Os loucos anos 20

Os anos 20, também conhecidos como “Anos Loucos”, foram um período de liberdade e modernização. Com o fim da Grande Guerra o clima era de euforia e efervescência cultural. Paris era o lugar onde as coisas aconteciam e de lá vinha a maior lançadora de tendências da época: Coco Chanel.

A moda da década rompeu com todos os padrões estabelecidos anteriormente. Roupas soltas com cortes retos, silhueta cilíndrica e cintura baixa vestiam as mulheres da época. Os cabelos cortados na altura do queixo à la garçonne, meias finas brancas e um chapéu choche (sino em francês) arrematavam o visual das melindrosas. O fim dos espartilhos combinava com a mulher da década de 20 – mulher essa que começava a ter seu espaço, dirigir, fumar e as mais ousadas até se aventuravam a buscar carreiras profissionais. A mulher dos anos 20 gostava de se divertir em cinematógrafos e salões, onde precisava de roupas que deixassem seus movimentos livres para dançar o Charleston, ritmo predominante.

Anos 20 Os vestidos para o dia eram feitos de tecidos leves, como seda, tafetá, gaze, chiffon, crepe da china e linho, e não tinham muitos detalhes, já que o importante eram os próprios materiais e as estampas. Já as roupas de noite eram cheias de glamour, com brilhos e brocados feitos a mão. A maquiagem era pesada, os olhos pintados com kajal e a boca desenhada com batom carmim em forma de coração contrastavam com a pele bem branca de pó de arroz.

A austeridade também foi deixada de lado pelo homens, que passaram do dandismo predominante na Belle Époque para o estilo spotsman. O guarda-roupa dos almofadinhas, como ficaram chamados os homens da época, era dominado por paletós e calças mais justas feitos de tecidos leves, sempre em cores claras. Esse novo estilo caracterizou uma geração que desejava enriquecer longe das influências familiares e valorizava a prática de esportes e a diversão.

Anos 20 Apesar de a moda brasileira seguir as tendências parisienses, o modo de produção era diferente. Na capital francesa se destacavam os grandes estilistas. Além de Chanel, outros nomes influentes eram Jean Patou, que com seu forte sportswear fez diversas coleções para a tenista campeã Suzanne Lenglen, Jeanne Lanvin e Madeleine Vionnet. Por aqui ainda não havia um mercado de moda, e a criação de roupas não era vista como manifestação artística. As roupas eram feitas por alfaiates e costureiras, e as modistas eram as responsáveis pelas roupas especiais e mais ornamentadas. Ao longo da década, nos grandes centros urbanos, começaram a surgir grandes lojas, como Sibéria, Colombo e Casa Raunier no Rio de Janeiro e o Mappin em São Paulo, porém as roupas vendidas nesses espaços ainda eram importadas.

Anos 20 A moda da década de 20 sempre esteve no imaginário popular, mas recentemente ela deixou de ser vista apenas nas fantasias de melindrosas e serviu de referência para grandes grifes como a Gucci, que desfilou uma coleção que remontava a “Era do Jazz” em seu Verão 2012. O jeito de viver e vestir-se dos loucos anos 20 também (muito bem) retratado no O Grande Gatsby – que aliás ganhou o Oscar por Melhor Figurino. Vale mesmo a pena conferir o trabalho da figurinista Catherine Martin!

*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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Um comentário em Os loucos anos 20

  1. Barbara comentou:

    Muito legal essa coluna ‘nostalgia’. raramente vejo historia da moda em blogs..
    ja recomendei para minha turma de jornalismo de moda na panamericana.

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