A história do SPFW e o crescimento da moda brasileira

Prestes a comemorar 20 anos na sua 40ª edição, o São Paulo Fashion Week é a principal semana de moda do Brasil e a 5ª mais importante do mundo, ficando só atrás de Paris, NY, Londres e Milão. Foi na metade dos anos 90, com o surgimento do Morumbi Fashion, que o evento começou a traçar sua história.

Na época, o mercado da moda começava a sofrer grandes mudanças. Gloria Coelho, Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga: os novos designers apresentavam um trabalho bem mais autoral do que a geração anterior, marcada por costureiros acostumados a vestir as classes altas. Ali, a roupa passou a ganhar destaque e ser vista como forma de expressão e criatividade.

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Cenografia da entrada da 38ª edição do SPFW (Foto: Agência Fotosite)

 

Pioneirismo: Cristiana Arcangeli e o Phytoervas Fashion

Se a moda fazia sucesso, o universo da beleza não ficava atrás e assim, em uma união desses dois mundos, em 1993 nasceu o Phytoervas Fashion – patrocinado pela empresa de xampus da própria fundadora do evento, Cristiana Arcangeli.

Na época, a empresária declarou que sua única intenção com o evento em divulgar a sua empresa. É também nesse momento que Paulo Borges começa a traçar sua carreira, ainda como um jovem iniciante naquele mercado. Cristina logo percebeu o seu talento e, assim, a empresária propôs que ele pensasse em um evento para divulgar os jovens talentos que vestiam as modelos do concurso.

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Backstage da 38ªa edição do SPFW (Foto: Costanza Who)

Em fevereiro de 1994, acontecia a primeira edição do Phytoervas, com três desfiles divididos três dias: Walter Rodrigues, Sonia Maalouli e Alexandre Herchcovitch, em ordem de exibição. Com uma turma empenhada, a preocupação era mais na moda e menos na mídia. 

Morumbi Fashion pré-SPFW: a concorrência

Em sua sexta edição, em 1996, o evento começa a perder o fôlego e encontrou um concorrente, o MorumbiFashion Brasil, sob comando de ninguém menos que o próprio Paulo Borges. Com ainda mais tino para o negócio, o produtor mudou sua estratégia: se antes a ideia era apresentar os novos estilistas, agora o foco era estabelecer uma semana de moda com estilistas profissionais e que perderam espaço no Phytoervas.

O clima era cada vez mais competitivo entre os dois eventos e Paulo Borges decretou: quem trabalhasse no Morumbi não poderia trabalhar para o outro. Nos anos 2000, o evento da marca de cosméticos, que a essa altura já tinha virado premiação, encerrou sua carreira deixando um saldo mais que positivo para a moda brasileira. Os estilistas descobertos ali eram quase todos integrantes do time da futura SPFW, que assumiu o nome atual em 2001, marcando de fato o nascimento da semana de moda como a conhecemos hoje.

Com a visão de Paulo Borges, o Brasil passou a ter um calendário de moda oficial e a fazer parte de um mercado internacional, ampliando as fronteiras do país. Além disso, a SPFW foi determinante para o desenvolvimento econômico e industrial do setor, outrora tão precário, e para a profissionalização de estilistas, produtores e toda a cadeia produtiva do mercado de moda.

A história do SPFW não é linear – foram altos e baixos, mudanças de nome e de diretriz. Sempre sob o comando do dedicado e competente Paulo Borges, hoje o Brasil tem a principal semana de moda da América Latina e uma das principais do mundo. E a gente aposta que ainda vem muito mais pela frente.

*Por Alexia Chlamtac, em colaboração ao Costanza Who

 

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8 comentários em A história do SPFW e o crescimento da moda brasileira

  1. Camila Faria comentou:

    Eu sempre achei que essa coisa de ter concorrentes (ou outras pessoas fazendo algo similar) fosse algo positivo, pois assim todo mundo se esforça para fazer algo bacana, algo melhor… Não conhecia essa história de competitividade entre o SPFW e o Morumbi Fashion Brasil. Será que só existe espaço para um evento bacana de moda ~ não é possível uma convivência pacífica e benéfica entre todas as partes?

  2. Fê Gonçalves comentou:

    Conhecia a história de como surgiu a SPFW meio por cima, mas agora entendi muito mais de como tudo começou. Torcendo para que a crise não deixe tantas “feridas” no mercado da moda que tem tudo para crescer mais e mais. O nosso país é tão rico em moda e cultura e tenho certeza que esse mercado tem muito potencial por aqui. Um beijo!

    • Marina Espindola comentou:

      Acho que sempre vai ter espaço pro SPFW, Fê. Mas também acho que semanas de moda no geral estão passando por uma crise que não tem tanto a ver com economia e sim com saturação do modelo. Tá na hora de se reinventar, mas acredito que já temos visto isso nas últimas edições, até com o encerramento do Fashion Rio! 🙂

  3. priscilla barreto comentou:

    Todo meu respeito aos profissionais da moda Brasileira , desde as costureiras, maquiadores, imprensa todos que como eu, acompanharam essa tragétoria sabem o quanto é difcil, em especial ao Paulo Borges, que desde os anos 90 viu o potencial da industria e entre altos e baixos, conseguiu criar uma semana de moda a altura das internacionais.
    Acredito que depois de 20 anos o evento tenha que passar por mais uma reformulação (alias, já estamos observando isso a várias temporadas). Em tempos de crise, vale apostar de uma semana mais compacta, comercial e criatividade acima de tudo – isso temos de sobra!

    beijos,
    Pri

    • Marina Espindola comentou:

      Concordo, tá na hora de mudar! Mas eu acho que, aos poucos, já tá acontecendo essa transição, até com o encerramento do Fashion Rio teoricamente pra ter só uma edição de Alto Verão (vamos ver se vai rolar mesmo).

  4. Paulinha Alves comentou:

    Que bacana ver vocês escrevendo sobre isso por aqui! Eu acho muito importante olhar pra história e pro passado do SPFW pra entender melhor os caminhos que essa semana de moda e o mercado de moda em geral atravessaram no Brasil. Acho que o fim/hiato do Fashion Rio já mostra que mudanças vêm acontecendo e prometem serem ainda maiores daqui pra frente. Espero que elas sirvam pra consolidar cada vez mais nosso produto e prestigiar cada vez mais nosso designers.
    E ai, que legal também ver a Alexia escrevendo aqui! 🙂

    • Marina Espindola comentou:

      Isso aí, assino embaixo hehehe. Eu acho que o caminho tem a ver com semanas de moda mais enxutas, apenas com o que existe de mais relevante mesmo. E a Alexia já arrasou na estreia dela por aqui <3 <3

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