Filed In: Behind the scenes

O novo escritório do Man Repeller em Nova York

Poucas coisas são tão legais quanto ver o que acontece e como as coisas são entre quatro paredes na vida das pessoas. Pois Leandra Medine, mais conhecida como Man Repeller, recentemente abriu as portas do seu novo escritório – um loft de quase 960m² no bairro NoHo, em Nova York. “O time estava crescendo e nós precisávamos de um espaço maior”, contou a blogueira e autora em entrevista à Elle US.

Por dentro do escritório do blog Man Repeller, criado por Leandra Medine

O Man Repeller é um sucesso absoluto: hoje, ele ultrapassa a marca de 10 milhões de pageviews por mês e 1,3 milhões de seguidores no Instagram. Embora tenha começado como um blog focado no estilo pessoal de Leandra, agora ele é muito maior do que a sua própria fundadora e emprega 8 pessoas. Numa missão arriscada, ela resolveu mudar a fórmula que vinha funcionando e apostar em conteúdos mais gerais sobre moda, assinados pela sua equipe.

“Se você quer uma estante que te ajude a puxar conversa, então você precisa ir atrás das coisas mais diferentes que você tem”, conta a Man Repeller sobre um de seus lugares preferidos do escritório. “Você deveria colocar pistas ali em cima, para que façam perguntas sobre assuntos que de outra forma você acabaria não falando. E se você só quer que ela fique bonita, eu sugeriria pesquisar “estantes bonitas” no Pinterest. Não estou brincando!”

Por dentro do escritório do blog Man Repeller, criado por Leandra Medine

Por dentro do escritório do blog Man Repeller, criado por Leandra Medine

A charmosa escada veio do seu primeiro escritório e tem uma história interessante por trás. “Vi uma imagem de um quarto branco com piso de madeira rústica e uma escada posicionada em um ponto que não dava para lugar nenhum. Me fez rir e me sentir confortável, então eu quis me aproximar dessa vibe”.

Por dentro do escritório do blog Man Repeller, criado por Leandra Medine

A decoração foi desenvolvida com o serviço de design de interiores Homepolish e as fotos também são de lá, pela Claire Sparros.

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter


A redação do Chic

Como é fácil deduzir, Chic é o site que foi criado a partir do livro homônimo da Glória Kalil, lançado em 1996 e que é best-seller da consultora de moda até hoje. Como explica André do Val, editor-executivo do site, “foi dessa publicação que a gente tirou a ideia, que é tratar a moda com um apelo popular, desvendado tendência. Sem aquela coisa do pedestal e das grandes marcas”. A ideia é boa, né?

Redação do Chic

Mas, diferente do que muita gente imagina, o site não é atualizado ou editado diretamente pela Glória Kalil. “A participação dela é muito específica: a gente tem uma reunião de pauta sagrada uma vez por semana, de onde saem todas as ideias, e ela sempre aprova as linhas gerais do site. A presença da Glória no escritório depende muito de agenda – se ela estiver em São Paulo, vem todo dia, mas fica muito tempo fora viajando.” Embora esse distanciamento esteja claro em vários lugares do portal, as pessoas ainda confundem muito a participação da Glória no processo. “Quando a gente responde leitores por e-mail ou nas redes sociais, eles acham que é a própria sentada ali, falando com eles. Sempre terminam com um ‘Obrigado, Glorinha!’.”

Redação do Chic

ANDRÉ DO VAL, O NOME POR TRÁS DO CHIC

Hoje editor-executivo e responsável tanto pelo comercial quanto pelo conteúdo do Chic, André do Val esteve presente desde o começo do site. E o editor-sênior, Eduardo Viveiros, também. “Isso foi entre 1999 e 2000 – a gente ajudou a montar o Chic mesmo, até a pensar nas seções. Ele foi idealizado como uma revista e, aos poucos, fomos desenvolvendo essa linguagem de internet.” Depois de 3 anos trabalhando com o site, André foi morar no exterior e só voltou em 2010, quando assumiu sua posição atual com o objetivo de repensar a parte de rede social e comercial no conteúdo do Chic. Entre seus planos para o futuro, inclui uma pós graduação e eventualmente dar aulas online sobre moda. “Tenho feito muito esses cursos do Coursera, acho bem interessantes!”

COMO FUNCIONA UM SITE COMO O CHIC?

“A gente vira a home inteira todos os dias. Ou seja, são pelo menos dez matérias ou arquivos diariamente, é bastante coisa. Na verdade estamos tentando aumentar, porque às vezes batemos 20 matérias.” No total, cerca de 10 pessoas, incluindo o próprio André e a Glória Kalil, são necessários para manter o site atualizado e no ar!

Redação do Chic

A principal seção do Chic é a Como Usar, que traz aquele conceito dos biotipos que a Glória ressalta no seu livro. “Todo o resto é montado analisando o que funciona melhor. Outras seções bem procuradas são Plus-Size e Casamento – que é mais para o lado da adequação e de etiqueta.”

Outro ponto interessante é que dificilmente você encontra no Chic muitas matérias sobre os desfiles internacionais, por exemplo. “Ao invés de cobrir Paris, a gente prefere falar de Salão de Negócios”, explica o editor André do Val. “Minas já virou um destino fixo. Agora a gente está tentando mapear para dentro e ver o que pode fazer, porque a Glória Kalil tem uma postura muito profissional desse mercado de moda, ela não é muito deslumbrada e não quer que fique uma coisa muito focado em festas, coquetéis. Quer que seja mais voltado para o que a indústria está fazendo.”

Redação do Chic

PROJETOS OFFLINE DO CHIC

E como não dá pra ficar acomodado no que já funciona, o Chic tem se mexido para trabalhar com outros projetos que saiam um pouco do site. “Um dos mais recentes foi um catálogo que a gente faz de treinamento para o varejo ainda nessa coisa de desvendar a moda para quem precisa trabalhar com isso. Também trabalhamos com o Shopping do Bom Retiro, fizemos um conteúdo personalizado para eles com as marcas de lá. Separamos em tendências, fotografamos… É um trabalho de treinamento mesmo.”

O PERFIL DO REPÓRTER DO CHIC

Tem curiosidade para saber o que um portal como o Chic procura na hora de selecionar novos repórteres? O próprio André do Val resume: “precisa ter perfil de internet, tem que saber um pouco de tudo.” Isso quer dizer que habilidades como edição de imagem e fotografia são (e muito!) valorizadas. “Não precisa ser fotógrafo, mas precisa saber tirar uma foto ok. Está num evento e quer fotografar de alguém? Põe a pessoa na parede, recua, faz de corpo inteiro e acerta.”

Redação do Chic

Em segundo lugar, o texto. “Tem que ter um texto bom e ter um mínimo de senso jornalístico para começar a escrever título e hierarquia de notícia, com o lead. Saber dividir a informação sem enrolar; porque a moda tem muito isso, a pessoa vai enrolando e quando você vê não falou nada.”

O que até pouco tempo ainda era considerado um plus, hoje em dia já está virando requisito – sim, o SEO está pertinho de entrar pra segunda categoria. “Ajudo a treinar, mas estou começando a exigir um pouco mais de SEO, porque faz parte de quem escreve em internet saber como nomear as fotos, como organizar o título”.

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter


Os bastidores do ateliê da Iódice

Nada mais gostoso do que exercitar nosso lado vouyeur de vez em quando. E quer programa melhor do que conhecer os bastidores de uma marca de moda feminina que é referência dentro do mercado nacional? Nessa semana, visitei a confecção da Iódice, que divide o espaço com a marca-irmã Iódice Denim. O espaço por si só transmite toda a essência da grife: salas amplas e inteiras cercadas por vidros deixam o ambiente leve e agradável. Assim como as roupas da marca, o prédio matriz da Iódice possui um design surpreendente.

Atelie da Iodice

Poucos sabe, mas a Iódice surgiu em 1987 (!) como uma produção de malharia, passando alguns anos depois para o jeanswear. Numa época em que a própria moda brasileira estava se consolidando, a história da Iódice se confunde com a da moda nacional. A marca esteve presente, por exemplo, na primeira edição do Morumbi Fashion (que mais tarde daria lugar ao São Paulo Fashion Week) em 1996. Hoje, a Iódice está presente em mais de 500 multimarcas e conta com 20 lojas em território nacional. Valdemar Iódice, estilista e fundador da grife que carrega seu sobrenome, divide o segredo do seu sucesso. “A Iódice é uma empresa de 25 anos que tem que se renovar. Mas sempre em cima do mesmo público, quer dizer, eu não mudo o estilo de roupa que eu faço. O que eu vou renovando é no sentido de deixar uma coleção, não vou dizer mais jovem, mas uma coleção que tenha estampa, recorte, detalhes, mais colorida, menos colorida. Eu vou adequando ao perfil dessa consumidora, que muda conforme o tempo”.

Atelie da Iodice

A fachada do prédio que abriga a Iódice, em São Paulo

O showroom

No prédio-matriz da Iódice, a poucos metros do parque Villa-Lobos, está concentrada toda a confecção e produção da marca. Além disso, é também nesse local que está localizado o showroom. O espaço recebe buyers de diversas multimarcas que estejam interessadas em adquirir peças da marca para revenderem em suas boutiques. Além das vendedoras, o showroom conta com uma modelo, que está a disposição dos vendedores para experimentar algumas peças de roupa. Embora não seja tão frequente, o showroom também recebe produtores de revistas e sites que estão buscando peças para editoriais ou matérias. Portanto, ali estão não somente as peças comerciais da marca, como também algumas conceituais que apareceram nos desfiles.

Atelie da Iodice

O showroom da Iódice é interno: assim, os compradores de multimarcas do todo o país podem fazer suas seleções com tranquilidade

Atelie da Iodice

Nas araras, um pouco de tudo

De alguns anos para cá, a Iódice ganhou uma segunda marca, a Iódice Denim. Embora as duas labels estejam localizadas nesse mesmo prédio, tanto as confecções quanto o próprio showroom são separados. A proposta das duas, por sua vez, é completamente diferente. Enquanto a Iódice trabalha com roupas conceituais, a Iódice Denim possui um público mais jovem e produz peças mais casuais e comerciais. O padrão de qualidade, no entanto, é o mesmo.

Pela confecção da Iódice

A área de criação é a primeira parada na hora de criar uma coleção. “A princípio é assim, eu acho que hoje todo mundo que trabalha na Iódice tem claro o perfil do nosso consumidor. Partindo desse princípio, a gente tem base de olhar para aquilo na coleção que passou, aquilo que teve mais aceitação – não só nas multimarcas, mas também nas nossas lojas próprias – e parte daí a nossa coleção”, divide Valdemar. “Depois de criado um tema, procuramos trabalhar esse conceito mais na estamparia e nas cores do que da modelagem e nos tecidos. Para desenvolver essa última coleção, por exemplo, eu fui lá para a Toscana, fotografei aquela cerâmica pintada à mão, trouxe as referências, e passei para as meninas, que passam para o desenvolvimento de estamparia. Depois eu aprovo a cor, o tamanho da estampa. É um trabalho feito em grupo. Não dá pra ficar em cima de tudo, tem que deixar a coisa andar. Mas estou sempre a par de tudo que está acontecendo.”

Atelie da Iodice

Fichas técnicas, amostras de tecidos, aviamentos…

Atelie da Iodice

Mil e uma referências

Segunda etapa: modelagem

Uma vez definidas as peças, os desenhos técnicos passam para a mão da modelagem, que faz os moldes das peças em papel kraft, para depois cortar os tecidos e só então encaminhar tudo isso para a costura. E uma vez pronta a peça-piloto, que nada mais é do que um teste, chega a hora de prová-la e fazer as modificações que o estilista julgar necessário. Tudo para que não haja erros!

Atelie da Iodice

Segunda etapa: modelagem

Atelie da Iodice

Aqui, a prova é essencial e faz toda a diferença

Última parada: o estoque

Assim que as peças ficam prontas, depois de passarem pela criação, pilotagem e produção, elas chegam ao estoque. Daqui, elas são redirecionadas para as lojas próprias da Iódice ou para alguma multimarca. Da mesma forma, uma vez que a compra foi fechada no showroom, se as peças já estiverem disponíveis, os compradores podem retirá-las por aqui.

Atelie da Iodice

Muito bem preparado para receber os compradores, o estoque tem um pouquinho de toda a coleção

Atelie da Iodice

O que não houver no sistema “pronta entrega”, é confeccionado e só então enviado para as marcas

Bate-papo com Valdemar Iódice

Durante a visita ao ateliê da Iódice, cruzei com o estilista e conversamos um pouquinho sobre os obstáculos enfrentadas pela grife, o momento atual da moda nacional e os planos para o futuro.

No começo da Iódice, o que você enfrentou de problemas? E como está esse cenário atualmente?

Valdemar Iódice – Eu acho que na época que eu comecei, não tinham tantos obstáculos, nós não tínhamos tanta concorrência como temos hoje. Se você tinha um trabalho focado e direcionado para seu publico alvo, você não tinha problema, você conseguia vender. Então eu não via tantas dificuldades.

Atelie da Iodice

Atrapalhamos o estilista Valdemar Iódice e fomos conversar sobre como está o mercado nacional

O que você encontra de desafios atualmente?

No Brasil, começa que você não tem matéria prima. Não tem matéria prima de tecido plano, como a seda. Malharia você ainda encontra, mas isso é um grande problema. Em segundo lugar, as taxas que o governo está desonerando inclusive em cima de salários, e você paga um pro instituto um valor fixo sobre faturamento. Mesmo o ICM, no estado de São Paulo, houve um abatimento para a indústria e para o varejo ainda não. Mas eu acho que quando você tem foco no seu negócio, quando você sabe o caminho que tem que traçar, o que é necessário para a sua companhia ter um produto adequado, preço adequado, que chega no ponto de venda e o consumidor gosta do produto, e você faz uma adequação de tudo isso com o marketing – que você não pode deixar de fazer – eu acredito que o mercado é favorável.

Você acha que a mudança no calendário dos desfiles vai melhorar a competitividade das marcas nacionais no mercado global?

Eu acho que o mercado internacional está muito aberto para a linha de biquínis e moda praia. Isso é uma grande realidade dentro do nosso segmento porque nós temos uma mão de obra cara, somos obrigados a importar tecido para poder fazer uma coleção, então a gente não fica competitivo para exportação. E você está competindo com dois grandes países do mundo, Itália e França, que já fazem moda há mais de cem anos. Então você vê na linha de praia uma grande evolução, mesmo porque a Abest tem um setor que é o “+ Beach Brasil”, em que a gente apoia as feiras lá de fora. Na Mercedes-Benz Fashion Week de Miami deste ano, nós estivemos presente com 19 marcas brasileiras, é um número muito bom.

Um dos mercados que está surpreendendo é o da China, porque o chinês está começando a consumir dentro do país dele. Então a gente percebe que tem uma evolução de compra muito grande dentro da China.

Quais os planos de expansão da Iódice? Você pensa no mercado exterior?

A gente já exportou muito. Já fizemos dois desfiles em Nova York e já exportamos bastante mas como nós temos muito para crescer no mercado interno, hoje a gente só exporta pro México, através de uma ótima parceria. Por enquanto não tenho intenção nenhuma – como eu sou presidente da Abest, lá eles me cutucam: “Vai exportar? Vai fazer?”. Eu não tenho tempo, não dá pra fazer isso agora. Então a intenção mesmo é crescer no mercado nacional, a gente tá indo pro varejo com mais força. Já estamos com 20 lojas, e queremos cada vez mais focar no mercado nacional, nós temos muito o que crescer aqui.

 

Gostou?

Pra ficar sabendo (só uma vez por semana!) do que publicamos de mais legal aqui no Costanza Who,
clique aqui e cadastre seu email na nossa newsletter