Consumo consciente: uma reflexão

Em tempos de incerteza, o básico ganha força – é só olhar pro lado para comprovar a teoria. E o streetstyle não mente: ao invés de roupas mirabolantes, o que tem chamado a atenção dos fotógrafos hoje são looks que combinam peças mais clássicas e atemporais de forma inusitada, no máximo com um ou outro acessório mais expressivo.

Deixando a polêmica política e econômica para um outro momento, o fato é que a crise chegou para todos, e se antes valia a pena viajar para Miami e comprar pela metade do preço, agora tudo custa mais ou menos a coisa por aqui. Ou seja, renovar o guarda-roupa para acompanhar as tendências a cada temporada se tornou (ainda mais) inviável.

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Fotos retiradas do arquivo do blog Mr.Newton, um dos mais influentes atualmente de streetstyle

Paralelamente, perceberam como os termos consumo consciente e slow fashion estão em todo lugar? Depois do boom do modelo fast-fashion, é essa nova forma mais inteligente de consumir que está fazendo a cabeça das pessoas. De repente, ou talvez nem tão de repente assim, parou de fazer sentido comprar uma blusa que em menos de cinco lavagens já não dá pra usar nem como pano de chão ou uma jaqueta dourada com bolinhas verdes que você não vai querer nem olhar depois de vestir duas vezes.

Acho que já deu pra entender onde eu quero chegar, né? Não precisa ser nenhum gênio para perceber que as duas coisas estão ligadas, com a recessão vem a necessidade de repensar como a gente consome e é claro que a moda é uma das primeiras cadeias a ver esse resultado. Por natureza sou uma pessoa otimista, quase nível Poliana, e costumo dizer que crise gera oportunidade. Acho que essa mudança de raciocínio está levando muita gente a olhar para o que é produzido aqui dentro do nosso país, mesmo que seja por falta de opção, e isso é muito bom!

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Porque não faz mais sentido consumir como se não houvesse amanhã!

Mas o que isso tem a ver com a volta do CW? O blog ficou desativado principalmente por falta de tempo, é verdade. Mas refletindo aqui eu vi que não foi só isso, não: o meu relacionamento com a moda também não andava muito legal. Posso dizer? Senti mesmo falta de escrever por aqui. Trabalhar na L’Officiel está sendo uma das experiências mais desafiadoras e incríveis que eu já vivi, mas com o CW é outro tipo de amor. Aproveito para agradecer todos os leitores que continuam aparecendo por aqui – e para prometer que, à partir de hoje, podem voltar todos os dias que vai ter sempre muita coisa legal, sim!

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Um comentário em Consumo consciente: uma reflexão

  1. Patricia Cardoso comentou:

    OI Marina! Nao sei como cheguei ao seu blog mas olha, que surpresa boa cair nesse link! Estou ha dois dias lendo vários posts (li todos até chegar neste) e muitas vezes pensei em comentar, mas ai, fico pensando que tem horas que os comentários não agregam nada, dai é meio vazio, ne? De qualquer forma, quero dizer à vc que adorei sua abordagem e o cuidado com o blog. Os temas são legais e nada repetitivos (do que ja acostumamos à ver por ai) e provavelmente por isso parei para ler tantos posts =)

    Sobre o tema consumo consciente, tenho me animado ao ver tanta gente revendo hábitos, sabe? Desde que me mudei do Br (atualmente estou morando na Nova Zelândia) decidi usar todas as minhas coisas ate elas acabarem antes de comprar outras ou algo parecido. Com isso, parei de comprar cosméticos (porque, ORAS, quando aquela coisas terminam? nunca, ne? risos) e sapatos. É um alivio perceber que podemos não gastar dinheiro com coisas similares e evitar acumular, acumular..

    Outra decisão que tomei foi costurar todas as minhas roupas. Eu ja costuro ha muitos anos, dava aulas em SP, mas decidir não comprar mais roupas mudou muito minha percepção do vestir e da construção da roupa também.

    Bom, falei demais. Bom domingo e boa semana pra vc,
    Pat

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