Dandismo: passado e presente

Embora tenha fortes relações com a moda, o termo dandismo não se refere apenas a um estilo ou a uma tendência. O dândi é uma figura histórica que representa um período de grandes mudanças no modo de vida do homem. Para entender seu nascimento é preciso retornar ao fim do século XVIII. Foi neste período que a burguesia ganhou força e seus ideais passaram a dominar o imaginário da época. Numa tentativa de impor respeito, os burgueses passaram a copiar as vestimentas da aristocracia: calças curtas, estilo barroco, maquiagem e perucas. Foi neste momento que alguns aristocratas, no intuito de se diferenciarem da burguesia, passaram a se vestir de maneira mais elegante e sedutora, menos rococó.

Considerado o precursor deste estilo, George Bryan “Beau” Brummel foi responsável pela mudança de estilo do futuro Rei George IV, tirando-lhe a peruca e transformando, de forma definitiva, a moda masculina, como é retratado no filme Beau Brummel: This Charmming Man. A favor de peças mais justas e sóbrias, os modismos como as perucas, pós e joias extravagantes saíram de cena.

Dandismo

O estilo de vida do dândi tomou conta dos homens da época. O dândi, portanto, pode ser caracterizado pela sua excentricidade, sua grande preocupação com a aparência e com a arte, seu elitismo e até certa preferência pelo ócio. A atitude blasé é acessório indispensável.

Algum tempo depois de seu surgimento na Inglaterra, o dandismo chega à França e lá ganha adeptos como Charles Boudelaire, que dá força ao estilo, aproximando-o da arte e reforçando seu cunho intelectual. Em sua contribuição para o livro O Manual do Dândi, Boudelaire explica que “(os dândis) são todos dotados do mesmo caráter de oposição e de revolta; são todos representantes do que há de melhor no orgulho humano, dessa necessidade, bastante rara nos homens de hoje, de combater e de destruir a trivialidade. Vem dái, nos dândis, essa atitude altiva de casta provocadora, até mesmo em sua frieza.”

Podemos encontrar inúmeros dândis na história e no mundo das artes. Entre eles, o poeta Lord Byron, com seu espírito crítico e transgressor. Oscar Wilde é um dos dândis mais famosos de todos os tempos: se vestia de forma extravagante porém elegante,e adorava discussões intelectuais.

O dandismo atualmente

Avançando no tempo, é possível identificar dândis contemporâneos. É o caso de David Bowie, que saiu do lugar comum com seus figurinos impecáveis, andróginos, e sempre sedutores. O estilista Karl Lagerfeld, sempre vestindo preto, com cabelos penteados, luvas e óculos escuros é outro importante representante do dandismo. No plano dos personagens, Chuck Bass, da série Gossip Girl, é um claro exemplo de metrossexualidade e adorador da vida boa. Suas roupas estão sempre em perfeita harmonia com todo o visual do personagem: o cabelo, sempre bem arrumado, sapatos impecáveis e acessórios elegantes como cachecóis e lenços. Tudo para reforçar o conceito de aristocracia, de pertencimento à uma classe superior.

Dandismo

De tempos em tempos, também é possível notar em editoriais, desfiles e até mesmo no streetstyle a inspiração nos dândis. Embora sua existência não esteja 100% vinculada à uma tendência, o estilo dos dândis jamais sai de moda.

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*Por Marina Gabai, em colaboração ao Costanza Who

 

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2 comentários em Dandismo: passado e presente

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