Filed In: História da Moda

Os 100 anos da Keds e a criação do “sneaker”

É capaz que, assim como eu, você também não tenha ouvido falar nela nos últimos anos, mas lá no fundo ainda guarde o nome com carinho. Pois em 2016 a Keds, marca de tênis que marcou a infância de muita gente (a minha, pelo menos!), completa 100 anos e volta com força renovada. Na verdade voltar não é o melhor termo, uma vez que ela nunca deixou de existir, mas o centenário serve aqui como divisor de águas para uma nova fase – mais atual e em sintonia com o desejo de seu consumidor.

História de Moda: Keds completa 100 anos

(Fotos: desse post do blog Dash of Darling)

Pela primeira vez, a marca participou do SICC – a feira de calçados que acontece no Sul todo ano e que a gente foi conferir ao vivo. Aliás, você sabia (eu não!) que foi a Keds quem inventou o termo “sneaker”? Pois vem ver o que mais a gente descobriu sobre ela durante esses dias.

A História da Keds e o nascimento dos sneakers

Criada em 1916, a Keds (inspirada pela palavra peds, que significa “pé” em latim) chegou no mercado para transformar o conceito de tênis da época. Em lona e com solado de borracha ao invés de couro, a marca tornou o calçado mais leve, maleável e confortável. Foi então que o publicitário Henry Nelson McKinney criou uma propaganda que eternizaria os tais modelos como “sneakers”, já que as solas eram tão silenciosas que eram perfeitas para “sneak”, ou seja, espiar ou se esgueirar.

O modelo branco mais icônico da Keds, chamado de Champion, é uma das primeiras apostas da empresa. Em 1926, foi criado o modelo Triumph, uma versão voltada para os esportes. Ele foi escolhido por muitos atletas olímpicos, jogadores de futebol e tenistas renomados mundialmente, o que lhe rendeu o apelido de “sapato de campeão”. Em 1934, a Keds lançou os modelos coloridos e, em 1938, os Kedettes, mais femininos e, pela primeira vez, com saltos e plataformas.

História de Moda: Keds completa 100 anos

Keds e as celebridades

Além de ser usado por Audrey Hepburn, Marilyn Monroe e Jackie Kennedy, o tênis entrou para a história ao ser escolhido por Yoko Ono para subir ao altar com John Lennon. Outro momento de glória foi a participação no filme “Dirty Dancing” (1987): o sneaker virou uma febre mundial porque Frances Houseman (Jennifer Gray) usava o modelo em suas aulas de dança.

Mas o auge de sua popularidade foi mesmo na década de 90. As vendas alcançaram a marca de US$ 300 milhões, e grande parte desse desejo foi gerado pelas celebridades. A Keds também foi uma das primeiras marcas a lançar coleções limitadas assinadas por grandes designers, como Lily Pulitzer e Todd Oldham.

O renascimento da Keds e a campanha Ladies First

Ao longo dos anos, a marca acabou caindo na mesmice e acabou perdendo o seu apelo ao passar pela virada do século. Não é para menos: o começo dos anos 2000 já é apelidado por historiadores como “supermercado de estilos”, já que a moda começou a acelerar sua busca incessante por novidades.

Pois em 2015, a marca acerta em cheio ao lançar uma campanha inspirada pelo poder feminino, a “Ladies First”. À frente, ninguém menos do que a cantora Taylor Swift, que desde 2010 é embaixadora global da marca.

A história da Keds, que completa 100 anos

Campanha Ladies First da Keds com a atriz Allison Williams (do seriado Girls), que também vai dirigir e estrelar dois vídeos da marca

Atualmente a Keds é vendida em mais de 80 países ao redor do mundo e tem mais de 30 lojas próprias, as Keds Outlet Stores, nos Estados Unidos. Olha outro fato interessante: o Brasil é o maior mercado da marca fora dos Estados Unidos e conta com suas próprias parcerias, entre elas com a marca Quem Disse Berenice? e, a mais recente, com a marca Maria Filó. E, nesse ano de comemorações, a galera da Keds Brasil aconselhou a gente a ficar atento, porque tem muita coisa legal planejada para 2016. Quem duvida de que vai ser um sucesso?

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter


Birkin: a história da bolsa queridinha da Hermès

Ela certamente ocupa o topo da lista de desejos de 9 entre 10 fashionistas e aqui no Brasil não sai por menos de 30 mil reais. Sim, estamos falando da Birkin Bag, a bolsa da Hermès que homenageia uma das grandes musas de estilo da década de 60 e que tem tantas histórias quanto seus bolsos podem carregar.

A mais conhecida (e charmosa) conta que a francesa Jane Birkin sentou-se ao lado de Jean-Louis Dumas, que na época era CEO da Hermès, em um vôo de Paris para Londres. Atrapalhada, deixou tudo cair da sua bolsa de palha ao tentar colocá-la no compartimento de bagagem. O resto é história: Jean-Louis se ofereceu para desenhar um modelo que unisse tudo o que a cantora imaginava numa bolsa ideal. Preta, espaçosa, com alças resistentes e que pudesse ficar aberta o tempo todo.

História da bolsa Birkin Hermès 2

A blogueira Chiara Ferragni é uma das que já foram seduzidas pelo allure da bolsa Birkin

Birkin Bag: exclusividade e luxo

Agora, além dos preços exorbitantes, a lista de espera pelo modelo pode chegar a 6 anos. Ou seja, a palavra exclusividade atinge um outro nível em que só a Hermès opera. Ambos se justificam pela forma como a bolsa é feita: produzida na França, é fruto do trabalho manual de artesãos que passam por longos treinamentos. Pode levar de 48 horas a duas semanas para que uma única Birkin seja finalizada, dependendo da sua customização. Só então as bolsas são enviadas às lojas da Hermès, em quantidades limitadas e cronogramas imprevisíveis.

Um fato interessante: enquanto famosas como Victoria Beckhamk já admitiram ter coleções que alcançam a casa das centenas, a própria Jane Birkin só teve uma para chamar de sua. Embora não receba nada por emprestar seu nome ao modelo, a Hermès disponibiliza uma quantia todo ano para que ela doe à caridades de sua escolha. Simpático, vai?

História da bolsa Birkin Hermès 2

Ela une tudo que Jane Birkin desejava numa bolsa: preta, espaçosa, com alças resistentes e que pudesse ficar aberta o tempo todo

A polêmica em torno da Birkin

No ano passado, a bolsa voltou a ocupar os holofotes quando Jane pediu que a marca retirasse seu nome do modelo por causa de um documentário do PETA, grupo que defende o direto dos animais, que mostrava como alguns deles eram tratados por fornecedores de couro e peles exóticas. Pois a Hermès logo declarou que investigaria a fazenda do Texas, que aparecia no documentário e supostamente seria a responsável pelos maus tratos. Por enquanto, nenhum movimento para de fato mudar o nome aconteceu – já que ele foi registrado pela grife em 2004 e, assim, eles têm zero obrigações de atender aos seus pedidos.

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter


Os últimos passos e a história da Melissa

A história da Melissa começa há 35 anos, Pedro Grendene Bartelle, dono de uma fábrica que produzia embalagens plásticas para garrafões de vinho, achou que seria interessante criar sapatos de plástico. Por mais estranha que a ideia parecesse, ele se inspirou nas sandálias de pescadores da Riviera para criar o que viraria o hit do ano. Em 10 meses, foram vendidos 5 milhões de pares do modelo Melissa Aranha. Frente a esse sucesso, a marca decidiu investir na criação de novos modelos e nunca mais parou de inovar.

A história da Melissa e sua campanha de verão 2016, inspirada no lifestyle do rio de janeiro

Campanha da coleção de Verão 2016 da Melissa, inspirada no Rio de Janeiro e no lifestyle carioca

A história da Melissa pelo mundo

Depois de conquistar o Brasil, a marca da empresa Grendene começou a investir na internacionalização no nome Melissa. De lá pra cá, foram mais de 20 parcerias muito bem-sucedidas com nomes celebres da moda, design, música e celebridades. No começo, além de Jean Paul Gaultier, Patrick Cox e Thierry Mugler também fizeram criações que chamaram a atenção por sua inovação e ousadia. Em 2004, começou a duradoura e bem sucedida parceria com os renomados Irmãos Campana.

Em mais de 30 anos de existência, a Melissa fabricou mais de 32 milhões de pares na última década e atualmente é vendida em mais de 50 países. Os templos da moda mundial se rendem a Melissa com seu inconfundível design em plástico e consagram a marca como objeto de desejo.

Tecnologia

A Melissa se tornou uma das principais responsáveis pela valorização de plástico no mundo da moda. Seu principal desafio é aliar tecnologia de ponta ao design, dando aos seus produtos novas formas, cores e acabamentos. Hoje, a marca utiliza o Melflex em sua fabricação.

A história da Melissa e a sua galeria / flagship na Oscar Freire, em São Paulo

Fachada da flagship da Melissa na Oscar Freire, em SP, que já se tornou ponto turístico pelo design inovador e também pelas várias exposições que abriga

Oferecendo experiências sensoriais no plástico, tão importante quanto o design é o cheiro que os sapatos carregam. A Grendene se recusa a compartilhar a fórmula do cheirinho que mistura chiclete, jujuba e pirulito, mas, em 2009, para comemorar seus 30 anos, a Melissa lançou um perfume com a mesma fragrância que logo traz a marca a nossa cabeça.

As galerias Melissa

Ano passado, como celebração dos seus 35 anos, a marca anunciou a criação de sua quarta galeria, na Ásia. Esse espaço é usado para apresentar produtos e parcerias com exclusividade, lançar coleções especiais e abrigar exposições com os mesmos temas que inspiram a criação desses calçados: design, fotografia, moda, beleza e tecnologia.

A Galeria Melissa de SP, projetada por Muti Randolph em 2005, revolucionou o conceito de flagship store. Em 2012, foi o ano de apostar na expansão e inaugurar a primeira Galeria Melissa fora do Brasil: NY. Instalada no histórico e badalado bairro do Soho, a Galeria Melissa NY, é a concretização de um desafio: criar um espaço introspectivo que contrastasse com o cenário agitado e super urbano de Nova York. E, em 2014, em Londres.

A história da Melissa e a sua galeria / flagship em Nova York

Primeira fora do Brasil dentro da história da Melissa, a galeria no SoHo, em NY, tem tudo a ver com o mood contemporâneo da cidade

E é nesse ritmo que a marca vem crescendo como queridinha das fashionistas, que adoram misturar o design ao mesmo tempo pesado e delicado dos modelos.

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter