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Vida de jornalista: como impressionar o seu editor

Já fiz tanta confissão aqui no blog que às vezes acho que ele faz esse trabalho melhor do que um terapeuta – até sobre o porquê de odiar tanto fazer as unhas eu já falei! Mas acho que esse tema é um dos mais difíceis até agora, e é porque diz respeito a relacionamentos. Tenho um problema que me atrapalha em quase todas as facetas da minha vida, que é achar que as pessoas ao meu redor não gostam de mim, inclusive no trabalho.

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Tenho muita sorte (e sei disso!) de trabalhar entre colegas e chefes incríveis na L’Officiel, que me acolheram de braços abertos quando eu tinha zero experiência em redação e acreditaram em mim desde o primeiro dia. No fundo, racionalmente falando, eu sei que não tem nada de errado. Mas parece sempre tem uma voz (minha, claro) dizendo que eu não estou fazendo o suficiente, que talvez meu texto não tenha ficado tão bom… Esse tipo de drama, sabe? Não é assim algo tão incomum.

Mas vamos voltar ao foco. Com essa loucura interna acontecendo, acabei criando mecanismos para passar a melhor impressão possível para quem trabalha comigo – especialmente meus editores, também conhecidos como chefes. Lembra que a gente falou um pouquinho da hierarquia de cargos numa redação de revista? Pois eu acho que a relação que você, repórter, tem com o seu editor é bem diferente do que acontece em outras áreas de trabalho. Principalmente porque tem muito a ver com estar em sintonia.

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Depois desse momento confissão, queria compartilhar três coisas simples mas que acabam fazendo toda a diferença ao construir uma boa relação com o seu editor. Não tem um jeito certo, claro, mas tudo se resume a dedicação. Vamos lá!

Saiba quem está editando seu texto

Vou explicar com um exemplo real: tenho hoje duas editoras que ficam com a maioria das matérias que escrevo. Uma delas escreve majoritariamente sobre cultura e viagens, a outra respira moda há vários e vários anos. Não tem como: são linguagens e histórias de vida diferentes, e entender como cada uma delas enxerga uma mesma pauta me ajudou a atender mais rapidamente às expectativas. Enquanto uma pode dizer “precisa de um contexto maior sobre a história da cidade que acontece essa feira de relógios”, a outra pode achar que “falta uma linguagem mais casual, deixar o texto mais gostoso de ler”. Quem tá certa? As duas, porque no fundo é tudo relativo, e você só tem a ganhar com esse tipo de feedback. O que nos leva ao próximo tópico…

Jornalista Como impressionar seu editor 2

Desapegue e aprenda com as edições

Por favor, vamos parar de achar que alguém mexer no seu texto é uma coisa ruim! Quantas vezes entreguei um texto nem tão contente com o que tinha produzido e, em 5 minutos, minha editora não só resolveu os todos problemas como fez com que o resultado final, como um todo, ficasse impecável. Eles têm mais experiência e você não só pode como DEVE tirar proveito disso. E melhorar pode significar, sim, cortar um parágrafo todo – por que não?! Sempre veja o que mudaram nos seus textos, porque é assim que você vai aprender.

Atenção aos básicos: português

Outro dia, estava ouvindo minhas duas chefinhas conversando sobre uma repórter que SEMPRE cometia os mesmos erros na grafia do nome das pessoas, em problemas básicos de apuração que um google resolveria. Se a sua editora não puder contar com você pra tarefas simples sem ter que checar tudo o que você faz o tempo inteiro, com certeza vai pensar duas vezes na hora de te passar uma pauta mais trabalhos.

Aos colegas jornalistas – quem tem algum outro conselho pra dar?

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Por que programação é “A” habilidade que você precisa aprender em 2016

Vou fazer uma confissão: nunca tive paciência para aprender programação do zero mesmo. Sempre soube um pouco mais do que a média de HTML e CSS, mas isso porque sou ansiosa demais para depender de alguém em coisas simples. Eis que coloquei como meta esse ano aprender mesmo sobre programação e finalmente não me sentir culpada o suficiente para poder colocar essa habilidade no meu currículo.

Chegamos em maio e achei que já passou da hora de começar. Nessa busca por alguma forma prática e barata de aprender o básico de programação, descobri uma ferramenta MUITO legal – e que eu divido mais lá no final do post. Mas, antes, queria contar um pouquinho por que decidi que era tão importante aprender esse ano. Aliás, lembra que a gente falou aqui no blog sobre um estudo de tendências da WSGN para 2018? Pois a nossa relação com tecnologia só tende a aumentar.

Por que aprender programação HTML CSS

#1 Programação é muito mais fácil do que parece

Aliás, vamos começar aprendendo os termos certinhos? Por programação, leia-se HTML e CSS. Ficou assustada com esses termos? Pois não deveria. Entenda essas duas siglas como “linguagens” de internet, já que existem muitas outras. Mas essa dupla é a base que uma pessoa leiga deveria aprender, e ó: não é difícil nem demorado. Sem contar que hoje a internet está aqui pra ajudar – nada que um bom tutorial de youtube não salve na hora do sufoco.

#2 O poder que HTML e CSS pode ter na sua carreira

Mesmo que você não trabalhe diretamente com tecnologia, as chances são que, se a sua empresa for pequena, você não tenha um setor inteiro de T.I. para te dar suporte 24 horas por dia. Em tempos de backup e hospedagem nas nuvens, vale ouro quem consegue resolver pepinos simples que surgem no dia-a-dia. Imagino essa cena lá na L’Officiel, se o servidor com todos os arquivos da edição do mês decide parar de funcionar em pleno fechamento…  E, se você for empreendedor, pode multiplicar essa necessidade por mil!

Por que aprender programação HTML CSS

Vale até mesmo se você for contratar alguém para fazer todo o trabalho pesado de programação na criação de um site, por exemplo. Acho super importante entender minimamente do que você está pedindo para outra pessoa fazer, as limitações e até como cobrar resultados. Imagina um redator-chefe de revista que nunca passou um dia na pele de repórter? Não dá!

#3 Dá pra fazer de graça e em casa com o CodeAcademy

E olha só a melhor parte: acabei de descobrir uma ferramenta grátis, quase 100% em português, online e que você aprende na prática, o CodeAcademy. Ou seja, nada de mil páginas de teorias desinteressantes e que você provavelmente nunca vai decorar. História da internet? Esquece! Logo na primeira unidade, você já sai escrevendo linhas de códigos e com uma espécie de “medalha”.

Por que aprender programação HTML CSS

Um print screen do meu progresso na primeira lição do CodeAcademy – a ferramenta que conquistou meu coração

O processo lembra um pouquinho um jogo, dá vontade de ir conquistando as fases (no caso, unidades) e chegar até o final. O resultado é que fiquei viciada e tive que me segurar para não passar direto para a segunda unidade – tô querendo dosar um pouquinho para cada dia.

Alguém já aprendeu um pouco sobre HTML e CSS e pode compartilhar como é que foi esse processo? Chegaram a usar isso no dia-a-dia?

 

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SPFW: como o novo formato “see now, buy now” vai afetar a imprensa de moda

Nossa, que título longo! Nas últimas semanas, muito se falou, especulou e opinou sobre o anúncio do Paulo Borges de que o SPFW seria a primeira semana de moda do mundo a aderir 100% ao tal formato “see now, buy now”. (A gente falou um pouquinho aqui da história do São Paulo Fashion Week aqui, lembra?) Em outras palavras, a partir de 2017 será possível comprar as roupas desfiladas logo após a apresentação.

O debate em torno do formato de desfile, que para alguns estaria ultrapassado, também não é novo – mas foi reacendido pela Burberry no começo desse ano. Mas, pelo menos hoje, o meu foco não é esse. E se você quiser entender um pouco mais sobre a mudança em nível global, sugiro esse ótimo e completíssimo texto do FFW. O que eu queria falar aqui é como isso vai afetar a imprensa especializada de moda.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

O que o modelo “see now, buy now” muda para a imprensa

Queria ilustrar o meu ponto de vista com um breve exemplo. Lá no começo do ano passado, tinha uma seção na L’Officiel de tendências em que, a partir de uma foto de desfile, a gente dava algumas sugestões de produtos. Nada inovador. Mas admito que deu um nó na minha cabeça até entender porque a gente sempre tinha que usar foto do desfile passado, e não do que tinha acabado de acontecer. É que, por exemplo, as roupas que estavam na loja da Gucci naquele exato momento, ainda eram do desfile da temporada passada. E consequentemente a história era outra – por mais que as tendências se repetissem, não podia.

Enfim, talvez uma história nem tão breve e um pouco confusa pra dizer que a minha primeira reação à mudança foi positiva. Eu acho sim que o formato tradicional não funcionava para mim na maior parte do tempo, mesmo na mídia impressa. O que não quer dizer, por outro lado, que eu tenha entendido 100% como as coisas vão funcionar a partir de agora – e acho que, honestamente, ninguém pode afirmar que sim. Por enquanto é tudo especulação e está em fase de adaptação.

SPFW: como o novo formato "see now, buy now" vai afetar a imprensa de moda

Mas como fica?

“A imprensa e o lojista vão ter acesso às coleções antes para fotografá-las e decidir as compras. E vai haver um contrato entre o jornalista e a marca, com embargo dessas imagens até o desfile”, explicou Paulo Borges em entrevista à Maria Rita Alonso (minha chefinha!) para o Estadão.

Pois bem, é aí que o negócio fica meio confuso pra mim. Qual o nível de controle que uma marca, em tempos de snapchat e periscope, pode ter sobre essas imagens? É como disse o sempre ótimo, e dessa vez cético, André do Val: se é para abraçar o imediatismo das redes sociais, falar em embargo soa contraditório. E outra: se a gente puder ver tudo em primeira mão seis meses antes, não faz muito sentido perder uma semana para ver tudo de novo.

Como disse lá em cima, a esse ponto é tudo especulação. E eu, como eterna otimista, sempre recebo de braços abertos as mudanças. Agora é questão de esperar e ver como cada uma das marcas vai, ou não, se adaptar. Uma coisa é certa: a próxima edição, que começou a anunciar novos nomes no line-up, promete ser bem interessante. Para ficar de olho!

 

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