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Blogueira, sim! Conheça Marie e Nuta, a dupla por trás do GWS

As cariocas Nuta Vasconcellos e Marie Victorino formam a dupla dinâmica por trás do blog Girls with Style, ou só GWS. Admito, sou tão fã que acompanho cada passo e admiro à distância que elas vêm construindo, abordando temas super importantes como autoestima e feminismo de uma forma leve mas nada despretensiosa.

Nuta é o cérebro e as mãos por trás da maior parte dos textos que você lê por ali, e já passou pela Capricho, FFW e o canal Fashion TV. Já Marie é “produtora por instinto e artista de sonho”, conforme ela mesmo escreveu ali no blog, trabalhou com marketing digital na Osklen e, agora, com o Multishow. Dá pra pensar num time mais afiado?

Elas também acabaram de dar uma transformada no visual do GWS – e, claro, a gente aproveitou a desculpa pra falar com elas entender um pouquinho mais dessa mudança e do trabalho delas por lá. Em tempo: foi a Marie quem respondeu, mas a Nuta estava lá, juntinha, também dando pitaco. Confira:

Nuta e Marie do blog Girls with Style

Quando vocês criaram o blog lá em 2008, qual era o objetivo de vocês? E como isso evoluiu com o passar do tempo?

O blog nasceu da comunidade que existia no Orkut, onde a gente tinha um grupo fiel de meninas que trocavam ideias sobre tudo por ali. A gente promovia troquinhas temáticas, se ajudava em questões pessoais. Éramos bem mais novas, então estávamos começando a entrar na faculdade, escolhendo carreira… e claro, tinha muito papo sobre moda também. Tinha um tópico chamado “confessions”, onde a gente revelava segredos umas para as outras. Era super confiança e amizade! Nisso, a gente sentiu vontade de tornar os talentos dessas meninas, e os assuntos que a gente trocava sobre tendências e universo feminino, público. Assim surgiu o GWS. Com o tempo a gente foi aprimorando o conteúdo, entendendo que um blog era diferente de um fórum e vendo que era uma ferramenta poderosa pra passar uma mensagem. E fomos moldando para aquilo que a gente queria falar para as garotas, o que a gente gostaria de ter lido nas revistas na nossa época.

Hoje, empoderamento, feminismo e autoestima são alguns dos tópicos mais abordados – e assuntos que as pessoas já associam com vocês. Como é que isso surgiu?

Foi super natural… A gente sempre gostou de moda, mas em algum momento esse assunto virou uma disputa louca e uma coisa meio fake no universo online. Não era a nossa verdade ter que ter bolsas ou roupas caras pra aparecer mais que as outras. A gente foi sentindo que aquilo não nos representava mais e fomos seguindo um caminho mais pessoal, buscando referências em outros interesses como a música, arte, cinema… As coisas foram ampliando e eu não sei bem como o feminismo chegou, mas ele chegou e mostrou pra gente que autoestima e amor próprio são ferramentas valiosas.

Tem gente que não entende essa proposta? Rolou um estranhamento de quem seguia só pela moda?

Não sei dizer… ao longo desses anos, já tivemos muitos ciclos diferentes de leitoras, algumas abandonaram a gente, outras acompanham desde o orkut mesmo. Não chegou a ser uma mudança radical; como eu disse, foi acontecendo naturalmente, então acho que não teve estranhamento, não.

Nuta e Marie do blog Girls with Style_2

Editorial Tropical Crush, com produção e estilo do GWs e fotografia de Lucas Landau

Mas e a moda, afinal? Continua sendo um dos assuntos? Ainda dá pra falar de tendência sem querer botar regra na vida dos outros?

Com certeza! Esse é um interesse muito forte pra Nuta, ela adora moda! Eu já não me interesso mais como antes, ainda acho incrível, admiro, mas não acompanho mais tantas revistas e sites. Acho que tendência não tem a ver com regra não! O mundo caminha conforme tendências em todas as áreas, é comportamento e a moda reflete isso. Nem toda tendência vai te representar e você pode simplesmente ignorar. Ou adaptar à sua maneira… A gente tenta mostrar muito da história da moda e como ela caminhou pra chegar até a nova “tendência”. Porque, no final, é tudo comportamento.

E como é hoje a rotina de vocês? O que fazem e como conciliam com o blog?

Eu decidi largar o emprego fixo pra viver de freela e me dedicar ao blog. Não é fácil, o blog não paga as contas, os freelas nem sempre aparecem. É um conflito entre a segurança e a liberdade. Mas eu acredito e gosto tanto do GWS (e da liberdade) que acabo pagando esse preço. Hoje, estou num emprego fixo temporário e é foda conciliar porque o emprego toma quase 12 horas do seu dia na real. Mas eu acredito que dá! A gente tem rotina de posts de 3 a 5 por semana, a Nuta escreve e busca imagens pra ilustrar, eu faço as colagens. Respondemos emails, buscamos parcerias, clientes, respondemos muitas mensagens de leitoras e estamos sempre em busca de conteúdo relevante. Quando dá e quando temos o que falar, gravamos vídeo, eu edito (quando é mais simples, porque quando é matéria a gente tem colaboradora pra ajudar). Tem as redes sociais que precisam ser alimentadas e temos que ter a cabeça focada nisso porque tudo pode virar conteúdo… A gente tem muita vontade de dar palestras sobre autoestima e empoderamento e já conseguimos organizar algumas oficinas. Mas é difícil, nosso trabalho é totalmente independente, não temos apoio, então muita coisa acaba não rolando por ser inviável. Mas é um prazer enorme também! Não sei explicar, é uma coisa de acreditar no que você faz!

Dá pra ganhar dinheiro hoje com blog, com conteúdo de nicho e sem ter um bilhão de acessos? E dá pra fazer isso de uma forma legal-não-invasiva-e-honesta?

Olha, eu acho que a tendência é melhorar! Acho que as marcas estão cada vez mais antenadas e entendendo que precisam trabalhar nos nichos, na influência e não só nos números. Mas a real é que ainda é muito difícil ganhar dinheiro sem ser nos moldes que a gente já sabe quais são de quem ganha dinheiro com isso. Mas a gente também não tem muito tino comercial, somos de humanas, fazemos miçangas! Mas por enquanto a gente ainda acredita no sonhe e nem pensa em desistir!

 

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Bruna Toni, a Community Manager do Pinterest Brasil

Community Manager é uma das várias profissões que passaram a existir com a chegada (e o domínio) das redes sociais. Essa em particular surgiu por volta de 2005, com a moderação dos fóruns e das comunidades, muito populares na época. Mas, ao longo dos anos, o escopo do trabalho evoluiu conforme a própria internet foi se alterando. Conversamos com a Bruna Toni, a expert em community management do Pinterest Brasil, para entender quais as demandas desse cargo dentro de uma das empresas de mídia com mais potencial de crescimento atualmente. Às respostas…

Community Manager Pinterest Brasil Bruna Toni

Bruna Toni é a community manager do Pinterest aqui no Brasil

Durante a faculdade, você já tinha vontade de trabalhar com o digital? Na época ainda não se falava em community manager, mas havia algo nos seus interesses que apontasse para esse caminho ou foi algo construído durante sua carreira?

Quando eu estava na faculdade eu não pensava muito se queria online ou offline, somente que queria muito trabalhar na área para aprender e tinha uma curiosidade grande em planejamento. Fucei tanto que, já no primeiro ano da faculdade, consegui um estágio em uma agência de redes sociais onde já comecei como community manager, mesmo não existindo esse título na época. Com o tempo, passei por outra áreas, como Business Intelligence, Projetos e Planejamento, essa última que acabei seguindo.

Como foi sua entrada no Pinterest?

Meu amor pelo Pinterest é antigo e, quem me conhece, sabe disso… morei nos EUA em 2012 e cheguei a enviar meu CV na época, mas não fui chamada para entrevistas. No início desse ano, a equipe de RH entrou em contato comigo falando sobre a oportunidade no Brasil e que eu tinha um bom fit com a vaga, me perguntaram se eu tinha interesse e eu nem pensei duas vezes antes de responder. O processo seletivo, assim como de outras empresas americanas, é longo e tem muitas etapas, tanto de entrevistas como de exercícios, então é importante ser paciente e manter a calma. Com a confirmação de que eu passei, comecei no Pinterest em março de 2015 e sou a segunda funcionária no Brasil.

Qual é o objetivo do Pinterest aqui no Brasil?

O Pinterest tem 5 escritórios no mundo – Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Brasil – os quais representam seus maiores mercados no mundo e/ou com maior potencial de crescimento. A gente, melhor do que ninguém, sabe como somos super aficcionados por social media o que acaba gerando um interesse grande de empresas desse gênero e, consequentemente, a abertura de escritórios por aqui. Hoje, nosso objetivo é educar o brasileiro a usar o Pinterest corretamente, pois muita gente acha que sabe usar, mas não conhece todos os recursos que ele oferece, seu potencial e como ele pode gerar muito tráfego a sites/ e-commerces, por exemplo. Como ainda não temos mídia no Brasil (nos EUA e no Reino Unido já temos), nosso time ainda é pequeno.

Community Manager Pinterest Brasil Bruna Toni

Recepção da sede do Pinterest, no Vale do Silício, Califórnia.

Community Manager: explica pra gente, o que você faz?

Essa é uma pergunta que eu sempre sou questionada e acho superbacana respondê-la, pois não é um cargo comum no Brasil… Traduzindo, significa gerente de comunidade. Muita gente confunde e acha que é apenas administrar canais sociais, publicar posts e responder dúvidas e comentários. Isso faz parte, é verdade. Mas vai muito além. Essa confusão acontece principalmente por conta da similaridade de duas funções do mercado atual: a de Community Manager e Social Media Manager (ou gerente de redes sociais, em português). Ambas têm o objetivo de interagir com sua comunidade, a fim de criar e fomentar usuários mais engajados, mas apresentam distinções claras e objetivos de negócio diferentes. O responsável por publicar e interagir em plataformas sociais, por exemplo, é o Social Media Manager. Ele representa e interage com a voz da marca. Ele fica por “trás das câmeras” e incentiva conversas com seus fãs e seguidores nas redes sociais. Sua visão privilegiada das situações faz com que ele tenha informações estratégicas para dividir com a empresa. Já o Community Manager trabalha como um embaixador de uma marca, criando e estreitando o relacionamento com usuários e não-usuários, tanto no ambiente online quanto no offline, para que eles façam parte da comunidade, de forma ativa e engajada.

Como é a sua rotina?

Algumas das minhas atividades são: workshops, eventos, encontros com pinadores e influenciadores, dentre outros. Basicamente relacionamento e comunicação.

Para trabalhar com gerenciamento de comunidade, quais habilidades é necessário dominar? Alguma dica para quem se interessa pela profissão?

Não sei dizer se existe um curso certo para a posição, mas ter skills de comunicação, com certeza, é muito importante, pois o tempo todo você está se relacionando com as pessoas, de diferentes formas, através de diferentes meios e com objetivos diferentes, mas sempre buscando transmitir uma mensagem. Então é preciso desenvolver/ aprimorar cada vez mais esse aspecto.

 

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Fábio Queiroz, o responsável pela lista dos eventos mais disputados de SP

“Sou formado na vida”. Foi assim que começou minha conversa com Fábio Queiroz, há pouco mais de um ano atrás durante um café na Avenida Paulista. Seu sucesso profissional pode ser explicado por dois fatores: uma boa dose de determinação e a capacidade de absorver o máximo de todas as experiências e oportunidades em seu caminho. Tranquilo e extremamente acessível, ele é o oposto do que muitos esperam de alguém que trabalha com algo tão caótico quanto eventos (muitos de moda, ainda por cima).

Melissa, Levi’s, Lacoste e Absolut são apenas alguns dos clientes que Fábio Queiroz e sua sócia há quase 10 anos, Heloísa Ricci, atendem até hoje. São eles os responsáveis pela lista de convidados de vários dos eventos de moda e cultura que vemos nas colunas sociais. Apesar da alta demanda, o trabalho braçal de RSVP – essencial para o sucesso de qualquer evento – ainda é feito pessoalmente pelos dois, cada qual com sua lista. “A gente tenta ligar menos, porque costuma atrapalhar muito. Temos feito um contato menos formal, por e-mail, SMS ou whatsapp”, ele explica. E é esse trabalho personalizado que garante um bom resultado final.

Fábio Queiroz RP eventos

Responsável pela lista de convidado dos mais disputados eventos paulistanos, Fábio Queiroz é tranquilo e super acessível

Sobre o começo da sua trajetória profissional

“Na época, morava com o DJ Zé Pedro, que fazia trilha de alguns eventos antes do SPFW com o Paulo [Borges], e um belo dia a gente se conheceu. Eu trabalhava em uma empresa de telemarketing e ele perguntou: ‘Fábio, você conhece alguém para ser meu assistente? Preciso de alguém assim como você para cuidar dos meus dois celulares e da minha agenda.’ No dia seguinte a gente se reencontrou e falei que poderia fazer esse trabalho. Em seguida já fomos para Campo Grande, onde ele estava fazendo um desfile, e foi tudo tranquilo. Na segunda-feira eu comecei de verdade. ‘Liga pra tais pessoas, dá retorno pra essas outras, fala com fulano, marca reunião com esse outro, pergunta sobre isso’, e eu anotando desesperado. Em uma época que nem tinham muitos assistentes, eu ficava full time com ele. Foi um super aprendizado, trabalhamos juntos por 4 anos. Saí da Luminosidade em 2002.”

E como foi trabalhar com Paulo Borges?

“Eu e o Paulo somos meio parecidos porque nenhum de nós tem formação. Ambos apostamos no que a gente gostava. O Paulo obviamente muito mais, foi tudo ideia dele: “Porque não uma semana de moda? Porque não juntar todas as marcas?”. Lembro muito de algumas cenas que tínhamos um problema enorme, e ele enfrentava calmo e resolvia de um jeito categórico. Eu nunca vi nada igual. “Não dá para fazer dessa forma? Então vamos fazer da melhor forma possível para todo mundo”. E isso para mim foi sempre muito bacana, de não encarar um problema como impossível. A postura profissional dele era sempre impecável. Eu ficava observando como ele conseguia quase hipnotizar as pessoas, tinha um poder de sedução incrível.”

Afinal, promoter, PR ou RP?

“Recentemente tive uma conversa com um amigo publicitário que me perguntou isso. ‘Fábio, é muito feia essa palavra ‘promoter’. Vocês não são promotores de evento’. Em inglês, PR é confuso, porque aqui virou Assessoria de Imprensa. RP também é esquisito. Entre os dois é uma definição muito estranha, então a gente fala mesmo Assessor de Evento. Promoter é o que facilita na hora de se apresentar para o público em geral, mas não é uma expressão que a gente goste.”

Fabio Queiroz desfile melissa inverno 2014

O desfile de Inverno 2014 da Melissa, estreia da marca no SPFW, foi um dos eventos mais memoráveis entre os atendidos por Fábio Queiroz

O passo a passo de um evento

“Normalmente são agências de produção entram em contato com a gente, dificilmente é o cliente direto. Eles já vêm com o evento brifado, uma ação com tal produto, coquetel, festa, enfim. Aí a gente direciona ou não algumas coisas, se ainda puder mudar. Se não, a gente explica a dificuldade. Mas, normalmente, a gente gosta de se envolver em todo o processo, desde a locação até o convite. E na lista a gente tenta mesclar a maior parte de perfil de profissões, sabe? Então hoje a gente está muito atuando com o perfil mais musical, com produtores, DJs, músicos, cantores e tal. Os artistas plásticos são sempre muito visados porque eles são de difícil acesso, não vão a muitas eventos. E moda, que é o nosso perfil mais forte.”

Dificuldades e problemas que um RP enfrenta

“O que a gente tem percebido é que está cada vez mais difícil de levar as pessoas para os eventos. Tem trânsito, cansaço, e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. A gente trabalha muito com o pessoal, nós somos a ferramenta de trabalho. Às vezes, você não está muito bem e tem que estar em um evento, com uma postura bacana, sorrindo, simpático. Para mim essa é a parte mais difícil.”

O lado positivo

“A nossa rede de networking é muito legal, muito interessante. A gente conhece desde empresários, jovens estilistas. O Criolo é um caso que a gente começou quando ele ainda era MC, foi crescendo e continua querido com a gente. Você ter uma credibilidade e usar isso de uma forma positiva, óbvio, é uma coisa muito legal. Já aconteceu de produtores me pedirem para eu falar com uma assessoria de imprensa para conseguir uma roupa e ouvir que para mim eles conseguiriam. Isso para mim é muito legal, a afirmação de credibilidade do mercado. As verdadeiras relações que, quando precisa, a gente aciona e elas atendem.”

As dicas profissionais de Fábio Queiroz

“Vou dar uma dica que o Paulo sempre me falou e nunca esqueço: mantenha seus contatos sempre atualizados. A minha agenda de telefone hoje tem 1.300 nomes, no celular mesmo. Pessoas que eu sei que eu vou falar mais de uma vez, sempre salvo na minha agenda. Circular, sempre. E eu falo circular em diversas situações sociais que você tenha vontade, que você goste, música, arte, moda, gastronomia. Você sempre conhece uma pessoa interessante, uma novidade. Você ir até lá, prestigiar o trabalho daquela pessoa. É muito mais real.”

 

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