Filed In: História da Moda

Lady Dior, a história de uma bolsa icônica

Uma coisa é fato: embora as roupas das grandes casas de alta costura sejam incríveis, são os acessórios que acabam entrando de fato pra nossa lista de desejo. E isso é real – ao lado dos perfumes, eles são responsáveis por grande parte do faturamento dessas grifes, justamente por serem um tipo de luxo acessível. As bolsas ocupam um lugar de destaque – e muitas acabam dando tão certo que são eternizadas, virando verdadeiros ícones de estilo e ganhando muitas versões ao longo dos anos. Entre elas, a Lady Dior, da grife francesa. Você conhece a história por trás desse clássico?

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A versão prateada da Lady Dior da temporada de Spring 2015

A história da Lady Dior

Lady Dior é sem dúvida a bolsa mais famosa da casa de alta costura francesa, que até sua criação ainda não tinha um modelo realmente marcante. No entanto, ela nasce em 1994 sob um nome diferente: “Chouchou”. A intenção é que ela tivesse uma identidade forte e traduzisse a elegância da Maison.

Para transmitir a inspiração couture, o couro era trabalhado em matelassé e em pespontos cannage, uma homenagem à história da Maison inspirada na cadeira de Napoleão III, utilizada por Christian Dior em seu primeiro desfile, em 1947. Os berloques em ouro ou prata fina também eram uma característica do modelo, que juntos soletravam Dior, levavam vários banhos para que não perdessem seu brilho ao longo do tempo.

Por que Lady Dior?

Apesar de ter sido um sucesso de vendas antes disso, foi a Princesa Diana que tornou a bolsa um ícone. Tudo começou em setembro de 1995, quando a primeira dama francesa, Bernadette Chirac, presenteou a Princesa de Gales com a mais nova bolsa de Christian Dior, na cor preta. De tão apaixonada pelo modelo, Diana encomendou todas as versões possíveis do modelo “Choucho”.

Como a Princesa Diana era uma das mulheres mais fotografadas no mundo, era inevitável que a bolsa da Dior fosse capturada em várias dessas imagens – e é exatamente o que aconteceu. Em novembro, a bolsa apareceu numa visita à um orfanato em Birmingham, e algumas semanas mais tarde em uma viagem à Argentina. A Maison Dior decidiu então renomear a bolsa em homenagem à princesa – e nascia assim a icônica Lady Dior.

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Alguns dos modelos e versões da Lady Dior ao longo dos anos

O frissom em torno da bolsa de Lady Di foi tanto, que um ano depois, mais de 100.000 modelos de “Lady Dior” haviam sido vendidos no mundo todo.

A evolução

Em pouco mais de 20 anos de história, “Lady Dior” sofreu poucas alterações, ganhando principalmente novos tamanhos, materiais, cores e até estampas a cada temporada. Após homenagear a Princesa Diana, o desafio da Maison era associar o modelo a personalidades que traduzissem as características clássicas e elegantes ca bolsa. Assim, Mônica Bellucci, Diane Krueger e Carla Bruni já representaram a grife nas campanhas da Lady Dior, papel agora que cabe à atriz francesa Marion Cotillard.

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

 

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A história do SPFW e o crescimento da moda brasileira

Prestes a comemorar 20 anos na sua 40ª edição, o São Paulo Fashion Week é a principal semana de moda do Brasil e a 5ª mais importante do mundo, ficando só atrás de Paris, NY, Londres e Milão. Foi na metade dos anos 90, com o surgimento do Morumbi Fashion, que o evento começou a traçar sua história.

Na época, o mercado da moda começava a sofrer grandes mudanças. Gloria Coelho, Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga: os novos designers apresentavam um trabalho bem mais autoral do que a geração anterior, marcada por costureiros acostumados a vestir as classes altas. Ali, a roupa passou a ganhar destaque e ser vista como forma de expressão e criatividade.

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Cenografia da entrada da 38ª edição do SPFW (Foto: Agência Fotosite)

 

Pioneirismo: Cristiana Arcangeli e o Phytoervas Fashion

Se a moda fazia sucesso, o universo da beleza não ficava atrás e assim, em uma união desses dois mundos, em 1993 nasceu o Phytoervas Fashion – patrocinado pela empresa de xampus da própria fundadora do evento, Cristiana Arcangeli.

Na época, a empresária declarou que sua única intenção com o evento em divulgar a sua empresa. É também nesse momento que Paulo Borges começa a traçar sua carreira, ainda como um jovem iniciante naquele mercado. Cristina logo percebeu o seu talento e, assim, a empresária propôs que ele pensasse em um evento para divulgar os jovens talentos que vestiam as modelos do concurso.

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Backstage da 38ªa edição do SPFW (Foto: Costanza Who)

Em fevereiro de 1994, acontecia a primeira edição do Phytoervas, com três desfiles divididos três dias: Walter Rodrigues, Sonia Maalouli e Alexandre Herchcovitch, em ordem de exibição. Com uma turma empenhada, a preocupação era mais na moda e menos na mídia. 

Morumbi Fashion pré-SPFW: a concorrência

Em sua sexta edição, em 1996, o evento começa a perder o fôlego e encontrou um concorrente, o MorumbiFashion Brasil, sob comando de ninguém menos que o próprio Paulo Borges. Com ainda mais tino para o negócio, o produtor mudou sua estratégia: se antes a ideia era apresentar os novos estilistas, agora o foco era estabelecer uma semana de moda com estilistas profissionais e que perderam espaço no Phytoervas.

O clima era cada vez mais competitivo entre os dois eventos e Paulo Borges decretou: quem trabalhasse no Morumbi não poderia trabalhar para o outro. Nos anos 2000, o evento da marca de cosméticos, que a essa altura já tinha virado premiação, encerrou sua carreira deixando um saldo mais que positivo para a moda brasileira. Os estilistas descobertos ali eram quase todos integrantes do time da futura SPFW, que assumiu o nome atual em 2001, marcando de fato o nascimento da semana de moda como a conhecemos hoje.

Com a visão de Paulo Borges, o Brasil passou a ter um calendário de moda oficial e a fazer parte de um mercado internacional, ampliando as fronteiras do país. Além disso, a SPFW foi determinante para o desenvolvimento econômico e industrial do setor, outrora tão precário, e para a profissionalização de estilistas, produtores e toda a cadeia produtiva do mercado de moda.

A história do SPFW não é linear – foram altos e baixos, mudanças de nome e de diretriz. Sempre sob o comando do dedicado e competente Paulo Borges, hoje o Brasil tem a principal semana de moda da América Latina e uma das principais do mundo. E a gente aposta que ainda vem muito mais pela frente.

*Por Alexia Chlamtac, em colaboração ao Costanza Who

 

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Gucci: quase um século de história

Quando Alessandro Michele foi apontado como novo diretor criativo da Gucci no começo do ano, o mundo da moda ficou surpreso com o anúncio de que alguém relativamente desconhecido fosse comandar a tradicional casa de luxo italiana. Agora, no entanto, fica claro que de impulsiva a decisão não teve nada, e Alessandro entrou no momento certo.

1921: ONDE TUDO COMEÇOU

Guccio era filho de um artesão de origem humilde e deixou sua cidade natal na Itália para trabalhar no requintado hotel Savoy, em Londres. Foi durante esta experiência que se encantou com as luxuosas malas marcadas por brasões das nobres famílias inglesas que lá se hospedavam. Quando retornou à Florença, em 1921, abriu uma pequena loja com intuito de vender malas e valises feitas de couro de alta qualidade, proveniente da região da Toscana, trabalhado pelos melhores artesãos da cidade. Chamada de Gucci, sua loja refletia o estilo italiano impecável, com influências da estética inglesa refinada.

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Fábrica da Gucci no início do século XX.

Devido à qualidade e originalidade de seus produtos, Gucci começou a conquistar clientes da alta burguesia de Florença, e assim a fama de sua marca começou a se espalhar pela elite italiana. Com o aumento das vendas, Guccio abriu uma oficina, passando a produzir internamente suas próprias mercadorias. Na década seguinte, a marca que já havia ampliado seu mix de produtos para luvas, bolsas, sapatos e cintos começou a atrair também uma clientela internacional. A partir deste momento, a empresa foi crescendo cada vez mais, e Guccio precisou aumentar seus negócios. Assim, em 1937, a marca se mudou para Lungarno Gucciardini e seus produtos ganharam as características que tornariam sua assinatura: os estribos e franjas.

A primeira peça icônica da grife seria lançada na década seguinte: a bolsa com alças de bambu. A novidade foi uma forma original encontrada por Guccio para lidar com a escassez de materiais causada pela Segunda Guerra Mundial. Neste momento, os herdeiros da família já estavam envolvidos na empresa. Com o falecimento do estilista em 1953, seus filhos assumiram a grife e deram início ao processo de internacionalização, com a abertura da primeira loja Gucci em Nova York. Foi assim que seus produtos caíram no gosto das estrelas de Hollywood: Sofia Loren, Grace Kelly, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn foram alguns rostos que circularam com suas Gucci por aí.

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À esquerda, as primeiras bagagens criadas pela Gucci. À direita, o detalhe de uma das bolsas com alça de bambu, até hoje um ícone da grife.

Após a primeira loja em Nova York, novas unidades começaram a surgir pelo mundo. Em meados dos anos 1970, a Gucci já possuía 14 lojas e 46 franquias. Porém, na década seguinte começaram a aparecem divergências dentro da família e acusações de sonegação de impostos, que danificaram a imagem da grife no exigente mercado de luxo. Para solucionar o problema, Dominico Del Sole assumiu a direção da empresa e, já em 1993, nomeou o americano Tom Ford como diretor de criação.

1993: TOM FORD E FRIDA GIANNINI

Assim começou uma nova fase na Gucci. Tom Ford renovou e sensualizou a imagem da grife. Além de assumir as coleções, o estilista relançou clássicos e passou também a interferir diretamente nas campanhas, especialmente na escolha de fotógrafos e modelos. Dissociou a marca de rostos como Audrey Hepburn e Grace Kelly, que deram lugar a nomes como Madonna e Tina Turner. A nova imagem da Gucci, com maior apelo sexual e jovem, foi bem aceita pelos consumidores e pela imprensa.

Em 2004, Tom Ford deixou a empresa e a direção criativa passou para as mãos da italiana Frida Giannini. A estilista foi responsável por trazer para a marca o equilíbrio entre elegância, sensualidade e modernidade. Além disso, ela também inseriu a grife no âmbito cultural, através da criação do Gucci Award for Woman in Cinema no Festival de Veneza e da inauguração do Gucci Museo em Florença, que traz em seu acervo peças antigas e vídeos que mostram os processos de produção artesanal dos produtos.

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Backstage do primeiro desfile feminino assinado por Alessandro Michele para a Gucci, temporada de Fall/Winter 2015 (foto: theimpression.com)

2015: ALESSANDRO MICHELE

Desde o começo do ano, no entanto, a direção criativa da Gucci passou para o italiano Alessandro Michele, que já trabalha há 12 anos na casa e entende a herança da grife como poucos. O objetivo por trás da escolha? Colocar a Gucci novamente no radar fashion, visto que as últimas coleções não tinham sido bem recebidas pela crítica e as vendas estavam estagnadas. Dito e feito: o desfile masculino andrógino de Fall/Winter 2015 (feito em menos de uma semana, vale a pena ressaltar) devolveu à marca o status cool. Uma escolha certeira.

*Por Gabriela Cabral, em colaboração ao Costanza Who

 

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