Author

Marcela Palhão

Browsing

Francisco Costa, o brasileiro que foi diretor criativo da Calvin Klein por 14 anos

Foi em 2002, ao assumir a direção criativa da linha feminina da Calvin Klein Collection, que o brasileiro Francisco Costa viu seu nome ficar conhecido do dia para a noite. Isso até que, em abril do ano passado, ele abalou a indústria ao anunciar sua saída do cargo. Segundo Steve Shiffman, chefe executivo da Calvin Klein, “essa estratégia criativa marca o começo de outro significante capítulo no legado da Calvin Klein desde que o senhor Klein se aposentou”. Essa decisão já faz um ano e, desde então, ele ainda não sabe muito bem quais serão seus próximos passos, mas já afirmou em entrevistas que devem ser por aqui no Brasil.

Francisco Costa Calvin Klein
Francisco Costa foi primeiro brasileiro a comandar a direção criativa de uma das grifes mais bem renomadas no mundo

Francisco Costa: o começo de tudo

Francisco Costa nasceu em 1964, em Guarani, Minas Gerais. Sua mãe, Maria Francisca, era dona de uma fábrica de roupas infantis, e seu pai, Jacy Neves da Costa, administrava um pequeno rancho. Graças ao trabalho da mãe, o estilista teve esse contato próximo com a moda e seu lado criativo bem cedo e já era conhecido em sua cidade por fazer desfiles de caridade junto com a empresa da família.

Após a morte de sua mãe, em 1985, Costa e um amigo foram passar 20 dias de férias em Nova York e decidiram não voltar. Aos 21 anos, Francisco não sabia nada de inglês e, por isso, começou a estudar a língua na Hunter College e teve aulas de moda à noite, no Fashion Institute of Technology (FIT) – onde, após competir com 14 candidatos, conseguiu uma bolsa.

A trajetória na carreira

A sua carreira cresceu de uma forma orgânica. Foi na FIT que Francisco Costa conheceu Herbert Rounick, que atuava em uma empresa terceirizada que produzia roupas para a Oscar de La Renta, e começou a trabalhar com isso. Mais tarde, ele foi contratado pelo próprio estilista, que considera seu primeiro grande mentor. Anos depois, Francisco também atuou como assistente de Tom Ford, na Gucci.

Francisco Costa Calvin Klein
Oscar de la Renta e Gucci foram algumas das grifes pelas quais o estilista passou antes de aterrissar na Calvin Klein

Antes de Francisco Costa fazer a grande mudança de sua carreira, ele chegou a negar um primeiro convite da Calvin Klein por não sentir firmeza na época e achar tudo muito minimal por lá. Em 2003, o mineiro entrou de fato para cuidar da linha feminina e se tornou o primeiro brasileiro a comandar a direção criativa de uma das grifes mais bem-sucedidas da moda mundial.

Enfim, na Calvin Klein

Costa ficou na grife por 14 anos, período em que teve um grande crescimento profissional e pessoal. O estilista formou uma rede de amigos de causar inveja em qualquer pessoa, de Scarlett Johansson a Anna Wintour. Além disso, vestiu grandes nomes como Brie Larson, Jennifer Lawrence, Emma Stone e Diane Kruger.

Entre suas conquistas profissionais, Costa é o único estilista a ganhar dois troféus do prêmio do CFDA (considerado o Oscar da Moda!), o de Melhor Estilista Feminino, em 2006 e 2008. Seu trabalho ficou conhecido pelas linhas retas e minimalistas, pelas incansáveis pesquisas de materiais e texturas e pelo extremo bom gosto. Uma de suas peças mais marcantes é o vestido que Lupita Nyong’o usou no Oscar de 2015, feito com mais de seis mil pérolas.

Francisco Costa Calvin Klein
Lupita Nyong’o veste Calvin Klein no Oscar de 2014

E agora?

Justamente por ter passado grande parte da sua vida morando fora, Francisco decidiu passar pelo algum no Brasil Antes de tomar qualquer decisão sobre o que vem a seguir. Ele não nega a possibilidade de ter uma marca com seu nome, mas ainda não anunciou quais serão seus próximos passos. Em entrevista recente com Pedro Bial, ele contou que está cada vez mais apaixonado pelo seu país natal e seus abundantes recursos naturais. O filho pródigo volta à casa – e com certeza vem coisa boa pela frente!

7 filmes de moda que você precisa assistir nessas férias

Ok, eles não são exatamente filmes sobre moda, mas a intenção ainda vale. Afinal, os filmes se apoiam nos figurinos para contar uma história, passar credibilidade e construir seus personagens. Alguns mais do que outros fazem esse trabalho tão bem feito que são um prato cheio para quem ama moda.

Por isso, prepare a pipoca e mergulhe com a gente nessa seleção de 7 filmes de moda que você (provavelmente) nunca ouviu falar mas vão tornar as suas férias muito mais encantadoras.

1. A Regra do Jogo (1939)

No final da década de 30, convidados de um casal burguês e seus empregados passam o verão em uma casa de campo. Um baile de máscaras é dado e várias tramas de romance são desenroladas, abalando a ordem social vigente. O figurino é assinado por Coco Chanel, que se inspirou nos uniformes do orfanato onde passou a infância para criar o vestido preto de punhos e colarinhos brancos da camareira Lisette.

A Regra do Jogo

2. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Dirigido por Woody Allen, este filme conta a história do comediante Alvy Singer (Woody Allen), que desenvolve uma paixão neurótica por Annie Hall (Diane Keaton). Além de ter conquistado quatro Oscar em 1978 (entre eles, o de melhor filme), o figurino é assinado por Ralph Lauren. Durante a trama, as roupas usadas por Diane se assemelham muito as de Woody: camisas e calças largas, coletes e gravatas.

Noivo Neurotico, Noiva Nervosa

3. O Quinto Elemento (1997)

O filme, de ficção científica, conta a história de um taxista que tenta impedir a destruição da Terra, buscando descobrir o que é o quinto elemento. A história se passa no século XXIII e conta com carros voadores, maquiagem Chanel que se aplica sozinha e figurino criado por Jean Paul Gaultier. O macacão de tiras usado pela personagem Leeloo (Milla Jovovich) e seu cabelo laranja se tornaram marca registrada dessa história futurista.

O Quinto Elemento

4. O Bandido da Luz Vermelha (1968)

O filme se passa em São Paulo e conta a história de Jorge (Paulo Villaça), inspirado na trajetória real do bandido João Acácio Pereira da Costa. Jorge é um personagem complexo que, ao assaltar casas, começa a se vestir com as roupas roubadas, ficando obcecado por camisas estampadas e calças justas. Segundo Alexandra Farah, é “um exemplo raro de filme nacional que usa o figurino masculino como ferramenta de narrativa”.

O Bandido da Luz Vermelha

5. Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001)

Velho conhecido, eu sei. Mas é tão incrível que não podia ficar de fora. Os responsáveis pelo figurino, Catherine Martin e Angus Strathie, desenharam centenas de croquis e fizeram os polêmicos corseletes uma das principais tendências da época. Uma curiosidade: estrela do filme, Nicole Kidman odiou ter que usá-los e, inclusive, quebrou uma costela nos ensaios. Ops!

Moulin Rouge

6. Ame-me Esta Noite (1932)

O apaixonante musical conta a história de um chique alfaiate francês que se apaixona por uma princesa. O galã Maurice Chevalier, ícone fashion que ficou conhecido na França por usar smoking com chapéu de palha, é um dos principais motivos para se ver o filme. A charmosa princesa Jeanette (Jeanette MacDonald) é outro destaque – a facilidade da atriz de se despir em cena, assim como as camisolas rendadas que ela usava, conquistaram os holofotes da época.

Ame-me Esta Noite

7. Charada (1963)

Não tinha como fazer uma lista que une filmes e moda sem citar Audrey Hepburn e Hubert Givenchy. Nesse suspense, Audrey interpreta Regina, uma milionária que, ao voltar de férias, encontra o marido morto. Givenchy construiu uma jovem dama sem as saias rodadas, abusando de cores e tailleurs, marcando a transição do estilo de Hepburn: da menininha meiga para a mulher segura e independente. O look mais marcante, um vestido com capa de chuva e galochas, não foi o preferido da atriz, e sim um casaco vermelho de lã, que foi pra casa com a atriz no fim das filmagens.

Charada

* Apresentando esses e outros filmes apaixonantes, a jornalista Alexandra Farah escreveu “101 filmes para quem ama moda“. Com curiosidades e fotografias dessas produções, o livro foi publicado pela editora Senai-SP neste ano.

Os 100 anos da Keds e a criação do “sneaker”

É capaz que, assim como eu, você também não tenha ouvido falar nela nos últimos anos, mas lá no fundo ainda guarde o nome com carinho. Pois em 2016 a Keds, marca de tênis que marcou a infância de muita gente (a minha, pelo menos!), completa 100 anos e volta com força renovada. Na verdade voltar não é o melhor termo, uma vez que ela nunca deixou de existir, mas o centenário serve aqui como divisor de águas para uma nova fase – mais atual e em sintonia com o desejo de seu consumidor.

História de Moda: Keds completa 100 anos
(Fotos: desse post do blog Dash of Darling)

Pela primeira vez, a marca participou do SICC – a feira de calçados que acontece no Sul todo ano e que a gente foi conferir ao vivo. Aliás, você sabia (eu não!) que foi a Keds quem inventou o termo “sneaker”? Pois vem ver o que mais a gente descobriu sobre ela durante esses dias.

A História da Keds e o nascimento dos sneakers

Criada em 1916, a Keds (inspirada pela palavra peds, que significa “pé” em latim) chegou no mercado para transformar o conceito de tênis da época. Em lona e com solado de borracha ao invés de couro, a marca tornou o calçado mais leve, maleável e confortável. Foi então que o publicitário Henry Nelson McKinney criou uma propaganda que eternizaria os tais modelos como “sneakers”, já que as solas eram tão silenciosas que eram perfeitas para “sneak”, ou seja, espiar ou se esgueirar.

O modelo branco mais icônico da Keds, chamado de Champion, é uma das primeiras apostas da empresa. Em 1926, foi criado o modelo Triumph, uma versão voltada para os esportes. Ele foi escolhido por muitos atletas olímpicos, jogadores de futebol e tenistas renomados mundialmente, o que lhe rendeu o apelido de “sapato de campeão”. Em 1934, a Keds lançou os modelos coloridos e, em 1938, os Kedettes, mais femininos e, pela primeira vez, com saltos e plataformas.

História de Moda: Keds completa 100 anos

Keds e as celebridades

Além de ser usado por Audrey Hepburn, Marilyn Monroe e Jackie Kennedy, o tênis entrou para a história ao ser escolhido por Yoko Ono para subir ao altar com John Lennon. Outro momento de glória foi a participação no filme “Dirty Dancing” (1987): o sneaker virou uma febre mundial porque Frances Houseman (Jennifer Gray) usava o modelo em suas aulas de dança.

Mas o auge de sua popularidade foi mesmo na década de 90. As vendas alcançaram a marca de US$ 300 milhões, e grande parte desse desejo foi gerado pelas celebridades. A Keds também foi uma das primeiras marcas a lançar coleções limitadas assinadas por grandes designers, como Lily Pulitzer e Todd Oldham.

O renascimento da Keds e a campanha Ladies First

Ao longo dos anos, a marca acabou caindo na mesmice e acabou perdendo o seu apelo ao passar pela virada do século. Não é para menos: o começo dos anos 2000 já é apelidado por historiadores como “supermercado de estilos”, já que a moda começou a acelerar sua busca incessante por novidades.

Pois em 2015, a marca acerta em cheio ao lançar uma campanha inspirada pelo poder feminino, a “Ladies First”. À frente, ninguém menos do que a cantora Taylor Swift, que desde 2010 é embaixadora global da marca.

A história da Keds, que completa 100 anos
Campanha Ladies First da Keds com a atriz Allison Williams (do seriado Girls), que também vai dirigir e estrelar dois vídeos da marca

Atualmente a Keds é vendida em mais de 80 países ao redor do mundo e tem mais de 30 lojas próprias, as Keds Outlet Stores, nos Estados Unidos. Olha outro fato interessante: o Brasil é o maior mercado da marca fora dos Estados Unidos e conta com suas próprias parcerias, entre elas com a marca Quem Disse Berenice? e, a mais recente, com a marca Maria Filó. E, nesse ano de comemorações, a galera da Keds Brasil aconselhou a gente a ficar atento, porque tem muita coisa legal planejada para 2016. Quem duvida de que vai ser um sucesso?

Pin It