O poder do essencial: Ateliê de Calças

Quando Liana Pandin tomou a decisão de investir no mercado da moda, não podia imaginar que, com isso, estaria deixando o mercado financeiro completamente para trás. Formada em Administração, em 2013 ela abriu um negócio apenas como forma de investimento, mas acabou se apaixonando pelo empreendedorismo. Não teve dúvida: depois de tentar conciliar os dois por um tempo, abriu mão de uma vaga no Bradesco para se dedicar 100% ao seu business.

Por experiência própria, Liana sabia que a mulher brasileira não tinha muitas opções de roupas para trabalhar com valor acessível e de qualidade. Foi assim que surgiu o Ateliê de Calças, um e-commerce que abriga modelos que vão da pantalona ao skinny e em materiais como o couro sintético e poliéster com elastano.

Ateliê de Calças

O site prioriza a experiência do cliente, com extrema facilidade na troca e a (ótima!) alternativa de provar as peças em casa. É como a fundadora da marca disse: “não adianta ter um produto bom se não existe atendimento excepcional, pós-venda com diferencial e, principalmente, uma relação próxima com o cliente”. Conversamos com Liana para tentar aprender um pouquinho com a sua experiência nesse segmento:

Como nasceu a ideia do Ateliê de Calças? 

Liana Pandin – A ideia surgiu para oferecer ao mercado uma calça atemporal, de modelagem impecável, tecido de qualidade, a um custo acessível. Como trabalhei a vida toda no mercado financeiro, era imprescindível estar vestindo um traje mais social e, como tenho 1,75m de altura, as calças sempre ficavam com aquela impressão de “falta de tecido” quando usava salto. Por isso, percebi que existia um nicho não atendido de peças com essas características e que custassem até R$400 reais. A ideia inicial era que o Ateliê fosse um lugar onde você encontraria calças o ano todo e de qualquer tipo de tecido, desde o linho até couro ecológico.

Sua experiência com o mercado financeiro te ajudou de alguma forma a por essa ideia em prática? O que rolou de mais difícil? Qual foi o investimento inicial?

Minha experiência foi fundamental para que o formato da empresa fosse rentável e pudesse se autofinanciar. Além disso, minha facilidade com controles, planilhas de Excel e finanças são pontos que fizeram o Ateliê ter sucesso na parte financeira, que é um problema para muitas empresas. Eu conseguia traçar as estratégias limitando meus prejuízos, caso elas não dessem certo. A parte mais difícil sem dúvida é mensurar a produção: é difícil prever a opinião do cliente diante a um lançamento. Qualquer aposta é um risco e, na minha opinião, tudo tem que ser muito bem calculado. A ideia de oferecer tudo a todos provou que não deveríamos ter uma oferta exagerada, mas um público bem traçado e identificado. O nosso investimento inicial no projeto foi de R$ 300 mil.

Na primeira leva, quantas unidades vocês produziram e quantos modelos diferentes?

Começamos nosso site com 35 modelos, incluindo variantes de cor. Haviam calças de alfaiataria, linho, tecidos planos, malha, couro ecológico. Eram umas mil unidades. O crescimento foi muito orgânico, gradual, e percebemos que um determinado grupo de calças teve mais sucesso. A partir daí, descobrimos que a ideia de oferecer diversos tipos de tecido para atender todos os gostos estava errada, que precisávamos atender todos os gostos que o nosso público específico estava demandando. Esse foi o trabalho mais árduo e minucioso que eu fiz.

Ateliê de Calças

Qual o diferencial do Ateliê de Calças? Por que a sua consumidora prefere comprar lá?

A grande diferença do Ateliê está em algo fundamental: relacionamento com o cliente. Temos um produto de qualidade, 100% nacional, mas não adianta nada se não existe um atendimento excepcional. A concorrência hoje é muito acirrada! Sem dúvida, nossa cliente é fiel e sabe que pode comprar com tranquilidade, pois o produto será entregue com a melhor qualidade e um preço acessível. Além disso, ela sabe também que, caso não goste, queira trocar, ou tenha problemas, teremos a mesma atenção com ela de quando a venda é feita. Pós-venda é um dos critérios que mais trabalhamos dentro da empresa, nenhum tipo de problema ou erro fica sem solução, e isso faz com que a relação que criamos com nossas clientes seja extremamente próxima e transparente. Afinal, a melhor resposta do nosso trabalho é o feedback, seja positivo ou construtivo.

E como funciona esse sistema de receber as peças em casa?

Temos unicamente dois canais de vendas: a malinha e o e-commerce. A malinha é um serviço que passamos a oferecer após uma demanda de algumas amigas minhas que queriam provar antes de comprar. É um serviço onde enviamos até 5 modelos para a casa das clientes: todas as entregas são feitas de bicicletas e atendemos até uma determinada região na cidade de São Paulo. A cliente tem dois dias para ficar com as peças e não há custo nem obrigatoriedade de compra. É uma comodidade que oferecemos para fugir das vendas em shoppings e proporcionar conforto.

Ateliê de Calças

Você está sempre trazendo novos modelos e materiais ou acaba produzindo mais unidades dos mesmos modelos?

Fazemos os dois. Temos os modelos chamados best-seller, que são fixos no Ateliê e variam as cores e até alguns tecidos. E existem os modelos novos, tentamos lançar 3 ou 4 por mês. É uma forma de ter sempre novidades, acompanhar alguma tendência do segmento ou até mesmo oferecer diversidade à cliente. A intenção é que o Ateliê seja sempre repleto de lançamentos e tipos de calças para diversas ocasiões. Nos preocupamos em oferecer um produto que a cliente se sinta sempre bem vestida. Nosso grande carro chefe mesmo é a modelagem. Brincamos que aqui no Ateliê a calça veste você, e não você a calça!

Como é a estrutura de vocês? Tem um escritório ou trabalha de casa?

Nossa estrutura é muito bem montada. Somos um escritório tradicional: estamos em um espaço de 60 metros quadrados, com atualmente quatro funcionários, separados por setor: produção e criação, vendas de malinha, vendas do site e administrativo. Eu gerencio toda a parte financeira, estratégica, assessoria de imprensa, parcerias, novas ideias para o negócio e resolvo pessoalmente todos os problemas com clientes, juntamente com o comercial. Acho fundamental o envolvimento em todas as etapas do processo. Dou minhas ideias para o nosso estilista, sem tirar o talento pessoal dele de criação, e tento, juntamente com a equipe que faz o comercial, estudar maneiras e estratégias de potencializar nossas vendas. Em média mandamos e retiramos 15 malinhas por dia.Exibindo Bora Bora preta - R$ 340 4.jpg

E o que você tem de planos para o Ateliê? Para onde você quer que a sua empresa caminhe?

Todos os dias, coloco planos em prática e traço novas metas. Sou viciada em empreendedorismo, devoro livros, TEDS, reportagem e cases de sucesso. Batalhamos juntos todos os dias para aumentar a empresa sem perder nossas melhores qualidades. E, realmente, quando se coloca muito trabalho e dedicação, as coisas saem como você espera. Me surpreendo muito também, achava que teríamos um limite de crescimento, até porque calça é um produto que nem todo mundo tem facilidade de comprar pela internet. É, sem dúvida, meu maior orgulho profissional. Eu sempre disse que o Ateliê vende todas as calças, menos jeans, e estamos agora prontos para lançar quatro modelos de jeans – desenvolvemos o jeans que julgamos perfeitos. Outra coisa que sempre disse é que “o Ateliê nunca terá loja física”, mas, como já queimei minha língua uma vez, prefiro esperar e lutar para conquistar espaços que nunca imaginei. Vai que essa ideia sai do papel também!

Conheça mais histórias como a do Ateliê de Calças

Pode parecer uma grande coincidência, mas as melhores ideias nascem assim: quando as pessoas mais criativas captam uma necessidade e decidem fazer algo a respeito! Como a gente gostou muito do tema, resolvemos transformá-lo numa pequena série de posts:

* A história da editora da revista Estilo que criou uma marca de camisetas basiconas

* Na próxima semana: uma marca carioca que só vende espadrilles

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter


2 comentários em O poder do essencial: Ateliê de Calças

  1. Liana Pandin comentou:

    Foi um grande prazer dividir sobre a história do Ateliê com o CostanzaWho. A melhor parte de ter sua empresa é poder projetar nela valores e métodos que você sempre julgou como fundamentais. O Ateliê está sempre aberto a divisão de conhecimento. Muito obrigada.

  2. Camila Faria comentou:

    Muito interessante essa alternativa da malinha ~ eu adoraria uma iniciativa nesses mesmos moldes aqui no Rio!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *