quase um ano da abertura do Costanza Who?, eu tenho visto a indústria da moda por um viés completamente diferente, e de uma forma inconsciente isso afetou a forma como eu tenho consumido moda.

Forever 21 Aos poucos eu desisti de renovar minha coleção de malhas da Zara a cada 3 meses porque elas ficam imprestáveis depois de algumas lavagens. Descobri que eu passava muito menor calor com uma blusa de manga longa de linho do que com uma regata de poliéster. E quando eu fui olhar meu guarda-roupa, percebi que da última passada pela Forever 21 (cerca de um ano atrás) não sobrou absolutamente NADA – seja porque a roupa se desfez de tanto usar ou porque ela simplesmente já não combinava com o resto mesmo.

Vou me apropriar do trocadilho que a Juliana Cunha usou numa matéria recente para o blog da Oficina de Estilo para explicar o meu ponto de vista: eu decidi que não é bacana ter 21 pra sempre. É legal ter uma opção viável aqui no Brasil pra consumir aquelas tendências que ficam saturadas em poucas semanas e a Forever 21 vai ajudar naquela história da democratização da moda e tal. Mas viver de fastfashion não deve, ou não deveria ser, o nosso objetivo de vida. Se você já ganha o suficiente pra cobrir seus gastos e ainda sobra um pouquinho para luxos pessoais, por que não tentar investir em peças com maior durabilidade, de tecidos melhores (e portanto mais confortáveis) e inclusive de uma marca nacional, se você estiver no clima de ajudar o crescimento da nossa indústria? E nem precisa zerar a conta bancária pra fazer isso, com um pouco de pesquisa é possível encontrar lojas com preços justos.

A consumidora da Forever 21, diferente do que poderia se esperar, dificilmente será aquela pessoa que realmente não pode gastar mais do que 20 reais numa saia. Não vou nem entrar no mérito de questionar como a marca chega em preços tão baixos (trabalho escravo tá aí gente) e nem falar em sustentabilidade, consumo ecológico ou esse tipo de questão polêmica. O meu ponto é que vestir-se tem que ser um ato mais autêntico e a gente tem que demorar mais do que 5 segundos pra fazer uma compra. O impulso gera aquele problema do barato que sai caro. Porque acredite, vai sair caro pro seu bem-estar e pro seu estilo.

16 comentários em Por que eu não quero mais ter 21 pra sempre

  1. Talita comentou:

    Oi Marina, ainda não tinha pensado por essa ótica. Que lojas nacionais você acha que valem a pena e não são tão caras ou que mesmo sendo caras valem o esforço?

    • Marina Espindola comentou:

      Oi Talita, tudo bom? Olha, vou admitir que nem sempre é fácil ter certeza daquilo que a gente tá comprando. Pra saber de trabalho escravo etc. recomendo o app MODA LIVRE, bem interessante. Pulando esse assunto, eu citaria de nacionais: Ellus, Maria Filó, Cris Barros, Juliana Moriya, Paula Ferber (sapatos), Iódice e Honey Pie (trabalho nela então posso dizer com segurança). Mas ressalto que não conheço a fundo o trabalho de todas essas, então é claro que estou aberta a cometer erros nessa seleção haha. A dica é sempre olhar com atenção a etiqueta daquilo que a gente tá comprando e ver do que se trata em termos de tecido, e assim já dá pra ter uma boa ideia.

  2. Mariano comentou:

    Fala de trabalho escravo, apoiar a indústria nacional mas… “Tomo pelo menos um litro de Coca-Cola por dia”.
    Ô hipocrisia.

    • Laís Oliveira comentou:

      hahahahaha A gente sempre volta pra velha história do “faz e acha que todo mundo faz igual”

    • Marina Espindola comentou:

      Oi Mariano, tudo bom? Não vejo como hipocrisia, até porque no texto eu nem me aprofundei na crítica ao trabalho escravo (que não era mesmo o foco) e nunca disse que não consumo nem vou mais consumir fastfashion. Eu quis só tentar levantar uma reflexão sobre o assunto, o meu ponto era mais dizer que tô preferindo peças mais duráveis. (In)felizmente adoro sim Coca e ainda não abri mão dela, mas acho que a gente tem que ser assim, dar um passo de cada vez e ir melhorando naquilo que a gente consegue, né?

  3. Cecília Sampaio comentou:

    FOREVER 21 = DISCRIMINAÇÃO PNE

    Fiquei muito triste com a estreia da loja no Brasil. Fui visitar a loja do shopping Morumbi, com a minha avó, neste domingo, e o segurança disse gentilmente (ironia minha), que não poderíamos entrar por aquele andar. Nos orientou a descer e entrar pela outra entrada.

    Expliquei que minha avó era cadeirante, e pedi sua compreensão. Disse como era difícil para nós chegarmos ao outro andar, e que queríamos visitar aquela seção da loja. Ele compreendeu: “Volte amanhã”.

    Acrescentou: “Idosos estão esperando na outra fila”.

    É realmente um péssimo cartão de visitas. Nos sentimos constrangidas e fomos para casa, embora houvéssemos pago estacionamento, nos programado e tudo mais (deixamos isso claro para o segurança).

    Minha avó ficou tão chateada que pedia, aos prantos: Me deixa aqui, estou atrapalhando vc…

    Um domingo ruim, graças à Forever 21.

  4. Yavanna greco comentou:

    Primeira vez que venho aqui e adorei o Post! Entendi bem onde querias chegar… Já cheguei nessa mesma conclusão, e olha que era fã de carteirinha de uma fast fashion!!! Hoje formada em moda, quero abrir minha marca e poder oferecer roupas de qualidade, que tenham valor e não só preço!!!
    Mais uma vez, adorei! Parabéns !!

    Beijos

  5. Bruna comentou:

    Olá, Mari. Tudo bem?
    Existe algo que mostre que a Forever 21, utiliza trabalho escravo em sua Produção de Roupas. Adorei o seu texto, porém acho que pode ser visto de outra maneira. Claro que quem pensa em qualidade vai pensar em pagar mais caro, e até mesmo em peças chaves. Mas a Moda, não é para durar pra sempre, ou é? Se for para sempre, não daremos entrada para o novo. É claro que qualidade, é o que importa. E acredito que é péssimo, ficar horas na fila, para pagar mais barato, ou seila (não sei sobre oque se passa na cabeça de consumidoras) mas é legal ter o novo, ou se sentir bem em comprar algo.
    Enfim, abraços. E uma ótima semana.

    • Bruna comentou:

      Existe algo que mostre que a Forever 21, utiliza trabalho escravo em sua Produção de Roupas? Perdão, foi uma pergunta! haha.

      • Marina Espindola comentou:

        Acho que a principal crítica à Forever 21 seja usar o algodão do Uzbequistão, que usa trabalho infantil – mas admito que eu não sei com mais detalhes para afirmar com certeza. Esse tipo de coisa é complicada.
        E obrigada pelo comentário, até porque eu acredito que haja esse outro lado sim. Acho que as fastfashions tem mesmo o seu lugar, pra tendências passageiras não vale a pensa investir$$ mesmo! Só não entendo o frenesi que leva as pessoas a se estapearem pra comprar haha.

  6. Gabriella comentou:

    Olá, Mari!
    Entendo o ponto de vista da matéria que prioriza qualidade mas pelas marcas brasileiras citadas, jamais se pagaria menos que R$100,00 em uma peça, o meu ponto é a Forever 21 pode ser o início de uma mudança de preços no mercado brasileira afinal por que lá fora podemos comprar mais barato e em nosso próprio País, não temos esse privilégio ( sem entrar na discussão de trabalha escravo pois como você mesma disse não há nada comprovado) Eu visitei a loja comprei peças por preços ótimos, adoro fastfashions e aproveitei para dar uma passada na Zara e noitei que haviam várias promoções, não seria uma influência da loja? Afinal grande parte da nossa população não tem poder aquisitivo para se dar ao luxo de ter peças mais caras e deveria ter o direito de consumir peças descoladas !

  7. Thais comentou:

    Concordo em partes. Fui visitar a loja na inauguração VIP. Tem muitas peças que não valem a pena mesmo seja pelo tecido, estilo ou preço. Mas é possível encontrar camisetas básicas por R$20,00 que tem a mesma qualidade de uma camiseta básica nacional que custa R$150,00.
    Acho que as pessoas precisam treinar o olhar pra entender o que vale a pena comprar em um Forever 21 ou em uma loja mais cara.

    • Marina Espindola comentou:

      Concordo 100% Thais – dá pra encontrar a MESMÍSSIMA PEÇA por 20 ou 150 reais, e muita gente não tem esse olhar treinado mesmo. Acho que a chave é saber aquilo que se está comprando e pagar só quando achar que o produto vale aquilo que custa!

  8. Laura Stoppa comentou:

    Ma, só agora consegui ler o tal artigo! Adorei.

    Mas olha, algumas peças são fubás mesmo, mas tenho camisetas e blusinhas da F21 e de outras que já duram anos. Uma de tricô, por exemplo, tinha tudo para puxar mil fios na primeira lavagem e sobrevive, há 2 anos, intacta no closet.

    Fora isso, todos precisamos lembrar em não generalizar. Aliás, ninguém é 100% perfeito, então continuemos com a Coca-cola, que nem tem nada a ver, né gente.

    Parabéns pelo artigo, de novo. Fast-fashion é como fast-food: sabemos que não presta, mas em pequenas doses não mata ninguém.

    E se for para entrar nos méritos de trabalho escravo, comecemos pela Nike e terminemos pela Gregory. Assim como é difícil saber o que estamos comendo hoje em dia, também é cada vez mais duro identificar com precisão as lojas totalmente confiáveis e por aí vai. Não é só em moda que existe trabalho escravo, galera.

    Beijocas!

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