Quando Alessandro Michele foi apontado como novo diretor criativo da Gucci no começo do ano, o mundo da moda ficou surpreso com o anúncio de que alguém relativamente desconhecido fosse comandar a tradicional casa de luxo italiana. Agora, no entanto, fica claro que de impulsiva a decisão não teve nada, e Alessandro entrou no momento certo.

1921: ONDE TUDO COMEÇOU

Guccio era filho de um artesão de origem humilde e deixou sua cidade natal na Itália para trabalhar no requintado hotel Savoy, em Londres. Foi durante esta experiência que se encantou com as luxuosas malas marcadas por brasões das nobres famílias inglesas que lá se hospedavam. Quando retornou à Florença, em 1921, abriu uma pequena loja com intuito de vender malas e valises feitas de couro de alta qualidade, proveniente da região da Toscana, trabalhado pelos melhores artesãos da cidade. Chamada de Gucci, sua loja refletia o estilo italiano impecável, com influências da estética inglesa refinada.

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Fábrica da Gucci no início do século XX.

Devido à qualidade e originalidade de seus produtos, Gucci começou a conquistar clientes da alta burguesia de Florença, e assim a fama de sua marca começou a se espalhar pela elite italiana. Com o aumento das vendas, Guccio abriu uma oficina, passando a produzir internamente suas próprias mercadorias. Na década seguinte, a marca que já havia ampliado seu mix de produtos para luvas, bolsas, sapatos e cintos começou a atrair também uma clientela internacional. A partir deste momento, a empresa foi crescendo cada vez mais, e Guccio precisou aumentar seus negócios. Assim, em 1937, a marca se mudou para Lungarno Gucciardini e seus produtos ganharam as características que tornariam sua assinatura: os estribos e franjas.

A primeira peça icônica da grife seria lançada na década seguinte: a bolsa com alças de bambu. A novidade foi uma forma original encontrada por Guccio para lidar com a escassez de materiais causada pela Segunda Guerra Mundial. Neste momento, os herdeiros da família já estavam envolvidos na empresa. Com o falecimento do estilista em 1953, seus filhos assumiram a grife e deram início ao processo de internacionalização, com a abertura da primeira loja Gucci em Nova York. Foi assim que seus produtos caíram no gosto das estrelas de Hollywood: Sofia Loren, Grace Kelly, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn foram alguns rostos que circularam com suas Gucci por aí.

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À esquerda, as primeiras bagagens criadas pela Gucci. À direita, o detalhe de uma das bolsas com alça de bambu, até hoje um ícone da grife.

Após a primeira loja em Nova York, novas unidades começaram a surgir pelo mundo. Em meados dos anos 1970, a Gucci já possuía 14 lojas e 46 franquias. Porém, na década seguinte começaram a aparecem divergências dentro da família e acusações de sonegação de impostos, que danificaram a imagem da grife no exigente mercado de luxo. Para solucionar o problema, Dominico Del Sole assumiu a direção da empresa e, já em 1993, nomeou o americano Tom Ford como diretor de criação.

1993: TOM FORD E FRIDA GIANNINI

Assim começou uma nova fase na Gucci. Tom Ford renovou e sensualizou a imagem da grife. Além de assumir as coleções, o estilista relançou clássicos e passou também a interferir diretamente nas campanhas, especialmente na escolha de fotógrafos e modelos. Dissociou a marca de rostos como Audrey Hepburn e Grace Kelly, que deram lugar a nomes como Madonna e Tina Turner. A nova imagem da Gucci, com maior apelo sexual e jovem, foi bem aceita pelos consumidores e pela imprensa.

Em 2004, Tom Ford deixou a empresa e a direção criativa passou para as mãos da italiana Frida Giannini. A estilista foi responsável por trazer para a marca o equilíbrio entre elegância, sensualidade e modernidade. Além disso, ela também inseriu a grife no âmbito cultural, através da criação do Gucci Award for Woman in Cinema no Festival de Veneza e da inauguração do Gucci Museo em Florença, que traz em seu acervo peças antigas e vídeos que mostram os processos de produção artesanal dos produtos.

2015: ALESSANDRO MICHELE

Desde o começo do ano, no entanto, a direção criativa da Gucci passou para o italiano Alessandro Michele, que já trabalha há 12 anos na casa e entende a herança da grife como poucos. O objetivo por trás da escolha? Colocar a Gucci novamente no radar fashion, visto que as últimas coleções não tinham sido bem recebidas pela crítica e as vendas estavam estagnadas. Dito e feito: o desfile masculino andrógino de Fall/Winter 2015 (feito em menos de uma semana, vale a pena ressaltar) devolveu à marca o status cool. Uma escolha certeira.

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

2 Comments

  1. E os loafers com pelinhos Marina? Tá a maior polêmica, né? Hahaha! Coisa do Alessandro…
    Eu curti o Spring/Summer 2016 da Gucci, achei BEM moderno e bonito.

    • Marina Espindola Reply

      Pois é, tá todo mundo falando mesmo. Mas não sei se ando muito fashionista, mas achei super bonito pra fotografar. Jamais usaria, mas também não acho que é o ponto de toda roupa desfilada poder ser usada num contexto normal, rs.

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