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SICC: a feira de Gramado que quer dar uma nova cara à moda

Quando você pensa nos principais eventos da indústria da moda que acontecem no país, certamente o SPFW é o primeiro que vem à cabeça. Claro, a semana de moda é a quinta maior do mundo e ganha muita atenção da mídia. Mas o que muita gente não sabe é que existem feiras de negócios que fogem do eixo Rio-SP mas são tão relevantes quanto uma fashion week. É o caso do Salão Internacional do Couro e do Calçado – ou só SICC –, que neste ano comemorou sua 25ª edição entre os dias 23 e 25 de maio.

SICC: a feira de calçados de Gramado que quer dar uma nova cara à moda

Foram 350 expositores, que juntos representam cerca de 1,4 mil marcas. Ela acontece em Gramado, no Rio Grande do Sul, já que a região é uma das maiores produtoras de calçados. Convidada pela Merkator, que é produtora da feira, passei dois dias entre sapatos e bolsas para entender um pouquinho melhor desse outro lado da indústria. Às novidades!

SICC e a Indústria dos Calçados

Além de ter passado muito frio e de ter me apaixonado por um número inimaginável de calçados, eu tive a honra de poder entender melhor como funciona essa área da moda. No SICC, as marcas apresentam suas coleções e já fazem a venda dos produtos ali mesmo. Quem compra são os lojistas, que vão com a intenção de abastecer seus estoques para a próxima temporada. Sabe aquela loja multimarcas do seu bairro? É bem possível que ela tenha ido a Gramado encomendar os produtos que vão rechear as vitrines nos próximos meses – e que devem chegar as lojas à partir da segunda semana de agosto.

Dividindo espaço com as mesas de negociação, os calçados e bolsas expostas não foram fabricados apenas no Sul do Brasil, como a gente costuma associar. Várias marcas têm suas fábricas no Nordeste, como a Petite Jolie que tem sua confecção com base no Ceará, e em países como Argentina, Bélgica e Vietnã.

SICC: a feira de calçados de Gramado que quer dar uma nova cara à moda

Crise financeira

O momento político e econômico do Brasil não é dos melhores, o que faz com que as pessoas comprem menos. E como um espaço de vendas fica nessa situação? No entanto, o que a maior parte dos expositores contou é que não se sentiram diretamente atacados pela crise. A explicação é simples: os lojistas não deixaram de comprar, e sim tornaram esse ato mais consciente. “O mercado interno reage de forma conservadora, comprando com segurança. Eles não estão apostando em coisas diferentes, novidades que chamariam o publico, estão atrás do tradicional, o que têm garantia de que vai vender”, explicou a equipe da Nicola Mezi.

Pois o dólar em alta também acaba abrindo as portas para o crescimento da exportação. Nos três primeiros meses deste ano, as fábricas do Rio Grande do Sul enviaram para o exterior 6,46 milhões de pares, volume que corresponde a 44% do que foi exportado no mesmo período do ano passado. “Teve gente da Polônia, Israel, Emirados Árabes, Bolívia, Uruguai, Argentina. E eles têm uma reação maior do que o mercado interno no momento”, completou o representante da marca Nicola Mezi.

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Muito além das vendas

Por ser uma feira de negócios, é claro que a venda é sempre prioridade. Mas esse tipo de evento tem outras importâncias. Segundo a gerente de marketing da Keds Camila Reinheimer, o SICC “foi importantíssimo para ativarmos alguns contatos e expandirmos o reconhecimento da marca, especialmente no ano do centenário”. Muitos expositores aproveitam o espaço para divulgar seu produto, conhecer o trabalho de outras empresas e entender a expectativa dos lojistas. Afinal, são 3 dias que todo o segmento acaba se reunindo.

a edição de 2017 já tem data reservada: de 22 a 24 de maio. É que, assim, eles conseguem garantir os principais expositores e compradores organizem a agenda em torno do evento. Haja planejamento!

∴ A repórter do blog viajou a Gramado a convite da assessoria do SICC. O texto reflete sua opinião pessoal e nenhuma compensação financeira foi recebida. O post não envolve nenhum tipo de ação comercial

 

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Por que o Twitter tem apostado tanto no SPFW

Até 2019, 80% do tráfego de internet do mundo será em forma de vídeos. Ou, pelo menos, essa é a aposta do novo relatório da Cisco. E olha só como as coisas são, lembram que no post anterior conversamos sobre a importância de entender como os nossos hábitos e valores vão pautar a nossa forma de consumir nos próximos anos? Seguindo essa lógica, quer dado mais importante do que nosso comportamento na internet? E é claro que as grandes empresas de mídia já sacaram esse movimento – em especial o Twitter, que é o nosso estudo de caso de hoje.

Twitter no SPFW

A forma como você consome conteúdo na internet está prestes a mudar!

A rede foi lançada lá em 2009 e desembarcou aqui no Brasil em 2012, com um escritório em São Paulo para apoiar parceiros e usuários locais. Dois anos depois, a empresa abriu mais um espaço, dessa vez no Rio de Janeiro, que é dedicado às parcerias de mídia. No total, são mais de 100 funcionários! Não é a toa, já que estamos entre os cinco principais mercados para a rede social.

Embora o Twitter aceite fotos e vídeos em sua timeline, ele também captou rapidamente esse movimento da internet e, em 2012, lançou o Vine – que é aquele app para capturar vídeos curtos em looping. Já o Periscope, o app das transmissões ao vivo, foi inaugurado em março do ano passado e em 10 dias alcançou a marca de 1 milhão de usuários.

Twitter no SPFW

O mesmo telão que mostra os desfiles nos corredores da Bienal apresenta, durante 1 minuto, os melhores tweets com a hashtag #spfw

Mas o que o Twitter tem a ver com o SPFW?

Aproveitei que estava aqui pela Bienal para conversar com a Luisa Sacchetto, que é gerente de parcerias de mídia do Twitter para novos mercados. “Na verdade”, ela me corrigiu, “essa parceria já existe há 3 anos, desde que a gente começou a fazer ações específicas dentro do evento.” De 2014 para 2015, o uso das hashtags #SPFW e #Moda no twitter cresceu mais de 2000% no volume de impressões, que é o número de vezes que os tweets foram visualizados dentro e fora da plataforma.

“Então a gente sabe que a conversa sobre moda está no Twitter. Diferente das outras plataformas, é uma rede de interesses, as pessoas estão no Twitter porque querem acompanhar alguma coisa, seja lifestyle, beleza, esporte, televisão. Nessa semana, queremos mostrar um pouquinho de tudo que acontece dentro do SPFW pra quem tá em casa e que não pode estar aqui, tem esse desejo de levar e amplificar o conteúdo pra todos, que é um desejo também do Paulo Borges”, completa Luisa Sacchetto.

Twitter no SPFW

O Twitter Challenge é outra ação – são dois espelhos (com ipads acoplados) que circulam pelos corredores, e as fotos mais legais sobem direto no @spfw

São várias as ações – e eu quero dizer várias mesmo! Além do telão que mostra os melhores tweets com a hashtag #spfw, o Twitter convidou 15 influenciadores, ou talents, como eles costumam chamar. “São fashionistas, blogueiras e cantoras, homens e mulheres, que a gente convidou e que vão ter acessos exclusivos aqui dentro do SPFW. A gente vai entrar com eles dentro dos camarins, eles vão poder ver realmente aquele burburinho, na hora que o pessoal está fazendo make, as meninas se vestindo, toda preparação de desfile.”

Toda essa cobertura é compartilhada não só pelo Twitter como também pelo Periscope, inclusive num formato novo de Q&A, em que os seguidores podem fazer perguntas que são respondidas com vídeos curtos de até 30 segundos. Esse último, no entanto, está disponível apenas para um seleto grupo de influenciadores, pelo menos por enquanto. Quem mais não vê a hora de poder usar?!

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Essa matéria faz parte da cobertura do SPFW N41

 

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WGSN aposta: quatro macrotendências para 2018

Tem muita gente estudando o que será tendência em 2018, por mais distante que a data possa parecer. Os chamados coolhunters são aqueles que sabem o que a gente vai querer nos próximos um, dois, cinco anos. E uma das áreas mais interessante é aquela que pesquisa as macrotendências, que nada mais são do que hábitos e comportamentos que influenciam a nossa forma de consumir. E, com essa informação valiosa em mãos, fica muito mais fácil para as marcas entender o que precisa ser produzido para atender essa demanda.

Pois a WGSN, uma das principais autoridades em tendências das indústrias da moda e criativa, apresenta o resultado de meses de pesquisas para uma lista restrita de convidados todo início de SPFW. O evento, que já está na sua 25ª edição, aconteceu nessa terça-feira e adiantou quais são as mudanças de valores e conhecimentos que vão afetar nossa forma de pensar, relacionar e, em última instância, comprar nos próximos dois anos.

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Vida Terrena

Estamos cada vez mais presos a uma tela, seja ela do celular, do computador ou da televisão, e dependentes da tecnologia. Para reverter essa situação, há uma crescente busca pelo contato com a natureza. Um estudo recente mostra que 67% das pessoas com menos de 25 anos no Reino Unido não sabem ler um mapa. As pessoas querem ser autossuficientes, e começam a investir em cursos de costura, marcenaria e até mesmo sobrevivência na selva. A ciência também passa a assumir uma posição cool e ganha um grande número de admiradores especialmente entra a chamada geração Z.

Começamos a repensar nosso consumo e a valorizar produtos chamados “do cultivo à mesa”, expressão que começa a se apresentar também como “da fazenda ao provador” à medida que as peças do vestuário se utilizam de materiais caseiros e de fontes locais. Outros produtos de consumo, como tratamentos cosméticos para a pele e cuidados com a casa, também se voltarão cada vez mais para os materiais naturais. É um movimento de resgate da essência.

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Infusão

O homem controla a máquina ou a máquina controla o homem? Essa pergunta tem se tornado cada vez mais difícil de responder e, com isso, o movimento de humanização da tecnologia tem se destacado. O objetivo é transformar essa conexão em algo totalmente positivo. A aposta são as redes sociais de “chat ao vivo”, como a YouNow, em que você pode transmitir vídeos e possibilitar a comunicação entre pessoas que te assistem. Outro fenômeno dessa tendência é o uso da tecnologia na saúde. Criado em Dubai, Fitzania usa as características de um jogo para fazer um verdadeiro check-up. Ao finalizar ações que envolvem agilidade e concentração, o jogador recebe um relatório sobre como está sua saúde. “Veremos tecidos inteligentes, utilização de DNA para criação de produtos e serviços personalizados e materiais”, completa Letícia Abraham, VP Latam da WGSN.

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Design Substancial

O ‘menos’ se tornará menos ainda, e significará muito mais. Os consumidores valorizam, cada vez mais, produtos com características sustentáveis e nasce um movimento contra esse posicionamento apenas como estratégia de marketing. Produtos de vida curta dão lugar à produtos que tenham longevidade e um design funcional. O dinheiro usado para pagar por esses produtos também se tornará mais imaterial, com o crescimento das moedas criptográficas que funcionam como alternativa ao dinheiro. Atualmente, existem mais de 669 moedas virtuais disponíveis para comércio nos mercados online, a mais conhecida é a bitcoin. Por que agora? Para Letícia Abraham, a resposta é simples: “falta de confiança nas instituições econômicas e o aumento das viagens e da conectividade global. Num mundo de cartões magnéticos e similares, o dinheiro físico parece algo ultrapassado”, explica.

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Noturno

Esta tendência reúne comportamentos que buscam um equilíbrio estratégico entre o otimismo exagerado e o pessimismo saudável. O contato com nossos sentimentos “negativos” (como o pessimismo, a vulnerabilidade e, até mesmo, a tristeza) é incentivado para que possa levar à superação dos medos. Um dos frutos desse pensamento é o crescente número de pessoas que escolhem viajar sozinhos e que trocam viagens curtas por longos períodos de contemplação em lugares onde o tempo parece que não passa, como Finlândia, Alaska, Norte do Canadá e Noruega.

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Essa matéria faz parte da cobertura do SPFW N41

 

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