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Julia Blini, a designer de joias que já passou pela Jimmy Choo

A primeira vista, o título pode parecer meio estranho… Afinal, ela desenha joias ou sapatos? Os dois! Conheci o trabalho da Julia Blini numa visita deliciosa ao ateliê, em São Paulo, e fiquei super inspirada pela sua trajetória profissional. Ela estudou numa das escolas de moda mais conceituadas do mundo, o Studio Berçot em Paris – e de lá recebeu um convite para integrar a equipe de design da Jimmy Choo. “Eu levava totalmente a sério o meu aprendizado e ter sido chamada para trabalhar com eles foi consequência dessa dedicação”, explica a designer de joias.

Julia Blini designer de joias

Pois foi justamente essa determinação que, já de volta ao Brasil, a permitiu mergulhar no mundo da joalheria construir do zero a marca que leva o seu nome. “Pensei e estudei muito antes de abrir a minha marca, sou muito cautelosa”, relembra. O segredo para o seu sucesso? Foco e fazer tudo a seu tempo. “Prefiro criar as estratégias com calma e bem direcionadas e seguir assim, para tomar as decisões certas com a marca. Fui criando aos poucos minhas coleções”.

Sobre a escolha pelo design de acessórios

“Foi por acaso! No Brasil, na época em que me formei na Santa Marcelina, pouco se falava em acessórios. Foi fora do país que percebi que tinha mais facilidade com essa área e fui incentivada desde o início pelos meus mentores a seguir esse caminho.”

Sobre as diferenças entre criar sapatos e joias

“Eu trato da mesma forma, são duas áreas bastante técnicas. Gosto dessa atenção aos detalhes. Com sapatos eu já tinha bastante experiência em bordados, pedrarias e projetos especiais feitos à mão. Ferragens também. Sempre gostei dessa parte. A joalheria é um mundo maravilhoso, belo. As joias normalmente marcam datas importantes e especiais na vida das pessoas. Gosto de escutar essas histórias e de fazer parte delas.”

Julia Blini designer de joias Julia Blini designer de joias

Lado positivo e negativo

“A parte que eu mais gosto é a de concepção e desenvolvimento, passar os projetos para os fornecedores, ver pedras, pensar em cada peça individualmente e em cada detalhe. Eu tenho preguiça é dos atrasos nas entregas. Muita preguiça!”

Um conselho para trabalhar com design de joias

“Estudem bastante tudo que é relacionado a manufatura de joias. E tenham fornecedores de confiança. É muito importante que os clientes estejam seguros da qualidade do produto que estão adquirindo. O essencial é trabalhar com transparência e cuidado com o produto, uma joia é muitas vezes um marco na vida de uma ou mais gerações. É muita responsabilidade.”

 

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Leo Faria e a fotografia de Street Style

Numa espécie de fusão esquizofrênica entre o mundo da moda e das celebridades, a fotografia de Street Style hoje é parte fundamental da dinâmica de qualquer semana de moda. Se por um lado é possível argumentar que ela tira a atenção do que é desfilado nas passarelas, por outro a gente entende que ela é uma manifestação espontânea da moda de rua, do que funciona na outra ponta da cadeia (a comercial).

Leo Faria fotografo streetstyle

E, com isso, o Street Style criou um novo segmento que foi responsável por alavancar a carreira de vários fotógrafos. Existem os que se dedicam quase que exclusivamente a procurar os melhores cliques pelas ruas e também os que fazem dessa atividade um plus. É o caso do mineiro Leo Faria (@leofaria), que une o melhor dos dois mundos e marca presença nas principais semanas de moda. “Meu passaporte está recheado de carimbos dos cinco continentes, cada dia estou num lugar e com pessoas completamente diferentes. Isso muitas vezes é cansativo, mas é sempre gratificante e enriquecedor”, conta.

Conversamos com o fotógrafo Leo Faria pra entender um pouquinho mais de como ele acabou chegando no Street Style e o que faz alguém ter sucesso nessa área. Confira:

Você é formado em publicidade, certo? A fotografia já te interessava na época ou foi algo que veio depois? E a identificação com moda?

Leo Faria – Meu pai sempre foi apaixonado por foto, esse era um dos hobbys preferidos dele. Sempre vi ele registrando tudo à nossa volta… Quando cresci, me apaixonei por artes gráficas, me formei em Publicidade e Propaganda e na faculdade tive contato com a fotografia de uma forma profissional. Esse contato se estreitou quando fui trabalhar em agências e chegou ao seu ápice alguns anos depois de abrir a minha própria agência de publicidade e ter ministrado aulas de Fotografia e Criação numa universidade. Logo optei por abrir mão de tudo e me dedicar exclusivamente a fotografia e aqui estou…

Leo Faria fotografo streetstyle

A moda surgiu de forma natural e logo se tornou uma grande paixão, tão intensa quanto a pela fotografia. Muitos dos clientes que procuravam a minha agência eram relacionados à área e quando me dei conta minha agência já tinha se tornado especializada em moda.

Qual foi seu primeiro job de fotografia de moda, você lembra?

Eu vinha de sucessivas frustrações com fotógrafos que não atendiam minhas expectativas enquanto diretor de criação foi aí que optei por fazer eu mesmo. A primeira oportunidade foi a de fazer um catálogo de moda infantil de uma marca que após alguns trabalhos havia se tornado uma amiga pessoal. Não me lembro se senti frio na barriga, provavelmente sim, mas sou bastante ousado e acredito que essa ousadia é a que me fez chegar até aqui e que me fará ir cada vez mais longe.

Vamos falar de Street Style: como é que aconteceu essa transição? E hoje o que você faz mais, campanhas ou rua?

Eu não chamaria de uma transição. Na verdade vejo como uma evolução da minha linguagem fotográfica e ela se deu de uma forma tão orgânica que até tenho dificuldade de pontuá-la. Eu passei a entender o Street Style a partir da primeira semana de moda que fui acompanhar em Nova York, eram para ser minhas férias… Foi lá que tudo começou, ví fotógrafos de Street Style trabalhando, aproveitei para fazer alguns cliques e a partir daí meu relacionamento com as pessoas que frequentam essas semanas foi se estreitando e minha relação com essa linguagem fotográfica foi se aprofundando a cada temporada. Nova York, Londres, Milão, Paris, eu aproveitava para tirar férias trabalhando. Hoje virou um negócio, claro! Mas ainda não é minha principal atividade e nem é o que quero. Na verdade uso essa linguagem e experiência das ruas para as Campanhas e Editoriais que crio e são para eles que vão a maior parte do meu tempo e esforço.

Leo Faria fotografo streetstyle

Para fazer Street Style, o que um bom fotógrafo precisa saber? Quais equipamentos são essenciais pra você?

Para fazer Street Style é preciso ter controle absoluto da câmera e ter muito conhecimento de luz. Imagine que a única luz que você tem é a luz do sol, que particularmente acho a luz mais incrível de todas, mas é preciso considerar que não existe a menor possibilidade de controlar a luz do sol e isso significa que sua intensidade muda em segundos, nos obrigando a fazer ajustes constantes entre um clique e outro. Não existe a menor possibilidade de trabalhar com a câmera no automático se o objetivo é obter fotos com alguma identidade ou diferencial. Eu uso uma câmera Canon 5D Mark III ou 5D SR com lente 70-200mm F/2.8L ou 50mm F/1.2L. O único gadget que eu uso é um cartão WiFi para transferência imediata da câmera para o meu celular.

Quais são os pontos positivos e negativos da sua profissão?

Mais legal é a falta de rotina e a possibilidade de a cada dia fazer coisas diferentes. O que me desagrada é ter que fotografar coleções que eu não acredito tanto e com profissionais que eu não admiro verdadeiramente.

O que mudou na fotografia nos últimos 10 anos?
Eu fotografo há 12 anos e estou há quase 10 anos em São Paulo.As imagens que eram impactantes há 10 anos, hoje já não fazem mais sentido algum. A estética da linguagem fotográfica de moda vive em constante mudança.

 

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O job cobiçado da assistente de PR da Louis Vuitton

Naiara Wagner é prova viva de que determinação e energia são essenciais no início de uma carreira. Ela é formada em jornalismo pela Cásper Líbero e já passou por redações como Vogue e M de Mulher – tudo isso ainda na faculdade! –, mas foi no mundo do PR de luxo que ela realmente encontrou a sua vocação.

Ela entrou na Louis Vuitton ainda como estagiária em março de 2014, e trabalhou muito, mas muito mesmo, para conquistar seu espaço e garantir que fosse efetivada ao final do curso. Dito e feito: hoje ela ocupa o cargo de assistente de PR, respondendo diretamente à Patricia Romano, que é Head of PR da América do Sul. O trabalho de PR (Public Relations) vai um pouco além do que aqui no Brasil nos acostumamos a chamar de assessoria de imprensa: além de fazer a ponte com a imprensa, há todo um trabalho de fundo focado em estratégia, fittings com celebridades… E como a posição é dentro do próprio escritório da Louis Vuitton, isso é ainda mais forte.

Obviamente, não perdemos a chance de conversar com ela e entender um pouquinho como é trabalhar nesse nicho tão específico e disputado. Confira:

Naiara Wagner, a PR da Louis Vuitton em viagem recente à Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte

A PR da Louis Vuitton em viagem recente à Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte

Como você chegou até a Louis Vuitton?

Vi a vaga de no Instagram, minha chefe postou uma foto dela com uma plaquinha “procura-se um estagiário brilhante”. Mandei então meu currículo. Na época eu estagiava no site M de Mulher e já falava com a coordenadora de PR da LV, então pedi também pra ela me ajudar. Fiz a entrevista e deu certo. Mas vagas de estágio aparecem bastante em marcas internacionais, o que é raro é vaga efetiva. Antes disso trabalhei na revista Vogue, na assessoria de imprensa e relações públicas Monica Mendes Comunicações.

Você lembra o que vestiu nessa entrevista? Como é que foi o processo seletivo?

Lembro super bem, vesti uma calça jeans e uma blusinha preta. Partircularmente acho melhor ir mais básica pra entrevistas, principalmente se for de moda. Seu discurso tem que ser o centro da conversa. Quando nos montamos demais as vezes passa uma impressão errada. O processo foi tranquilo, só fiz uma entrevista e passei. Não tenho ideia se tinham muitas outras pessoas concorrendo ou poucas, nunca perguntei. Mas estava super nervosa como todo mundo fica. É tão difícil falar o melhor de si próprio em tão pouco tempo sem parecer clichê ou meio convencida… Devo ter gaguejado um pouco, mas acho que ficou a mensagem que eu queria muito estar lá e que iria aproveitar essa oportunidade se passasse.

E como é o seu relacionamento com a sua chefe, a Patricia Romano, que é Head of PR?

Sempre me dei bem com minha chefe, mas demorou bastante pra eu condicionar meu raciocínio pra ideias realmente legais para a marca e para o nosso trabalho – para “pegar o jeito”. Ainda peno com algumas hoje em dia. Naturalmente, à medida que fui evoluindo pude colaborar mais para as conquistas do nosso departamento e fomos nos tornando mais próximas. Ter empatia com chefe é ótimo, mas acho mesmo que o principal é sempre fazer um bom trabalho e ter respeito pela hierarquia.

Como é a sua rotina? Que horas você chega, o que faz ao longo do dia?

Eu entro às 9h. Meu trabalho principal é trabalhar pautas de moda, e pra isso temos diversas ferramentas: temos um showroom grande com diversos produtos LV, a maioria peças de desfile, que emprestamos para as revistas fotografarem editoriais e capas ou para celebridades usarem em eventos. Tenho que pensar que produto tem mais a cara de cada revista e tentar conseguir o maior e mais relevante espaço para cada um. Recebo todos os dias stylists, ocasionalmente acompanho fitting de celebridades e vou a shootings de matérias grandes que fazemos. Também organizo shootings internacionais com nosso escritório de NY e Paris e requests para vestirmos celebridades (na Vuitton sempre aprovamos com Paris essa parte). Temos também um enorme material de divulgação com histórias da marca, e junto com o resto do nosso time planejo onde e como trabalharemos cada uma delas. Estou todos os dias em contato com jornalistas, sempre procuro manter um ótimo relacionamento com cada um e ser muito solícita para a receptividade do nosso material ser a melhor possível.

Meu horário vai até às 18h, mas normalmente fico mais. Não é uma regra, mas procuro sempre ir embora depois da minha chefe. Ela pode precisar de alguma informação ou ajuda e gosto de estar sempre disponível. E também, no caso de PR, não existe um limite ou um “acabei tudo que tenho pra fazer” – sempre posso fazer mais.

Naiara Wagner, PR da Louis Vuitton_2

Na Plaza Libertad De Prensa

E como é que foi o processo pra ser efetivada? Porque eu sei que não foi fácil…

Foi muito difícil! Do ponto de vista prático foi quase impossível, nenhuma estagiária era efetivada há anos, minha vaga não existia… E do ponto de vista emocional foi ainda mais. Os últimos meses foram uma super angústia, porque realmente não fazia ideia do veredicto. No dia em que recebi a notícia positiva desci no prédio com uma amiga da LV e ficamos gritando e chorando, foi super emocionante. Quis muito isso e dei tudo de mim.  

Acho que o grande motivo de eu ter sido efetivada é simples, apesar de de complexa execução: se esforçar e entregar resultados. Eu me trabalhei MUITO pra que tivéssemos bons resultados sempre e principalmente para estar apta a tocar todas as etapas de uma pauta grande (planejar, cuidar da logística, lidar com pepinos e imprevistos), de maneira que no início do mês eu pudesse entregar um resultado super legal, sem trazer preocupações pequenas para ninguém. E, como disse, naturalmente fui evoluindo e tendo melhores ideias. Acredito que um dos segredos do bom desempenho em PR é não desistir nem do que é bem pequeno – são tantos assuntos e materiais rodando entre revistas e assessores que muito se perde na correria. Na Louis Vuitton, não!

Mas em suma tem que levar muito a sério e não deixar a energia e a dedicação cairem quando o que você está fazendo não funciona ou quando você erra de novo aquilo que já errou um milhão de vezes… E ter um feeling para entender o que esperam de você a cada momento e se esforçar pra entregar.

O que você mais gosta e o que não é tão legal do seu job? Porque de fora pode parecer que é só glamour.

Ah, talvez pra muitas pessoas essa parte de acompanhar shootings de revistas de moda super importantes, conhecer stylists e celebridades seja a parte mais glamurosa, mas apesar de eu gostar disso tudo não é minha maior paixão. Pra mim o mais legal é quando estamos todos no escritório planejando o que vamos fazer nos próximos meses e como vamos executar – eu aprendo muito, sinto que estou realmente crescendo e evoluindo como profissional nesses momentos. É uma aula de estratégia, principalmente porque admiro muito minha chefe e amo quando nos reunidos pra ela contar as ideias dela ou dar guidelines pra algo que estou tocando.

O que é menos legal é a parte da organização do showroom – é um infinito de bolsas, sapatos, roupas e etc que tenho que catalogar e sempre manter em ordem. Mas tenho carinho pelos produtos, então fica leve. Na verdade, nesses 2 anos qualquer coisa que não tenha gostado de fazer entrou pro pacote de trabalhar na LV que eu amo – acho que essa é a melhor maneira de executar funções não tão legais de maneira feliz.

Pra quem tem vontade de trabalhar dentro de uma marca do mercado de luxo, o que você teria de conselho?

Depende muito da área que a pessoa quer trabalhar, mas se for relações públicas diria pra estagiar primeiro e refletir se gosta mesmo disso. Aqui no Brasil não é um mercado muito grande, é competitivo e é um trabalho muito específico.

Talvez um conselho bom seria dizer pra pessoa não se enganar: ao meu ver todos que são bem sucedidos nesse mercado são muito competentes e se esforçaram muito pra chegar onde estão. Beleza e dinheiro talvez ajudem em outros segmentos da moda, mas para chegar longe em PR tem que ser de fato muito competente, estratégico, conhecedor da marca que se trabalha. É o que eu busco ser e melhorar sempre!

 

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